O ‘apagão’ de Queiroz


Patrícia Reis,

 

Carlos Queiroz, que foi levado aos ombros pela "opinião" desportiva nacional quando Gilberto Madaíl decidiu pô-lo no lugar de Scolari, recolocou a selecção portuguesa de futebol no trilho das "vitórias morais". Com opções tácticas inexplicáveis (chegou a fazer alinhar três defesas centrais, jogou parte do desafio sem ponta de lança), uma absurda escolha do onze inicial (se Deco estava em condições de jogar, por que motivo só entrou no terço final do jogo?) e a habitual falta de ousadia que o caracteriza, o "professor" tão celebrado pelos crânios da modalidade viu esta noite a sua equipa rubricar mais uma exibição medíocre contra uns suecos medianíssimos, no estádio do Dragão. Resultado: zero a zero. Há quase trezentos minutos que Portugal não marca um golito nas balizas adversárias, o que constitui um perfeito retrato desta "era Queiroz". O que falta na selecção? Quase tudo: motivação, acerto de pontaria, espírito vencedor. Sobram os habituais cálculos aritméticos de última hora e o fado choradinho dos "quatro penáltis não marcados" com que o seleccionador, bem à portuguesa, se desculpou na sequência deste fruste empate caseiro com sabor a derrota. Houve lenços brancos no estádio. Vieram a propósito: bem podemos dizer adeus ao Mundial da África do Sul.

Era a noite em que os ambientalistas planetários nos tinham aconselhado a apagar todas as luzes entre as 20.30 e as 21.30 – à hora do jogo, portanto. Penitencio-me desde já: devia ter-lhes dado ouvidos. Antes esse apagão do que o outro, que aconteceu no estádio.

12 comentários em “O ‘apagão’ de Queiroz”

  1. Carlos Queiróz é demasiado brando, “pede por favor” em vez de “exigir”; tem demasiada “pedigree” quando devia ser mais “rafeiro”!
    Carlos Queiróz andou todo este tempo como aquele caçador que, apontando a arma a um pombo disse: – Ah… se eu este mato, faltam-me três para quatro!!!

  2. Ainda não tinha visto Queirós assim tão mau. Nunca gostei de Scolari, mas Queirós tem vindo a piorar de jogo para jogo. As asneiras são tantas que nem sei onde começar.

    Mas deixo uma: Manter a braçadeira de capitão em Cristiano Ronaldo. Depois das declarações dele, quando que disse que se todos fizessem o mesmo Portugal era campeão do mundo, não me parece que tivesse condições para se manter capitão. Alguém imagina Figo a dizer aquilo? Ou qualquer outro capitão digno do nome?

    1. Cristiano R nunca deveria ter sido capitão da selecção. E este conceito subjectivíssimo de “a todo o momento só jogam os melhores”, decretado por Queiroz, não funciona com este género de jogadores: é indispensável haver uma equipa-base. Vendo bem, aquilo não é uma equipa: é um albergue espanhol. CR só fala como falou porque existe uma falta de liderança natural na selecção…
      Também eu, João André, não tinha visto a selecção Queiroz jogar tão mal. E o pior não é isso. O pior é antever desde já que o próximo jogo será pior ainda.

      1. Concordo com a afirmação sobre essa do “jogar os melhores”. Scolari era 8 (jogavam só os dele) e Queirós o 80 (só “os melhores a cada momento”). Será que custa muito estabelecer meios-termos?

        PS – Duda parece-me ser uma boa alternativa apra lateral-esquerdo, o problema é que acaba por não receber rotina no seu clube.

  3. Dizem-me entendidos que Portugal não jogou mal. Dizem-me entendidos que o CR só fez asneiras…
    Mesmo tendo presente o que o S. Ballesteros dizia sobre a sorte, o elemento “alea” está presente no jogo de futebol.
    Só me aborrece que uma abordagem menos básica e menos alienada e alienante do que estavamos habituados, não vingue.
    :))

  4. Meu caro amigo Pedro Correia,
    após uns dias em Barcelona retomo as lides blogosféricas e a fazer “zapping” pelos textos do “delito de opinião”, leio mais um texto sobre a era “Queirós”.Temos visões diferentes sobre Scolari vs Queirós e já debatemos várias vezes essas divergências noutras alturas, mas estamos de acordo relativamente aos factos desta campanha, como tal também sou daqueles que estão desiludidos, mas não peço a “cabeça” de Queirós.Dar tempo ao tempo e acreditar que o trabalho vai dar frutos, veja-se a questão da equipa B.
    Infelizmente em realção ao futuro do futebol e tendo como base a minha vivência pessoal, penso que estamos a andar para trás, fica o convite para ler este texto e meu comentário: http://vilaforte.blogs.sapo.pt/131468.html#comentarios

    abraço

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