O apogeu do ofendido


Pedro Correia,

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Sinal dos tempos: um comediante que ganha a vida a fazer humor perde a cabeça e agride um colega de profissão, em pleno palco, com mais de 15 milhões de pessoas a assistirem à cerimónia, só nos Estados Unidos. Não contente com isso, desata a injuriá-lo aos gritos. Qual o crime cometido pelo colega? Uma piada inócua sobre o visual da mulher do agressor, que se sentiu ofendido.

Tudo isto na chamada «noite dos Óscares», em que a indústria do entertenimento norte-americana se homenageia a si própria numa gala anual que congrega vedetas milionárias do sector –  várias das quais construíram as respectivas carreiras com piadas muito menos inócuas do que esta que motivou a agressão. Se cada visado nessas graçolas respondesse da mesma forma, haveria um cenário de violência generalizada e compulsiva: toda a indústria andava à tareia.

 

Aqui o mais preocupante é o retrocesso que representa na liberdade de expressão. O lote de temas interditos vai aumentando, com o aplauso dos basbaques. Fazer uma simples piada, seja sobre que assunto for, logo provoca ondas de indignação das facções tribais que se sentem atingidas – pelo sexo, pelo género, pela orientação sexual, pela pigmentação da pele, pela etnia, pela religião, pelo sotaque, pela filiação clubística ou pelas características físicas ou psicológicas. 

«A liberdade de odiar jamais esteve tão descontrolada nas redes sociais, mas a liberdade de falar e de pensar nunca esteve tão vigiada na vida real», sublinha a escritora francesa Caroline Fourest, colaboradora do Charlie Hebdo, num estimulante ensaio intitulado Geração Ofendida – Da polícia cultural à polícia do pensamento (tradução minha, pois a obra ainda não existe em português).

Agora qualquer ofendido é levado em ombros, justificando o silenciamento dos supostos ofensores. «Nos Estados Unidos, basta a palavra “ofender” para que uma conversa seja apagada», observa Caroline Fourest, sublinhando: «As sociedades contemporâneas puseram o estatuto de vítima no posto mais elevado do pódio.» 

 

Que o amor à liberdade está em retrocesso acelerado é algo que se comprova nas redes sociais pelas reacções de generalizado aplauso ao agressor, Will Smith, nas últimas 24 horas. Aplausos até daqueles que desatariam aos gritos, denunciando o suposto carácter «racista» do incidente, se o humorista negro Chris Rock tivesse sido esbofeteado por um colega de pele mais clara em idênticas circunstâncias. 

Pouco antes, numa das mais apolíticas cerimónias de distribuição de estatuetas da última década, a vasta plateia tinha mantido meio minuto de silêncio em homenagem às vítimas da brutal agressão russa à Ucrânia.

Triste simbolismo o daquela noite no Teatro Dolby, em Los Angeles: minutos depois, fazia-se ali a demonstração prática de que a violência física é o método mais recomendável para a resolução de conflitos. E triste recado ao mundo vindo da chamada América «liberal» – tão rendida afinal aos expedientes das autocracias, tão transparente nesta crescente aversão à liberdade.

91 comentários em “O apogeu do ofendido”

  1. Muito bom. A única coisa boa que podemos daqui tirar é que os maluquinhos das modas woke, cancel cultura, politticamente corretos, gender iguality , lgbt etc acabam por se canibalizar entre si. HOLLYWOOD é um zumbi. Aquela malta acredita que são uma elite de iluminados mas na verdade quando lhes cai a máscara, eles são apenas deploráveis.

  2. Se vamos admitir que há liberdade sem limites, porque é que limitam a minha liberdade?
    Porque é que me obrigam a andar com um trapo na boca e não me dão a liberdade de escolher?
    Ou a liberdade não se aplica a uma ditadura sanitária?
    O que se passou com o Chris Rock terá sido um atentado à liberdade ou uma reacção à ofensa?
    Quando uma piada aborda temas sensíveis é sempre difícil fazer a separação entre o riso e o gozo.
    É possível fazer rir sem ofender nem humilhar, basta que ao fazer a anatomia da piada, esta não se torne pessoal e seja genérica.
    Neste momento preferia ter a liberdade de levar uma chapada do que ser obrigado a andar de máscara até dia 18, pelo menos a liberdade de expressão era muito melhor.

    1. Todas as piadas abordam temas sensíveis.
      Caso contrário, não haveria sequer piada. E o sentido de humor seria considerado delito inscrito no Código Penal.

      Vai fazer piadas sobre o quê? As estrelas no céu, os malmequeres no prado e as andorinhas nos beirais dos telhados?
      Não por acaso, os humoristas são sempre os primeiros alvos dos regimes totalitários.

      Caminhamos rapidamente para uma interdição geral do humor devido à imensa legião de ofendidos.
      Qualquer dia, contar uma anedota só na clandestinidade. Seja sobre anões, alentejanos, louras, adeptos do Benfica, o Samora Machel, o Jorge Jesus, a Graça Freitas, sei lá que mais.

      1. Há piadas e piadas. Há umas que promovem o riso, há outras que provocam o bulling. Saber essa diferença distingue o profissional do amador.
        Uma piada não fica com mais piada se lhe juntar uma dose de ódio. Não pode valer tudo.
        Que sentido é que faz fazer uma piada sobre uma pessoa com cancro só para fazer rir meia dúzia de pessoas saudáveis?
        Penso que se está a confundir liberdade com libertinagem, ou com falta de respeito pelo sentimento dos outros.

        1. Você parece o Salazar reencarnado, caramba.
          (Excepto essa alusão ao “bulling”, pois o homem tinha ao menos a virtude de não escrever em ‘amaricano’.)
          Também ele se escandalizava imenso ao ver confundir «liberdade com libertinagem»…

          E por falar em libertinagem: que termo tão adequado, atendendo a que isto se passou na libertina Hollywood…

          1. Com o sentido de humor que brota aqui no “Delito”, defender a liberdade de uma piada é só mesmo para dar vontade de rir.

            1. Sentido de humor, contra todos os monolitismos, contra velhas e novas censuras e em defesa intransigente das liberdades.
              Começando obviamente pela liberdade de expressão.

            2. Estou de acordo consigo mas tem de ser sem máscara.
              Obrigarem-me a usar máscara fico com uma falsa sensação de liberdade.

            3. A melhor e única forma de se manifestar contra uma piada, é simplesmente não rir.

            4. Estava a representar, que ele é mesmo bom actor. Aquele coice foi de um verdadeiro animal.

          2. California. Certa vez uma voz amiga avisou-me: “aqui na California podes matar uma pessoa em Tribunal, em frente ao Juiz. Arranjas um advogado e estás safo. Mas há uma coisa que não queres nunca fazer, meteres-te com o fisco daqui”.
            Tirando, quiçá, o exagero, acrescentaria: talvez, a não ser que o teu nome de família seja Biden. A ver vamos.

  3. O Pedro Correia tem a certeza de que a cena não foi toda ela encenada?
    Recorde-se que estamos a falar da indústria cinematográfica americana, que é perita na encenação de cenas de pancadaria.
    A mim parece-me claramente que aquela bofetada não foi real. Foi fingida.

    1. A bofetada foi real. Pareceu fingida porque o “ofendido” começou por rir-se da tal piada, aliás como grande parte da audiência.
      A propósito, a graçola foi esta:
      «I can’t wait to see you in ‘G.I. Jane 2′.»

      Alusão ao filme ‘G.I. Jane’, interpretado em 1997 por Demi Moore (de cabelo rapado) integrada numa força militar.
      Pormenor que merece ser assinalado: a mulher de Will Smith, Jada Pinkett Smith, também é actriz.

      1. Foi real.
        Will Smith já pediu desculpas ao Chris Rock no Instagram. Acho que não devia porque se um homem não defende a mulher só pode ser viado.

        Rita Melo

  4. Repudio igualmente a atitude de Will Smith.
    No entanto, e sem conhecer a piada, brincar com a doença de alguém devia ser realmente tabu. E isto não é uma modernice politicamente correcta, sempre foi assim.

    1. Aqui há uns anos, não muitos, um javardo que se dedica a dedilhar alarvidades fez uma alusão grosseira e alegadamente piadética à «cabeça rapada» da mulher de Pedro Passos Coelho que já na altura se encontrava gravemente doente, com um cancro em fase terminal, tendo falecido pouco tempo depois.

      Este javardo transformou-se num herói do Twitter por bacoradas como essa, em que é reincidente.
      Alguns dos que o aclamaram talvez agora aplaudam a atitude “cavalheiresca” do Will Smith – que aliás começou por rir-se da piada do colega de profissão, como toda a gente viu.
      Imagino o que diriam se, à época, Passos tivesse reagido como o oscarizado actor se comportou agora.
      Bradariam de indignação, chamar-lhe-iam de fascista para baixo. Tenho a certeza.

      Acontece que todos os envolvidos nesta história da gala dos óscares são actores. E os dois homens têm longa carreira precisamente como comediantes na indústria que os fez milionários.
      Agirem como virgens ofendidas é a última coisa que alguém deveria esperar de qualquer deles.

      Smith, se afinal tanto se ofendeu com a graçola que inicialmente o fez rir, teria sempre a opção de abandonar a sala – ou qualquer outra atitude, excepto a que fez.
      Assim pretendeu legitimar duas coisas inaceitáveis: a censura à liberdade de expressão e a resolução dos conflitos por métodos violentos.

      Entretanto, com cenas como estas, a lista dos temas interditos vai aumentando na democratíssima América. Até um dia destes ser indistinguível de uma ditadura.

        1. Se usassem o método Will Smith, os ofendidos, em vez de recorrerem à justiça, teriam optado pela «acção directa». Com o aparente aplauso de certas claques nas redes sociais.

          Mas se chamar «palhaço» ao Presidente da República, como concluiu o Ministério Público em 2013, se enquadra no direito à liberdade de expressão, creio que esses processos terminarão com absolvições – designadamente o primeiro, havendo já abundante jurisprudência na matéria.
          https://www.publico.pt/2013/07/02/sociedade/noticia/mp-arquivou-processo-de-cavaco-contra-miguel-sousa-tavares-1598996

          Se “javardo” configurasse crime, mais valia termos a velha censura de regresso, pronta a apascentar este doce povo.
          Em qualquer fase do processo, no entanto, o arguido pode substituir voluntariamente “javardo” por “palhaço”, com a certeza antecipada da ilibação.

          1. Espanto-me que Sérgio Conceição não tenha utilizado o método Will Smith neste caso, uma vez que é especialista. Seja como for, uma condenação a Seixas da Costa é impensável e intolerável. Tínhamos que condenar 10 milhões de adeptos de futebol que se apelidam de “javardos” semanalmente. Aliás, reconhecer mérito à causa já é preocupante, digo eu.

            Já o segundo, que não sei se tem acompanhado, é muito, mas mesmo muito mais complexo. Digamos que a charlatanice é muito sedutora e tenho a sensação que, quanto mais títulos académicos, mais permeáveis algumas pessoas se tornam a certos tipos de charlatães.

      1. O meu namorado não leva desaforo para casa e eu bem o trocaria senão me defendesse de bocas javardas. Grande homem o Will Smith.

        RIta Melo

        1. Escrever em brasileiro já é uma tragédia em si mesmo, quanto mais se for um macho a fingir que é uma fêmea.

      2. Não trate assim o javardo, que ele é quem escreve as “piadas” do humorista do regime (ou melhor, um de vários, daqueles que em 2011 não falavam do Sócrates em e 2022 ainda falam do Passos).

      3. Quanto à reacção de Will Smith, estamos perfeitamente de acordo, Pedro.

        Quanto à piada, que eu ainda não conhecia, mas o Pedro pôs num comentário anterior, bem, realmente, não a acho propriamente ofensiva. Porém, nunca se sabe como uma doença, grave ou menos grave, actua no foro psicológico de cada um. Mas a atingida é que deveria reagir (saindo da sala, apresentando um protesto, ou coisa assim). A reacção de Will Smith é lamentável, sem dúvida.

        1. Cristina, se esta piada era ofensiva não se entende – de todo – por que motivo Smith começou a rir-se com ela.
          Mais: metade das piadas ditas nas noites de Óscares do último quarto de século, pelo mesmo critério, seriam igualmente ofensivas.
          E foram, sem dúvida. Só que hoje há muito menos tolerância para aceitá-las. O que é preocupante.

          Este nem parece o mesmo planeta em que há uns anos meio mundo gritava «todos somos Charlie».
          Então o direito à blasfémia deixou de existir?
          Caricaturar Maomé e criticar Alá já merece punição severa?
          Se fosse hoje o António que fez uma polémica caricatura para o ‘Expresso’ com o Papa a usar um preservativo no nariz deveria ser esmurrado por católicos ofendidos, copiando o exemplo do senhor Will Smith em defesa da sua dama?

          Incomoda-me muito ver que a liberdade de expressão está em recuo acelerado mesmo no chamado ‘mundo livre’ de que ainda fazemos parte.
          Incomoda-me também que alguns dos que militam nessas restrições sejam actores e comediantes e humoristas e caricaturistas mais papistas que o Papa, em prática assumida da autocensura.
          Estes tinham obrigação acrescida de pugnar pela liberdade sem restrições (incluindo a liberdade de ofender, sim) excepto quando seja condicionada ou revertida por expressa decisão judicial.

        1. Claro, o Neo-Marxismo em voga precisa de diferenças para os seus evangelistas se auto promoverem.
          Se não for a cor pode ser por você viver no segundo andar e outro tipo viver no quarto.
          E conforme convier ao evangelista você pode passar de opressor a oprimido…e voltar a ser opressor.

  5. A violência nunca é o melhor caminho. E é um mau exemplo, sobretudo se, como no caso, meio mundo assiste. Mas as piadas devem ser cuidadosas e esta parece-me de mau gosto, a senhora não sofre de uma doença que faz cair o cabelo? Tinha que brincar com isso? Note-se porém que nada justifica um murro em directo. Que excesso de protagonismo.

    1. Qualquer piada ofende sempre alguém. Que o digam os nossos humoristas, do Herman José ao Ricardo Araújo.
      O sentido de humor, a ironia, o sarcasmo têm alvos direccionados.
      Começar a pôr barreiras e levantar muros ao humor, enumerando listas intermináveis de temas proibidos, é instaurar a censura.
      Tornando indistinguível a liberdade e a ausência dela.
      E justificando regimes como o de Salazar, dotados de “censura prévia” para evitarem melindrar seja quem for.
      Ou regimes como o de Putin, onde os humoristas acabam na prisão, no exílio ou envenenados.

    2. É engraçada a aplicação da adversativa “mas”. Dava uma tese de doutoramento engraçada(e se calhar já deu várias perdidas por aí nas bibliotecas universitárias) o estudo sobre como os seres humanos utilizam o “mas”, em que contextos e porque o utilizam nuns e noutros. Uma coisa é certa, todos andamos temos um “mas” debaixo da língua pronto a disparar a qualquer momento, quando nos convier melhor.

      Veja-se este caso: “A violência nunca é o melhor caminho, mas…” A aplicação do “mas” neste contexto tanto pode levar a um diálogo construtivo, como ao fim do mundo.

  6. As gerações de hoje são muito agressivas e violentas, não tenho qualquer dúvida e as estatísticas assim o provam.
    Mas lembro de um episódio na formula 1 nos finais da década de oitenta e no auge da rivalidade de Nelson Piquet e Nigel Mansell pilotos de excelência em que o primeiro diz que Mansel tem duas mulheres feias: uma era a esposa e a outra a estatua da mulher que ele mandou fazer no jardim. A resposta de Mansell foi não dar importância praticamente nenhuma as palavras de Piquet.

    1. Há também a célebre história do Gabriel García Márquez, esmurrado pelo Mario Vargas Llosa por teria «feito avanços» em relação à mulher deste.
      Eram grandes amigos, aliás com grande cumplicidade literária, e nunca mais se falaram depois disso.
      Aconteceu uma cena muito semelhante entre dois escritores portugueses, ambos já falecidos. Pelo mesmo motivo.
      Em qualquer dos casos, os agredidos foram ao tapete. E nenhum deles apresentou queixa junto das autoridades.

  7. Não vi esta edição dos Oscares. Vi no ano passado e odiei. Vi os vencedores e, como já esperava, venceram os politica e socialmente correctos. Vejam bem que só fiquei a para do bofetão pelo post do jpt! Está claro que às tantas da noite ainda arranjei um tempinho, porque a curiosidade espreme sempre uns minutos extra, mesmo que se esteja a cair de sono.
    Não entendi. Não houve fair play. O Will Smith , que é um COMEDIANTE e um desbocado também, não soube encaixar uma piada! ou continuou a desempenhar o seu papel de King Richard e entrou de mão em riste em defesa da sua mulher que só ela já fornece um belo enredo para uma True Hollywood Story?
    E depois… pediu desculpa?
    Não entendi .

    1. Parece-me óbvio que o Sr. Smith estava grosso (ou a caminho). Não sei se é desculpa, se é agravante, mas é estranho que ninguém fale nisto. E, depois, o ridículo arranjo da sala pôs um quase ao colo do outro (e a informalidade tem o seu preço, nestas coisas, um pouco de distância recomenda-se). Por fim, parece provável que haja uma “estória” a ligar aqueles três, porque a piada, para quem vê estas coisas, é especialmente inócua (acrescendo que a Sr.ª Smith é mais gira de cabelo rapado do que a maioria das gadelhudas que estavam na sala). A empatia do público com o Sr. Smith é lamentável, mas é compreensível, porque, tal como o Ventura, imagino que a maioria dos que ali estavam sentados já quis dar uma boa galheta nos tipos que fazem humor à custa deles (para meu deleite, que não me canso de ver o Ricky Gervais nos Globos de Ouro – que pela bitola de ontem, teria sido esventrado com um Montblanc). E espero que o continuem a fazer, porque “Hollywood” e as suas “estrelas ” são o mais patético exemplo da mistela indigesta entre a pura ganância dos grandes conglomerados e a “boa consciência” da “esquerda woke”, que só merecem mesmo troça.

      1. Lá por ser negro não quer dizer que estava grosso. O problema é que a piada era muito boa e assediava a mulher do Will Smith que se sentiu incomodada com o riso do seu próprio marido que quis disfarçar a coisa com uma galheta no Chris Rock.

        Antunes

        1. Devo ser muito denso, porque não percebo a origem da tese “Lá por ser negro não quer dizer que estava grosso”. O que é que a cor da pele tem a ver com a embriaguez? Quase todos os indivíduos que vi ou vejo grossos, inclusive em “contextos formais”, são brancos (tal como sou eu – tendencialmente – que já estive grosso – tendencialmente – algumas vezes). Acho que ele estava grosso, porque, antes do “incidente” ele estava (e continuou) espojado na cadeira, se ria (e continuou a rir) à parva, subiu e voltou do palco numa passada hirta (típico do grosso que tem medo de se estender), e quando insultou o outro o fez com voz arrastada de quem já bebeu uns copos a mais. Ah, e claro, seja a chapada, seja a choradeira e as baboseiras repetidas várias vezes que proferiu no discurso de aceitação são típicas de que está afectado pelo álcool. Só faltou mesmo abraçar o Chris Rock e fazer juras de amizade.

  8. Uma não notícia ( dois negros ao estalo ) que só tem eco numa sociedade infantilizada, domesticada e imbecilizada…
    JSP

    1. Interessa nada a cor da pele dos intervenientes excepto para os intolerantes da tribo woke que adoram estabelecer teorias racialistas relacionadas com tudo quanto mexe e os intolerantes do segmento oposto.
      Aliás aqui não houve duas pessoas “ao estalo”. Houve uma que agrediu outra, cometendo um crime público.

  9. A profissão de comediante começa a ser de alto risco. Não sei bem o que isto diz do caminho que estamos a trilhar enquanto sociedade. O Chris Rock foi o verdadeiro herói da noite.

  10. Há uma boca foleira no Brasil que resolve e simplifica estes tipos de incidentes:
    “Eles são branco sintende”

      1. Será que eu posso chamar preta à “minha” branca? Claro, sem ela saber, muito menos imaginar, é que já vivi na Guine-bissau, quando era mais jovem e lia livros do Eça.

  11. The Guardian

    “White outrage about Will Smith’s slap is rooted in anti-Blackness. It’s inequality in plain sight”

    Get with the program.

  12. Eu acredito que o Will Smith se encontre numa situação estranha, e que se cochiche por toda a mexericosfera sobre o não casamento, e etc. e que não deve ser nada fácil. Mas caramba, ele riu da ” piada” , que nem maldade tinha, até a senhora mostrar uma cara de enjoada! Só aí é que lhe deu o click do defensor.
    Já circula pela net uma foto com o Presidente da massacrada Ucrânia ao telefone com o Will Smith, apenas para lhe contar o que o Putin anda a falar sobre a sua mulher.

  13. Eu ainda pensei que fosse encenação, mas não. Apesar de tudo, a reação furibunda de Will Smith deu algum salero a uma cerimónia que mais não é hoje em dia do que um pró-forma. Não é bonito, mas sempre se viu alguma coisa autêntica no meio de todo aquele ambiente postiço (claro que se o Will tivesse aplicado um soco a sério, e não um estalo, logo ele que já interpretou Cassiu Clay/Ali com nomeação para aquela cerimónia e tudo, eu já não devia estar a dizer isto). E ainda havia de ganhar a estatueta, imagine-se.

  14. Tantos séculos volvidos, e a lei de talião mantém-se o alicerce da civilização:
    As palavras rebatem-se com palavras.

      1. Então mas o estalo do Will Smith não é o exemplo perfeito da liberdade de expressão em linguagem gestual?
        Onde é que estavam os defensores da liberdade de expressão quando os médicos andavam a ser perseguidos por escrever artigos de opinião?
        Por acaso até é caricato, em Portugal as pessoas são obrigadas a andar amordaçadas, mas ficam indignadas com a falta de liberdade de expressão no outro canto do mundo.
        Está tudo louco, só pode.

        1. O estalo não é “liberdade de expressão” coisa nenhuma.
          É um crime. Como seria um murro ou um escarro.
          Crime agravado por ter sido cometido em local público, visionado por milhões de pessoas, perante a passividade total da organização da festa e com uma impunidade chocante.
          Se a moda pega, toda a gente passa a solucionar conflitos deste modo. Encerrem-se os tribunais.
          No limite, e numa escala muito maior, faça-se como Putin fez com a Ucrânia.

  15. nice , devemos todos então ter permissão para vomitar piadas de mau gosto e ofensivas ? avanço civilizacional e peras.
    gostava que o RAP tivesse gozado em público com a careca da mulher do passos coelho para depois ler a opinião do Pedro.

    1. De uma admiradora do Putin só pode esperar-se isto: a apologia da violência para a resolução dos conflitos e para a supressão da liberdade de expressão.
      Se estivesse no Irão, andava de véu posto e a tecer hossanas aos aiatolás, bradando contra as blasfémias «ofensivas para Alá».
      O respeitinho é muito bonito.

  16. A culpa disto é dos realizadores modernos. Dantes, para as cenas de violência recorria-se à arte da simulação; mas hoje em dia os filmógrafos só se contentam com a máxima autenticidade: actores sem duplos, porrada a sério, sangue humano e balas verdadeiras…

      1. Esse daqui a pouco vai andar a dizer que também só queria dar uma bofetada no comediante da Ucrânia, depois deste ter feito umas graçolas com a NATO…

  17. Uma piada para o ser acaba sempre por atingir alguém. Mas o sentido de humor parece estar em em vias de extinção.
    Não me parece que a piada tenha sido ofensiva, uma piada normal entre actores e com referência a um filme. Os visados até se riram! Tudo é um fingimento. E tem razão nos limites crescentes à liberdade de expressão pelas “cabeças pensadoras” detentoras das verdades.

    1. Olho para a cúpula moscovita e não vejo uma só mulher. Nem um gajo a revirar os olhos. Parecem robôs em veneração ao chefe.
      E questiono-me quantas vidas não teriam sido poupadas se houvesse mulheres naquele círculo do poder no Kremlin.

      1. Há mulheres muito cruéis e dizem que as carecas são as piores. Se a Rússia tivesse uma czarina e o Will Smith fosse russo a estas horas já não tinha tomates.

        1. No círculo do poder em Moscovo não há mulheres. Nem uma para amostra. Só homens de «barba rija», como diz um dos papagaios do Putin que tem ido à televisão portuguesa entoar hossanas ao ditador russo.
          Eles dizem detestar ‘gays’, e até têm legislação demonstrativa disso, mas põem as mulheres à distância.
          Qualquer coisa não bate certo.

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