
Vivemos na era das atitudes birrentas e do queixume em sessões contínuas. Também nisto me sinto desactualizado. Há largos anos, era eu rapaz, aprendi: é feio ser queixinhas e uma estupidez fazer birra seja pelo que for. Depois ensinei isso aos mais jovens.
Nestes tempos recentes, a queixinha e a birrinha tornaram-se inseparáveis. Com direito a emblema na lapela, caderneta por pontos, quadro de honra. Falta pouco para justificarem condecoração no 10 de Junho.
Os queixinhas proliferam como cogumelos. Com eles medra o ofendidismo: qualquer coisa belisca, perturba, ofende, angustia, traumatiza. Isto começa a parecer uma sociedade de donzelas vitorianas.
Lamento, mas é bote em que não embarco: abomino gente birrenta e queixinhas, desprezo o ofendidismo militante. E sou frontalmente contra o crescente policiamento do vocabulário na Assembleia da República, que devia ser o palco mais livre da nação. Daí dizer daqui ao presidente do parlamento, José Pedro Aguiar Branco, e aos restantes 229 deputados: frouxo e fanfarrão – seja em que contexto for – são vocábulos normalíssimos no debate político, não merecem censura alguma.
Consideram que dizer coisas como estas ultrapassa o decoro parlamentar e constitui abuso da liberdade de expressão? Caramba, que almas tão delicadas. Parafraseando uma frase batida, o 25 de Abril não se fez para isto.

Subscrevo as palavras de Pedro Correia.
A ditadura do politicamente correto, face a tudo e face a nada, parece estar instalada há já muito tempo.
Mas, e por muito que se tente, não é possível “pegar num pedaço de excremento pelo lado limpo”, conforme a definição de politicamente correto dada por um Aluno da Griffith University, Austrália.
Há coisas que simplesmente têm que ser ditas, tal qual elas são. De nada adianta fazer de conta que não são como são.
Em resumo, também subscrevo esta ideia: “o politicamente correto é uma tirania bem educada”. (afirmação atribuída a Rita Lee).
E, já agora, também confesso o meu enjoo por todas as tiranias bem educadas, quase sempre muito polidas e disfarçadas de bons modos.
O inalienável direito de exercer a liberdade de expressão das mais variadas formas, incluindo a satírica, não pode ser intransigentemente defendida somente quando ocorrem tragédias, como a que sucedeu em 2015, no Jornal francês Charlie Hebdo…
A sátira, onde se incluem o escárnio, a caricatura, o mal-dizer e até a obscenidade, não costuma, por definição, ser politicamente correta. Mas o politicamente correto pode, na verdade, e em determinadas condições, ser muito mais ofensivo do que a sátira explícita.
Independentemente de se concordar ou não com determinada “linha editorial”, não é aceitável, numa Democracia, limitar o respetivo direito à liberdade de expressão.
A liberdade de expressão também se teoriza, mas, sobretudo, pratica-se. De preferência, todos os dias…
Tenho pensado bastante nisso – a tal ponto que até já escrevi um livro sobre o tema.
Se Camilo e Eça e Ramalho e Fialho vivessem e escrevessem hoje, estariam a todo o momento sob a alçada do direito penal e na mira do ofendidismo papoilento saltitante.
Nem falo do Bocage ou do Gil Vicente.
“ofendidismo papoilento saltitante.” Gosto particularmente dessa expressão, fez-me rir…
Ui, Bocage e Gil Vicente davam cabo disto tudo…
Papoilas saltitantes?…
Hummm…
SPORTING!
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Eça insurgiu-se contra a linguagem utilizada nas Cortes
Já cá faltava este cromo, espécie de suplente do Lavoura agora em férias. agora a enaltecer Eça como símbolo do combate à liberdade de expressão.
Andam mesmo às arrecuas perante aquilo a que chamam “leis da história”. E não param de engatar a marcha-atrás.
Caro Pedro Correia…
Escreveu um livro sobre a liberdade de expressão?
Em papel?
Em digital?
Se for em papel, compro. Talvez. Depois de dar uma vista de olhos, claro.
Não compro livros digitais.
Não compro livros pela capa…
Por exemplo, o livro deste blogue está fora das minhas aquisições.
O do jpt (co-autor deste blogue) também não vai para a minha biblioteca.
Romances também não me interessam, exceptuando alguns autores.
Gosto de ensaios.
Apenas de temas que me interessam.
Também gosto de biografias, sobretudo de políticos portugueses.
Prefiro as que foram escritas pelos próprios, mesmo que não os aprecie.
Houve um que, infelizmente, não escreveu as suas memórias, devido à queda de um avião.
E como ele gostava de escrever.
Outro, militar e político, tarda em publicá-las.
Talvez já estejam escritas.
Talvez estejam destinadas a serem publicadas após a sua (dele) morte.
Tem mais de noventa anos de idade.
Recentemente, sofreu um acidente de viação do qual saiu ileso.
Para terminar, um que está em fim de mandato também devia publicá-las.
São figuras históricas, goste-se ou não.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Muito bem.
Fico muito satisfeito quando alguém refere a liberdade de expressão.
Por duas vezes decidi transcrever o Artigo 37.° (Liberdade de expressão e informação)
da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA, em dois blogues desta plataforma.
Que blogues são?
Um é este…
O outro designava-se por “O Sonho de Aurora”.
Mudou de nome.
Agora chama-se “O Despertar de Aurora”.
É extraordinário.
Só visto…
P. S.: “Moderação” é um eufemismo para a abjecta e cobarde censura…
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Depois de 60 deputados, do Chega, partilharem 893745032065028011 (até há 3 minutos atrás) vezes, uma lista, de 27 nomes, ADULTERADA pela deputada Rita Matias, a partir de uma lista de matrículas, de uma escola pré-primária, na Penha de França, Lisboa, alterando 18 nomes e esquecendo que Venceslau é um nome português (foi o único que passou, despercebido), é verdade, essas denominações não tem nada de errado.
Mais engraçado é que, depois de a senhora deputada, ser apanhada, por ter falsificado/adulterado, a lista de matrículas (omitindo o cabeçalho), há o mistério de 600000 milhões, de partilhas, serem apagadas em 10 segundos. Haverá mesmo 8700 milhões de portugueses, que estiveram online, todos ao mesmo tempo? Segundo o Instagram, Tiktok, X, Facebook e Linkedin, é mesmo verdade… 8700 milhões, de perfis, que dizem ser portugueses, estiveram online, dentro dos mesmos 10 segundos.
Milagre da multiplicação dos peixes – neste caso, dos tubarões digitais.
Mentem com quantos dentes têm na boca. E se há coisa que não falta aos tubarões são dentes.
Caro Manuel da Rocha…
Quase acertou.
Falhou por um.
O CHEGA! tem cinquenta e nove deputados e deputadas.
Um passou a deputado independente.
Informe-se.
P. S.: Sobre os outros números…
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
“ofendidismo” é mesmo a expressão.
Neologismo apropriado para as situações e comportamentos em causa. Que medram a olhos vistos, adubados pelo ar do tempo.
Muito bem Pedro Correia.
Esta catraiada, não tem idade para saberem que o melhor parlamento depois da ditadura foi a Constituinte.
Os nossos melhores parlamentares estavam lá e quem se lembra sabe bem os termos portuguesíssimos que aí foram proferidos.
Resumindo.
Esta é uma geração de choninhas
O “ninho de lacraus”, como lhe chamava o deputado único da UDP na Constituinte – tão solitário então como a Mariana Mortágua do BE (herdeiro da UDP) agora.
Esqueceu-se do Partido Socialista Revolucionário e da Política XXI.
Mais umas pessoas “independentes”.
Já agora, “UDP” significava União Democrática Popular.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Obrigado, mas não necessito de adendas aos meus textos.
Se quiser comentar, tudo bem.
Se quiser servir-se deles como pretexto para vir aqui escrever três vezes o seu nome, já não está tudo bem.
Basta uma vez. Três torna-se enjoativo.
Caro Pedro Correia…
É a correcção ao que escreveu.
É uma corrigenda.
Uma “adenda” seria se tivesse sido escrita por si.
Quanto a eu assinar o que escrevo…
Não posso?
É proibido?
Era só o que faltava que alguém viesse escrever que não posso colocar
o meu nome após os textos que escrevo.
Vá criticar as pessoas que, a coberto do anonimato ou de pseudónimo,
têm escrito aleivosias, disparates e dislates neste “seu” blogue.
E, já agora, as que apenas comentam para insultar.
Para complementar este meu texto, despeço-me, como (quase) sempre, com:
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
> vir aqui escrever três vezes o seu nome
Lá atrás, um dos execrados anónimos resmorde baixinho: “Atrás de mim virá quem de mim bom fará!”

Este blogue aceitou comentários anónimos desde o primeiro dia, já lá vão 16 anos.
A caminho do meio milhão de comentários anónimos, incluindo os seus.
Aparecer alguém que insiste em escrever o nome todo três vezes quando comenta ou descomenta, é novidade absoluta.
Tem a vantagem de se identificar.
Tem a desvantagem de maçar com bastante facilidade quem está do lado de cá.
Dez comentários ou descomentários depois, já vimos aquele nome trinta vezes.
“Aparecer alguém que insiste em escrever o nome todo três vezes quando
comenta ou descomenta, é novidade absoluta.”
(Pedro Correia)
Caro Pedro Correia…
1. Não é “o nome todo”. É só parte do nome.
2. Não estou a “escrever o nome todo três vezes”. Só escrevo uma vez, ao assinar o texto.
3. Em cima, é o que coloquei quando me inscrevi para comentar. Aparece sempre.
4. Em baixo, é a parte do nome que uso para assinar tudo o que escrevo.
5. JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT é o meu correio electrónico, não é o meu nome.
Como vê, só escrevo (parcialmente) o meu nome uma vez: depois do meu comentário
e antes de colocar o meu correio electrónico.
Há algum inconveniente?
Prejudico o “seu” blogue?
Preferia que fosse anónimo?
Eu gosto de assinar os meus comentários, ao contrário de outras pessoas…
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Caro Antonio (sic) Maria Lamas…
“Esta catraiada (…)”.
“É uma geração de choninhas.”
Eloquente…
P. S.: Parte da “catraiada” da “”geração de choninhas” está na Assembleia da República.
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
O ofendidismo é uma nova religião com mais praticantes do que qualquer uma das outras, das ditas tradicionais.
Tem apóstolos, prosélitos e devotos, quase sempre ajoelhados.
Realmente hoje em dia é preciso ter cuidado com as palavras, principalmente aquelas que apelam à fanfarronice pois podem provocar um ataque de acne às pessoas mais sensíveis.
Haverá vacina contra isso? É perguntar ao Almirante.
Eles, os parlamentares, são uns choninhas. (Posso dizer choninhas? Ou eles ofendem-se e sou processado?)
Uma ideia: por que não os senhores e senhoras deputados e deputadas correrem o dicionário de português e aprovarem os vocábulos inaceitáveis e ofensivos? E que tal um Livro de Estilo (para evitar andarem ao estalo)?
Boa ideia, essa da aprovação dum livro de estilo. Para as noviças não cometerem pecadilhos verbais dignos de censura da madre superiora, lá em São Bento
Para chatear os ofendidos profissionais, até vou dizer: que cambada de mariquinhas!
Ui, vai haver denúncia à Procurador-geral da República.
Foi “cometido crime público”, ai, ai, ai, ai.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Não são almas delicadas. São almas fingidas, falidas e desesperadas por nada de útil ou válido terem para oferecer.
Não foi na Assembleia, mas gostaria de recordar aqui o “bardamerda para o fascista” de Pinheiro de Azevedo. Eram outros tempos e outras gentes.
Lutei pela liberdade de expressão toda a vida, especialmente desde 1973 como jornalista profissional. Como director de um diário em Macau, ao abrigo de uma lei de imprensa absurda e de uma ditadura governamental, uma juíza estagiária e corrupta condenou-me em 12 processos de liberdade de imprensa. Um juiz português muito prestigiado disse-me quando regressei a Portugal: “Em nenhum dos processos, em Portugal, você se sentava no banco dos réus”…
Novo secretário-geral (do PS) “avança com a criação de um conselho estratégico composto por 75 personalidades”.
Vejam a notícia e os nomes que compõem o tal conselho.
É a brigada do reumático.
Eles, sim, frouxos e fanfarrões.
Aqueles mesmos que, propalando que temos de manter os nossos jovens quadros dentro do país, se grudaram às cadeiras do poder e gritam “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.
Pobre país!
Também já se ouviu “pintelhos” e já se viu um deputado a tentar dar uma de Angus Young…
A cultura da sociedade atual é preocupante. Parece que alguns andam a brincar aos comentários e não estão interessados em mais nada. O que fazemos deve ter um objetivo prático. Fico a pensar o que pretendem alguns com os seus comentários.
O 25 de Abril não se fez para isto e parte ficou por fazer. Mas alguns não perceberam ainda que parte ficou por fazer.
É uma chatice o tempo passar, conclui você.
Há meio século devia viver melhor.
Uma triste peça circense. Num debate intitulado por “Estado da nação”, os nossos maravilhosos políticos queimam uns 15 min nesta discussão ridícula.
Seria de esperar (já não espero porque já não acredito nesta gentalha), que fossem discutidos os problemas do país e apresentadas as respetivas soluções mas, ao invés, tomaram por mais importante esta fantochada. No fundo como nada têm para propor têm de arranjar não assuntos para queimar o tempo do debate. Simplesmente vergonhoso!