O assombroso poder da natureza


Pedro Correia,

Uma digressão à Terceira ficará sempre incompleta sem uma visita ao Algar do Carvão, situado na cratera de um vulcão adormecido na Serra do Murião, freguesia de Porto Judeu. Resultante de erupções iniciadas há mais de 400 mil anos.

Algar, palavra derivada do árabe para significar caverna, é uma gruta natural com abertura vertical, formando a boca de um abismo. Esta inicia-se com uma chaminé vertical subterrânea de 45 metros de altura. Terá sido observada pela primeira vez no final do século XIX, mas só em 1963 tiveram aqui início visitas organizadas que desde então atraem gente de todo o mundo.

Descemos quase 100 metros numa escada em pedra. À chaminé segue-se uma rampa com 18 metros de desnível. Depois, nova vertical. Aí já perdemos de vista a boca do algar: observamos formações únicas de estalactites de sílica que se devem às lavas basálticas ali depositadas durante milénios após várias fases eruptivas.

Está classificada, sem favor algum, como monumento nacional regional: é uma cavidade vulcânica com magníficos cenários naturais, documentados nestas fotografias que captei na minha descida ao Algar.

Culmina numa deslumbrante lagoa de águas límpidas que chega a atingir 400m² de superfície a partir de infiltrações pluviais, bem evidentes. Na parte mais profunda, em anos muito chuvosos, forma um poço de 15 metros.

Quando regressamos à superfície, sentimo-nos incapazes de articular palavras, em sinal de recolhimento e respeito. O Algar do Carvão é muito mais do que atracção turística: é uma lição viva de ciência natural. E um exemplo evidente da pequenez humana face ao assombroso poder da natureza. 

2 comentários em “O assombroso poder da natureza”

  1. Sabia da existência do Algar, mas não o supunha tão vasto. Na primeira fotografia que nos trouxe, com figuras humanas, a relatividade entre o tamanho destas e da caverna torna-a deveras impressionante.

    E vejo que está a levar mesmo a sério o seu objectivo de conhecer uma ilha de cada vez… a fundo, eheheh.

    1. Eheheh. Tinha mesmo de vir aqui, tantas foram as referências que me fizeram. E gostei muito, como se nota no texto, que regista uma estreia absoluta: nunca tinha visitado a cratera dum vulcão.
      Felizmente adormecido…

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