Bastou Francisco Louçã admitir um eventual apoio do Bloco de Esquerda a uma candidatura de Manuel Alegre à presidência da República para enfrentar a contestação interna.
Os fundamentalistas da esquerda caviar continuam sem perceber que sem Louçã não valem um caracol. Incapazes de se adaptarem aos tempos modernos, persistem na adulação de experiências falhadas, saudosos de Enver Hoxha e do comunismo albanês, ou fazendo reverências a Mao, com aquele ar patético dos inebriados.
Elegem os comunistas como inimigos, vêem um socialista como um proto-fascista, incendeiam plateias com discursos bem estruturados, mas caem como tordos nas fileiras do Centrão, onde mais cedo ou mais tarde acabam por fazer a sua carreira política. (Não é verdade, Durão Barroso?).
Esta esquerda vale nas últimas sondagens 11 por cento porque, quando pensam no Bloco de Esquerda, os portugueses vêem Francisco Louçã acompanhado por dois ou três rostos pensantes, lúcidos cultos e com ideias construtivas. Esquecem-se que do Bloco também fazem parte pessoas como Gil Garcia, que apostam num discurso de negação,“bota-abaixista”, basista q.b. para atrair incautos ou jovens em fase política zen.
Os 11 por cento do BE de Francisco Louçã até podem ser estimulantes, mas entregues ao Bloco do Gil tornam-se imprestáveis e passadistas. São um susto! São o rosto da surpresa de Joana Amaral Dias, por ter sido excluída da Direcção.
Há gente no Bloco que adora aparecer em “vernissages”, discutir o futuro do país à volta de uma mesa degustando caviar, mas na hora da verdade, quando é preciso fazer opções, aposta em valores que contrariam o partido onde se inserem.
Um bloquista a apoiar Mário Soares, faz-me lembrar os tempos do Restaurador “Olex”. A política é bem mais do que um slogan publicitário, ou um devaneio de sábado à noite. Joana Amaral Dias já devia ter percebido isso.

Concordo. Se o Gil tivesse tempo de antena e tiver oportunidade fará o BE regressar ao resíduo de onde parece aflorar apenas por nos dar Esperança. Em Louçã há isso. No Gil há ranço.
Bela e avisada posta, caro Carlos.