Também acho que foi deslocada a forma como José Lello se referiu ao carácter de Manuel Alegre. E também acho que Almeida Santos, ao criar a dicotomia "nós" e "ele", denota que o PS já não considera Alegre um dos seus. E também me parece evidente que nada disto teria sido dito se não tivessem o beneplácito do chefe supremo. Mas também acho que a posição que Alegre vem assumindo começa a tornar-se intolerável.
Manuel Alegre não pode estar e não estar no PS conforme lhe dá jeito ou não. Não pode usufruir da vantagem de ser um "histórico" do PS e andar de braço dado com o Bloco de Esquerda, que parece ser o principal adversário do seu partido. Não pode andar a fustigar permanentemente o PS e deixar de ir debater o PS ao congresso ou noutros fóruns do seu partido.
Lendo o Expresso deste fim de semana, vê-se que é o próprio Alegre quem admite que está a esticar a corda até ao limite. A táctica ate pode ser boa, se Manuel Alegre pretende ser candidato presidencial com o apoio de toda a esquerda. Mas, confesso, que tanto tacticismo já me está a criar urticária. Se Alegre é mesmo um caso de gente séria que está a tentar refundar a esquerda à sua imagem, então está na hora de ser consequente e fazer o seu caminho â margem do PS. Ou corre o risco de se tornar igual aos que critica.

Falando de tacticismos, meu caro Joaquim, lanço-te então a seguinte questão: por que motivo o secretário-geral não se deixa de tacticismos e decide expulsar Alegre do PS em vez de permitir que outros dirigente o insultem, talvez na secreta esperança que Alegre saia sem necessidade de ser empurrado?
Eu não estou contra o tacticismo de Alegre e de acordo com o tacticismo dos “outros”. O que pretendo sublinhar, meu caro Pedro, é precisamente que se Alegre não arrepia caminho, acaba igual aos “outros”. Se queres saber, eu acho é que Alegre tem meo (será preguiça?) de dançar sozinho e noutra companhia
Olha que não, meu caro. O Alegre já lidera uma tendência dentro do partido, tem votado vezes sem conta contra a orientação da bancada (e com ele têm votado sistematicamente pelo menos outros quatro deputados). A fracção está criada: Almeida Santos, como bem sublinhas, já interiorizou tal facto. E tudo isto, no fundo, remonta à campanha presidencial de 2006, que acompanhei no terreno, e à forma desastrosa como Sócrates geriu esse dossiê. Nos próximos três meses muita coisa vai acontecer: teremos ocasião de continuar a comentar isto.
Espero que tenhas razão. Aliás, há muio que ando a pedir que tudo se esclareça. No PSD e no PS.
No PSD a história é (ainda) mais complicada. Como se tem visto.
E o desbocado do Manezes acaba por ter razão quando diz que “aquilo” [PSD] já não é uma família…
Ainda gostava de perceber essa tua distinção entre Alegre e os “outros”. Alegre é um deles, há anos e anos.
Pois, meu amigo, mas pelos vistos já não é, atendendo ao que diz Almeida Santos…
Se bem compreendi o que defende o Pedro o Correia é que Sócrates se deveria deixar de tacticismos e deveria expulsar Alegre do PS, ficando este, dessa forma, a salvo de insultos de dirigentes socialistas. Interpretação errada? De certeza. É que a ser verdadeira a questão que lhe colocaria seria a seguinte: aplaudia Sócrates se este expulsasse Alegre?
Claro que não. Entendo que nenhum dirigente político deve ser expulso do partido em que milita por delito de opinião. Por isso critiquei durante anos o comportamento do PCP nesta matéria. Você concordaria que Alegre – militante do PS desde o tempo em que Sócrates andava pela JSD a dar vivas a Sá Carneiro – devia ser expulso?
Evidentemente que não e também não esperava que a sua resposta fosse outra. Só não compreendo porque se questiona “por que motivo o secretário-geral não se deixa de tacticismos…?”
Podem consultar os arquivos. O verdadeiro nome da criatura é Lelo. Nada tem a ver com a família Lello da editora e livraria.
Com ll fica com mais patine…