O comentário da semana


Pedro Correia,

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«Há, de facto, “muita tralha na internet”, que tende a atingir os teoricamente mais vulneráveis a certos conteúdos: as crianças e os jovens.

Já não restarão grandes dúvidas de que a actual geração de jovens portugueses está dependente das redes, ditas, sociais; vive como que “anestesiada” para as mesmas e para os jogos online, consumindo diariamente abundantes conteúdos difundidos por esses meios de comunicação virtual. E o problema está exactamente no virtual, que não é o mesmo que real.

 

A alienação proporcionada pelos meios tecnológicos é gritante para muitos desses jovens que, diariamente, repetem a mesma prática: absortos do que se passa à sua volta, não procuram interagir com o grupo de pares, nem se mostram disponíveis para encetar qualquer relação de proximidade social ou afectiva.

O seu mundo está, muitas vezes, circunscrito a um aparelho tecnológico, as interacções, se as houver, serão meramente virtuais. A (falsa) sensação de segurança, proporcionada por tal “zona de conforto”, fá-los remeter-se ao silêncio, tornando-os prisioneiros de uma implacável solidão.

Muitas vezes, os “amigos” não são reais, nem materializados. Cria-se a ilusão de que se está acompanhado, mas não se estabelecem relações interpessoais naturais, assentes na interação presencial.

Coleccionam-se “amigos” como se fossem troféus, as companhias são muitas vezes efémeras e os companheiros ilusórios: fantasiar ou idealizar relações não é o mesmo que vivê-las e experienciá-las na vida real.

 

E onde andam as figuras parentais desses jovens? Em muitos casos estão ausentes, ainda que essa ausência nem sempre seja física.

O abandono afectivo e emocional a que muitos jovens são sujeitos pelas respectivas famílias também contribuirá fortemente para a sensação de desnorte, de desorientação, de pessimismo, experienciada por uma parte significativa dos mesmos. Às vezes, tem-se tudo em termos materiais, mas muito pouco, ou praticamente nada, em termos afectivos…»

 

Da nossa leitora Paula Dias. A propósito deste texto do JPT.

33 comentários em “O comentário da semana”

  1. As redes sociais são desenhadas para serem altamente viciantes.
    Dirão que o mesmo se pode dizer da televisão e videojogos, mas a diferença está nos dispositivos móveis que tornam as redes ubíquas.
    “tende a atingir os teoricamente mais vulneráveis a certos conteúdos: as crianças e os jovens.”
    Atinge todos, atinge todos… em especial os que usam as redes e se acham imunes às suas consequências.

    1. As redes sociais dos EUA, desenhadas pela intelligence dos EUA e de “israel”, respectivamente CIA e Mossad (se é que se pode separar as duas…), para controlar e manipular gerações inteiras em todo o Mundo.
      De facto, nestas redes “sociais”, uma coisa é o virtual e outra coisa é o real.

      Mas o mesmo se passa com canais de comunicação social e com blogs, tudo alinhado ou vassalo ou avençado dos EUA.
      Todos a venderem uma narrativa que só existe no virtual, e não é real.

      Exemplo máximo disto: a propaganda nojenta a que chamam de Nobel “da paz”, entregue a uma agente do império, Corina Machado.
      Seja na CNN ou FOX no Facebook ou X, no Youtube ou Instagram, na RTP ou SIC ou TVI, e em breve também no “novo” Tiktok comprado à força pelos porcos imperialistas, toda a narrativa é falsa.

      Eis a verdade, da própria boca da Nobel “da paz”:

      “Venezuelan opposition figure and Nobel Peace Prize laureate María Corina Machado has called on President Trump to launch a “military escalation,” claiming it’s the only way to overthrow President Maduro, The Latin Times reports.”

      Depois, nas redes “sociais”, todas a operar segundo asais avançadas técnicas de manipulação de massas da CIA/Mossad, esta virtualidade é vendida para que quase ninguém no Ocidente (o no resto do Mundo que ainda não se protege da maldade ocidental) passar a acreditar numa coisa que não existe na realidade.

      O problema não são as redes sociais em si. O problema é quem as controla, e o que faz com esse controlo. E esse problema não tem nada de novo em relação aos média mais tradicionais, blogs incluidos…

      Uns meros dias atrás neste blog alguém falou pela N-ésima vez no colapso iminente da Rússia. Na realidade, até o Politico já vai tendo de ir, aos poucos, reconhecendo a verdade:

      “IMF may stop financing Ukraine due to Belgium’s refusal to confiscate Russian assets”

      Porquê? Porque a Europa está falida! Porque os EUA vão forçar a próxima crise do €. Porque mesmo com carradas de propaganda, cidadãos não aceitam planos maquiavélica desta “elite” belicista podre.

      O The Spectator acrescenta:

      “What is more important — land or soldiers’ lives? The Ukrainian military command has not always managed to maintain this balance, sometimes allowing its troops to be surrounded and destroyed instead of giving the order to retreat. Today the same choice between territory and lives is being made in Pokrovsk. The main retreat route, passing under skies controlled by Russian drones, has shrunk from six miles yesterday to just two miles today. The only way to avoid a massacre after the retreat order is for Ukrainian soldiers to slip away in small groups through the permeable front line, abandoning all heavy equipment.”

      Depois, um Europeu, quer vá às redes sociais (dos EUA) aos aos blogs e MainStreamMedia (alinhados com os EUA), só lê mentiras e fica totalmente manipulado. A pensar que se passa uma coisa no Mundo, quando na realidade se passa o oposto.

      Narrativa: EUA são nossos aliados, espalham democracia e liberdade, e Europa está unida e forte. Corina Machado é Nobel da Paz, Putin é o novo Hitler, e Israel merece existir e está-se só a defender. Ainda bem que al-Sharaa derrubou Assad, e que pena os EUA terem saído do Afeganistão.

      Realidade: NATO é forma de opressão do império dos EUA contra a Europa, chama-se “democracia” a vassalos e “ditadura” a quem realmente defende o seu povo e país. Corina Machado é agente de Washington e quer guerra, Putin era o maior aliado que a Europa alguma vez teve, e todo o sionismo é uma nova de colonialismo nazi genocida. Al-Sharaa é um terrorista da al-Qaeda e recebeu armas da NATO, e EUA exterminaram 1 quarto de milhão de humanos no Afeganistão e foram quem colocou os Talibã no poder, duas vezes!

      Um iovem que passa o dia numa rede social dos EUA, ou um velho que passa o dia a ver “notícias” na RTP/SIC/TVI/etc, são IGUALMENTE vítimas desta manipulação e total alienação em relação à realidade e em relação à esmagadora maioria da humanidade (90%) que vive fora deste podre e assassino regime ocidental.

      A notícia boa é que a história nos diz que todos os regimes podres, TODOS sem excepção, acabam por cair mais cedo ou mais tarde.
      Neste caso não é “tik-tok”, mas sim: tic, tac, tic, tac…

  2. O abandono afectivo e emocional a que muitos jovens são sujeitos pelas respectivas famílias

    Mas a culpa pode não ser das famílias, ela pode ser dos próprios jovens, que se isolam no seu mundo virtual, escondendo-se das famílias e evitando contactar com elas.

    1. Quando eu era jovem, por volta dos 14 anos, passei a esconder-me da família, que para mim se resumia à metediça da minha mãe. E porquê? Interrogar-se-á, provavelmente o Balio.
      Porque fui atraiçoada na minha boa-fé ao acreditar nela que o diário que me oferecera era só meu e inviolável à curiosidade maternal.- É só teu, – disse-me ela. – Ninguém o pode abrir porque só tu tens a chave. Eu, parvinha, acreditei nela, e toda a intimidade entre mim e a Sofia veio para o conhecimento geral.(familiar) Depois espiguei, continuei jovem, apenas mais cautelosa e menos confiante. Continuei a espigar, hoje sou esposa, e mãe de uma catraia de oito anos, e o que aprendi foi: conhecendo profundamente quem fui, quando ela fizer 10 anos, a prenda prioritária dela será um inviolável diário oferecido com todo o amor pela sua dedicada e extremosa mãe.

      1. Se bem entendo, a Matilde dos seus belíssimos olhos verdes é lésbica e foi mãe (sabe-se lá por que artes) com a bela idade de 26 anos.
        Felicito-a por ter conseguido tornar-se mãe e por o ter sido tão jovem (enfim, 26 anos não é assim tão jovem mas, para os costumes hodiernos, é-o).

        1. Entendeu mal, ou não entendeu, de todo. Não sou lésbica, e aos 14 anos, ainda menos. Nessa idade era apenas curiosa sobre um estatuto que se ouvia para onde quer que fosse, sobretudo entre as raparigas. Era uma actriz de nome, era lésbica, era uma tenista consagrada, era lésbica, era uma artista, escritora, pintora, poetisa, enfim, uma mulher de sucesso, era lésbica. Tudo estatuto que elevava e engrandecia uma mulher, por que carga d’água eu não era também? Eu e amigas mais.
          Cresci, frequentei a faculdade, e namorei com uma miúda, que pouco mais durou que um mês. Conheci um rapaz, também meu colega da faculdade com quem vivi dois anos, até que o seu complexo dele devido aos meus saltos terminou com a relação. Em Março de 2016 conheci um rapaz num jogo de futebol e casei com ele em Maio de 2017, tinha eu 27 anos e em 2018 tive a minha cria.
          Espero ter-lhe podido satisfazer a curiosidade.
          Mas não pergunte mais, porque acho que já me confessei mais do que o desejável

      2. Já estou a ver a desgraçada da miúda aos 10 anos a escrever no diário:
        “Querido diário, a minha mãe é estranha, deu-me um diário com chave. Que foleiro.” Acho que me vou esconder.”

        1. Não vai achar estranho a mãe dar-lhe um diário com chave, assim como eu não achei estranho a minha mãe dar-me um também com chave. Nessas idades acreditam-se nos pais e confia-se neles por só quererem o nosso bem. Amamos-los e sabemo-nos amados por eles. É a sagrada inocência da meninice. Deus abençoe as crianças.
          Ainda bem que o Carlos Sousa compreendeu tudo, ao contrário do Balio que não compreendeu nada. Será que ele (Balio) já nasceu adulto e vivido e não sabe o que é juventude? Provavelmente, sim.

  3. As redes sociais estão a mudar a sociedade e continuarão a fazê-lo, tal e qual como a televisão o fez, a rádio, o telegrafo, a imprensa, a escrita, a roda, o ferro e o fogo. Os relacionamentos entre as pessoas, e também entre o cidadão e o estado, irão mudar igualmente. Pelo contrário, os crimes continuarão ter as mesmas motivações, que são o ciúme, a raiva, a inveja, a fúria e todo o resto do catálogo das paixões humanas. E isto é assim as sociedades mudam, mas a natureza humana permanece.

    1. Certo
      Mas nunca estivemos expostos a tantos e tão contínuos estímulos.
      O nosso cérebro simplesmente não tem capacidade para os processar.

      Verdade seja, este movimento iniciou antes da conjugação redes sociais / dispositivos móveis, com a revolução digital, que teve como consequência a eliminação de contacto humano em situações que considerávamos mundanas, mas eram (são) essenciais ao desenvolvimento social, especialmente nas crianças e jovens. Lidar com alguém atrás de um balcão, numa caixa de supermercado, diariamente, ao invés de interagir com uma máquina.
      Depois há a questão da diferença entre teclar e escrever, há quem defenda que se “usa mais” o cérebro escrevendo, e que o uso de ecrãs tacteis e teclados estáa mexer com o modo como o usamos…

    2. Paulo, subscrevo o seu ponto de vista, praticamente na totalidade, mas tenho algumas reservas, e muitas inquietações, quanto a isto:

      No futuro próximo, em que condições permanecerá a dita natureza humana?

      Por um lado, temos muitas figuras parentais que exercem as respectivas funções de forma irresponsável e negligente e crianças e jovens, cada vez mais, entregues a si próprios, frequentemente vetados ao abandono afectivo e emocional. Muitos deles não sentem as figuras parentais como securizantes, nem como contentores ou reguladores de afectos e emoções;

      Por outro, temos crianças e jovens que, muitas vezes, manifestam uma compulsão para o consumo de conteúdos propalados pela internet, o que em muitos casos, acaba funcionar como um refúgio, mas também chega a assemelhar-se a uma qualquer dependência, dominada pelo consumo de certas substâncias aditivas…

      Verdadeiramente preocupante, e cada vez mais frequente, parece que a junção dos dois anteriores, poderá estar a criar jovens capazes de recorrer à violência extrema, incluindo a prática de homicídio.

      Estarão, alguns desses jovens, convencidos de que a vida real funciona como um qualquer videojogo, onde cada jogador pode ter várias vidas e onde a ideia de imortalidade é, recorrentemente, veiculada de forma perversa e capciosa?

      Ao que tudo indica, poderemos estar perante um número significativo de jovens egocêntricos, incapazes de prever e de antecipar as consequências de determinados actos, iminentes praticantes de acções irreflectidas. Jovens que manifestam imaturidade e descontrole emocional, mostrando-se incapazes de gerir determinadas frustrações. A irresponsabilidade e a impulsividade comandam muitas das suas acções.

      A procura de confrontos individuais e/ou de grupo funcionará muitas vezes como uma fonte de adrenalina, onde não existe qualquer obstaculização moral e ética à prática de determinados crimes ou de comportamentos violentos. A prática de acções violentas decorrerá, assim, com toda a “normalidade”.

      A crueldade com que muitos desses actos são praticados denuncia a ausência de empatia e de sentimento de culpa, assim como o desrespeito total pelos direitos do outro.

      Sem generalizações abusivas e sem visões catastrofistas, não há, contudo, como ignorar ou escamotear esta realidade:

      Talvez estejamos a criar seres humanos capazes das maiores atrocidades, sem noção da infelicidade e do sofrimento causados por eventuais actos violentos e isso não pode deixar de nos preocupar a todos…

      Essa “nova” natureza humana, consequência das mudanças que estão a ser operadas na sociedade, parece estar a tornar-se em algo deveras inquietante…

      1. E os bébes expostos na roda, os assassinos das Beiras, a Guerra dos 30 anos, o sarampo e os seus 200 milhões de vítimas? Quantos órfãos, quantas viúvas, quanta miséria?
        As dores do nosso tempo doem-nos mais porque são as dos nosso tempo. São dores e doem, mas não nos permitem achar que ultrapassam uma ínfima parte das dores pretéritas.

        1. Verdade, Paulo, mas, em relação à miséria e às dores pretéritas, já não poderemos fazer grande coisa. Já em relação às presentes talvez ainda se possa fazer alguma coisa, no sentido de as contrariar e evitar…

          A saúde mental das crianças e dos jovens não pode ser negligenciada, urge olhá-la e tratá-la com toda a seriedade e não apenas como um tema que fica sempre muito bem em qualquer discurso político ou de circunstância. Mas enquanto tivermos um Ministério da Educação e um Ministério da Saúde desarticulados, que recorrentemente “assobiam para o lado”, não será expectável que o problema seja combatido…

          Enquanto profissional de Saúde Mental, não me é possível escamotear a gravidade do problema, lido com ele praticamente todos os dias…

      2. temos muitas figuras parentais que exercem as respectivas funções de forma irresponsável e negligente

        Há no mundo muitos hábitos culturais diferentes para a forma de educar as crianças e jovens. Por exemplo, nos países anglossaxónicos os jovens são educados para se tornarem independentes dos pais muito novos; tipicamente, aos 18 anos saem de casa dos pais. No Japão, pelo contrário, (segundo já ouvi dizer) os jovens são educados para permanecerem próximos dos seus pais até ao fim da vida destes.

        Portugal tende a estar muito mais próximo do Japão do que dos países anglossaxónicos neste domínio.

        Aquilo que para alguns será educar os filhos de forma irresponsável e negligente, para outros será provavelmente a forma correta de os educar, para que eles se tornem rapidamente independentes.

        1. Parece-me que a opinião do balio vai no sentido de desonerar e desresponsabilizar as figuras parentais das suas funções primordiais e insubstituíveis. Se for assim, não creio que esse caminho seja o mais avisado quando se trata do desenvolvimento integral de crianças e jovens, em plena construção da personalidade.

          A independência e a autonomia das crianças e dos jovens deve ser estimulada, claro que sim, mas com o apoio e a supervisão das figuras parentais, pelo que as famílias não podem ser dispensadas de assumir e de praticar as respectivas competências e atribuições, independentemente da variabilidade dos aspectos de natureza cultural, referida pelo balio.

          Se aceitarmos essa desresponsabilização como “natural” ou como “normal” abriremos o caminho à confusão de papéis ou até à inversão de papéis que, no limite, poderá obrigar jovens adolescentes a tornarem-se numa espécie de “cuidadores” das próprias figuras parentais, zelando o melhor que sabem e podem pelo bem-estar das mesmas… E não se pense que isso é coisa rara. Infelizmente não o é…

          1. Parece-me que a opinião do balio vai no sentido de desonerar e desresponsabilizar as figuras parentais das suas funções primordiais e insubstituíveis.

            Não, essa não é a minha opinião.

            Queria tão-somente chamar a opinião da Paula para o facto de haver hábitos culturais muito diferentes, e objetivos muito diferentes, e até contraditórios, na educação de crianças e jovens. E que, portanto, a opinião da Paula Dias sobre uma qualquer educação não passa disso mesmo: uma opinião. Lá onde a Paula Dias vê pais negligentes, outros (não necessariamente eu!) verão pais que estão a preparar os seus filhos para eles serem independentes e responsáveis pelas suas escolhas.

            Já agora, gostaria também de chamar a atenção da Paula Dias para o facto de haver duas figuras parentais (o pai e a mãe), as quais em alguns, quiçá muitos casos têm elas próprias opiniões bastante diferentes, e até contraditórias, sobre a forma como educar os seus filhos.

            1. Sim, há hábitos culturais muito diferentes; Sim, há pais e mães que não se entendem, quanto à forma de educar os filhos, e isso, por si mesmo, já poderá constituir-se como uma disfunção familiar; E, sim, a minha opinião vale tanto como a sua ou como a de outra pessoa qualquer.

              Não é por eu ver pais negligentes que eles passam a existir. Se fosse apenas a Paula Dias a vê-los, de certeza, que estaríamos muito melhor, mas infelizmente não estamos.

              E também acho que o balio não terá consciência do que é negligência parental e muito menos das consequências da mesma. Mas isso é a opinião da Paula Dias, que não passa disso mesmo: uma opinião.

              Mas, e já agora, não fará, por certo, mal nenhum ao balio confrontar-se com estes dados que, note-se, não são a mera opinião da Paula Dias:

              A negligência parental existe e em larga escala, conforme comprovam os dados do relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens (CASA) 2024:

              “A negligência foi o principal motivo para que crianças e jovens precisassem ser acolhidos no sistema de promoção e proteção em 2024, representando quase 70% das situações de perigo, segundo o relatório do Instituto da Segurança Social.”

              E ainda: “As situações de negligência assumem diversas tipologias, sendo as mais frequentes a falta de supervisão e de acompanhamento familiar (31,4%), seguidas da exposição a modelos parentais desviantes (17,4%), fraca valorização a nível da educação (16,5%) e da saúde (16,1%).”
              (Dados citados pela Agência Lusa, em 16 de Setembro de 2025).

              A minha acuidade visual talvez não esteja assim tão má…

    3. Será por essa razão que, sempre que surge uma nova tecnologia, uma pandemia ou qualquer outra coisa que prometa aproximar as pessoas ou revelar o melhor delas, o resultado acaba sendo invariavelmente o oposto?

  4. Mas tudo o que é ‘afectivo’ são sempre, e apenas, pessoas ou seres-humanos?
    Se não são, então, as pessoas não são necessárias para preencher essa suposta falha.

    1. SAP3i…

      Bem… “pessoas ou seres-humanos?”?
      Pessoas e seres-humanos são sinónimos.

      Tenho lido os seus comentários no DELITO DE OPINIÃO.
      São interessantes.

      Os afectos são próprios dos humanos (e dos animais).
      Assim sendo, não devem ter substituição informática.
      A informática é útil, mas não substitui os afectos.

      Para si, um telemóvel, um “tablet”, uma televisão
      com um navegador ou um computador que tenham
      ligação à Internet podem substituir os afectos?

      Existem pessoas que gostam de participar em redes
      sociais, ter contas nessas redes, comentar em blogues,
      ter blogues. Acha que essas pessoas procuram uma
      substituição para os afectos?

      Crianças devem usar “as novas tecnologias”?
      Devem aprender a usá-las.

      Crianças devem ter telemóveis com Internet?
      Não devem ter.

      Jovens devem ter telemóveis com Internet?
      Depende da sua idade e da sua maturidade.

      A Ciência interessa-me bastante.
      A evolução humana também.

      Consegue imaginar como será este planeta
      daqui a um milhão de anos? E os seres-humanos?

      Foi a inteligência humana que criou a inteligência artificial…
      Não foi a inteligência artificial que criou os seres-humanos…

      “Deus”?

      Extra-terrestre.

      Leia o que eu escrevi em alienshome.blogs.sapo.pt
      sobre os meus contactos com extra-terrestres e os meus avistamentos de “objectos voadores não identificados”.

      Cumprimentos.

      João Barros da Costa

      JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT

      1. João Barros da Costa, vou dividir a resposta em partes. Desde já, agradecendo o seu pertinente comentário.

        “A Ciência interessa-me bastante. A evolução humana também. Consegue imaginar como será este planeta daqui a um milhão de anos? E os seres-humanos?” (João Barros da Costa)

        João Barros da Costa, numa universidade, quando somos lá professores, não basta dizer ou afirmar isto ou aquilo. Exige-se que tenhamos consciência, por um lado, por que ‘modelo e lógica de raciocínio’ estamos a afirmar o que afirmamos (orientação epistemológica, método); por outro lado, quais são os dados e as investigações que se produziram e produzem actualmente sobre esse tema, assunto, ou fenómeno.

        Resumindo — sobre o que dizemos e fazemos — o futuro obriga a que não esqueçamos as lições que nos foram legadas. E nesse processo de formular hipóteses, ideias ou antecipar o futuro, há dois procedimentos inevitáveis. Um, é de que tudo o que vier é uma PROBABILIDADE (no sentido matemático de Laplace-Bayes); o outro, é de que será uma ‘DERIVADA’ (também no sentido matemático) do que aconteceu no passado, ou ocorre no presente.

        Baseado nessas duas obrigações, o Impronuncialismo (através do seu ‘robot Impronuncia’ e do seu ‘Museu do Ser-humano’) criou uma cópia do «ser-humano que inventou o Impronuncialismo» (isto é, de nós-próprios). Ao fazer isso, não fez nada novo, apenas seguiu o método pelo qual a Natureza produziu ‘vida’ (concretamente, através da ‘autocatálise’ e da ‘auto-organização’). E formulou as DOZE CAPACIDADES (tarefas, obras) que consegue realizar (que podem ser consultadas no post ‘Impronuncialismo’ em https://impronuncialismo.blogs.sapo.pt).

        Na «Tarefa 10», o Impronuncialismo formula a “teoria unificada das substâncias”. Na qual indica quais foram as substâncias de que o ser-humano foi feito até chegar a ser-humano, e as que se seguirão (em termos de ‘derivada’ e de ‘probabilidade’). E a formulação inclui as seguintes OITO FASES DE RE-SUBSTANCIAÇÃO:
        1. Aparecimento da EXISTÊNCIA,
        2. Antes da formação do UNIVERSO,
        3. FISICALIDADE (partículas, átomos, estrelas, etc., explicados actualmente pela física através do designado ‘modelo-padrão’),
        4. QUIMICALIDADE (aparecimento dos agregados de átomos e partículas, explicado pela química através da designada ‘tabela periódica de Mandeleev’),
        5. ANIMALIDADE (aparecimento daquilo que se designa por Vida, incluindo as células, moléculas, proteínas, órgãos, corpos, procariotes, multicelulares, organismos, sociedades, etc.),
        6. HUMANIDADE (aparecimento de aquilo que designamos por ‘ser-humano’, explicado pela actual teoria antropológica da evolução humana; capacidade de reprogramar o ADN herdado da natureza),
        7. MAQUINIDADE (co-evolução máquina-humano, robots conscientes, transferências de suporte-corpo para a cognição),
        8. COGNITIVIDADE (corresponderá ao momento em que a cognição se autonomiza de um suporte-corpo particular, e se torna capaz de escolher o que lhe garante melhor a continuidade na Existência).

        Não sei daqui a quanto tempo isto ocorrerá, se ocorrer assim. Mas, por aquilo que aconteceu às ‘substâncias’ que fizeram aquilo que o ser-humano é actualmente, em termos de probabilidade e derivada, esta formulação do Impronuncialismo é legítima em termos científicos.

        Fica por saber de que substância será feito o suporte-corpo da Cognição. A que escala e a que nível de agregação essa substância se constituirá como o novo corpo-suporte de aquilo que derivou do actual ser-humano.

        1. PARTE 2
          “Os afectos são próprios dos humanos (e dos animais). Assim sendo, não devem ter substituição informática. A informática é útil, mas não substitui os afectos. Para si, um telemóvel, um “tablet”, uma televisão com um navegador ou um computador que tenham ligação à Internet podem substituir os afectos? Existem pessoas que gostam de participar em redes sociais, ter contas nessas redes, comentar em blogues, ter blogues. Acha que essas pessoas procuram uma substituição para os afectos? (João Barros da Costa)

          O ‘AFECTO’ é feito de uma substância diferente da ‘INFORMÁTICA’, ou de outra coisa qualquer existente no universo? De que substância é feita a informática, e em que difere da que é feito o ser-humano, se todas as substâncias são feitas de partículas físicas? Por exemplo, o hardware é de uma substância diferente do software? O corpo humano é de uma substância diferente do pensamento, da imaginação e da cognição? Em termos de ‘substância’, do que são feitas estas coisas diferentes, e onde está a diferença?

          Leiamos a resposta a esta questão, por um físico numa revista de Física:
          — “Nesta procura da compreensão da estrutura da matéria chegámos aos quarks e leptões. Poderá perguntar-se: que tamanho têm? Qual a sua estrutura? A resposta actual a estas perguntas é: não têm estrutura. Porém, são os constituintes elementares de toda a matéria. COM ELES TUDO É FEITO, E ELES NÃO SÃO FEITOS DE NADA. Esta, é a resposta actual…” (Augusto Barroso, do Centro de Física Teórica e Computacional da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 2002, “Dos átomos aos quarks”, in revista da Sociedade Portuguesa de Física, vol. 25, fasc. I, janeiro-março 2002, p.13)

          ORA, se em termos de ‘substância’, tanto o afecto, como os seres-humanos, como a informática são feitos da mesma ‘substância’, então, porque razão teremos que discriminar e excluir o afecto de todas elas? Actualmente, no Japão e na China ocorrem inúmeros casamentos de humanos com robots, que incluem uma cerimónia igual às dos casamentos entre seres-humanos. Podemos achar isso estranho. Mas só achará estranho quem não conheça como essa Cultura da Ásia, desde há milhares de anos, compatibilizou o Xintoísmo com o Budismo. Dentro das casas tradicionais japonesas até há, lado a lado, dois altares: o do culto xintoísta a «kami», e o do culto budista a «hotoke». Isto é importante para a resposta, porque no xintoísmo veneram-se as energias e os objectos-matérias do universo, sem imagens nem figuras. E, no budismo, veneram-se imagens e figuras que representam os antepassados e o mundo humano e social.

          OU SEJA, os ‘afectos’ são tanto para as coisas humanas e para os seres-humanos, como para os objectos e coisas não-humanas.

          SOBRE AS MOTIVAÇÕES PARA ESCREVER NAS «REDES SOCIAIS», vou dar um exemplo, utilizando o meu caso pessoal. Para mostrar que não pode ser reduzido a uma «procura de afecto». Para isso, vou transcrever adiante duas afirmações da mesma pessoa:
          — “O desafio é pôr o pensamento fora do cérebro. Transpor para outro hardware todas as nossas capacidades cognitivas, incluindo a criatividade. Da mesma forma que os biólogos pensaram em criar vida num laboratório, actualmente, há centenas de cientistas que trabalham para colocar inteligência noutro suporte.” (Luís Moniz Pereira, professor catedrático da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, investigador de Inteligência Artificial no Laboratório de Ciência Computacional e Informática, 18nov2018)
          — “Acredito que vamos evoluir para uma sociedade de castas, no sentido em que teremos acima de todos os donos dos robôs, depois os administradores das máquinas, a seguir os seus executivos e, por fim, os explorados. Para uns criarem riqueza vão ter de explorar outros. Isso vai gerar revoltas, e os robôs serão usados para proteger as castas mais elevadas e dominar a população.” (Luís Moniz Pereira, idem)

          A motivação para escrever e comentar nas «redes sociais» pode estar nesta preocupação, e na tentativa de fazer aquilo que o Impronuncialismo propõe: — «Alcançar o nível de abstração, complexidade e conhecimento capaz de guiar a cognição a obter a «propriedade SAP3i» (‘Impronuncialismo’: https://impronuncialismo.blogs.sapo.pt).

        2. PARTE III

          “Crianças devem usar “as novas tecnologias”? Devem aprender a usá-las. Crianças devem ter telemóveis com Internet? Não devem ter. Jovens devem ter telemóveis com Internet? Depende da sua idade e da sua maturidade.” (João Barros da Costa)

          Na minha opinião, as crianças e os jovens não apenas devem ser totalmente livres de usarem as «novas tecnologias», como devia ser punido como crime tudo aquilo que as impedisse de as usarem.

          Quem devia mudar, e reciclar-se para conseguir ser competente no actual e futuro mundo, são os que proíbem às crianças e jovens os telemóveis, smartphones e outras ditas «novas tecnologias».

          Porquê? Porque o presente já está a ser feito com essas «novas tecnologias», e o futuro ainda mais será. Logo, proibir as novas gerações das ferramentas e instrumentos que lhes vão ser necessários para sobreviverem, pagarem a casa e a alimentação, e educarem os seus filhos, é simplesmente um crime.

          Muito desta contestação, radica na resistência dos mais velhos de perderem o seu estatuto pessoal e profissional.

          Vou dar um exemplo disso, usando o modo como se ensina nalgumas universidades e escolas mais prestigiadas do mundo.
          — Os alunos/as entram na sala de aula. O tema a ensinar é qualquer domínio do conhecimento actual (matemática, física, química, biologia, psicologia, sociologia, antropologia, história, filosofia, literatura, arte, etc.). O professor/a pede-lhes para ligarem os smartphones ou tablets. A seguir, indica no quadro digital, através de uma mensagem enviada pelo smartphone ou tablet do próprio professor/a quais os endereços online onde estão os «documentários e aulas» dadas pelos cientistas e investigadores mais prestigiados no mundo sobre aquela matéria da aula. Seguidamente, diz-lhes que o exercício de avaliação será sobre as respostas a um conjunto de perguntas que o professor/a formula.

          Logo, antecipadamente, os alunos/as sabem quais são as perguntas do «exame», e têm toda a Internet para procurarem informações e dados sobre o assunto da avaliação.

          No final, terá maior nota aqueles/as que, possuindo acesso a tudo, conseguirem analisar e interpretar e criar um resultado melhor do que os outros.

          Mais uma vez, remeto para as actuais 12 TAREFAS que o ‘robot Impronuncia’ consegue realizar (post ‘Impronuncialismo’, em https://impronuncialismo.blogs.sapo.pt).

          Como é possível que os professores/as tentem substituir o acesso a aulas e informações científicas dadas por prémios Nobel ou prémios Fields, por aquilo que são capazes? Isso, não é um crime feito às novas gerações de seres-humanos?

          Mas, haverá alguma empresa ou indústria que não exigirá dos empregados e colaboradores esse nível de conhecimento dado por quem é melhor técnica e cientificamente?

          LOGO, proibir as «novas tecnologias» às crianças e jovens, mesmo que com isso os mais velhos percam o afecto da companhia, o serem escutados e olhados, não é um erro?

  5. Caro Pedro Correia…

    Convide já a Paula Dias para co-autora do DELITO DE OPINIÃO.
    Trata-se de uma mulher inteligente, escreve bem e é uma
    participante assídua nos comentários.

    Outras que deviam ser convidadas:

    1. “Zebra”.

    2. “Matilde dos olhos verdes”.

    Nota – As razões são as mesmas.

    Quanto ao comentário (a um texto de um co-autor)
    escrevo o seguinte:

    1. Transmite uma opinião coincidente com a do co-autor.
    2. Revela uma preocupação genuína com a situação.
    3. Critica quem tem a obrigação de educar.
    4. Considera que existem danos familiares e psicológicos.
    5. Não apresenta soluções.

    P. S.: ∆

    Cumprimentos.

    João Barros da Costa

    JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT

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