
«Triste figura, a de Ronaldo. Ombrear com um traste medíocre e falso e com um ditador que não hesita em ordenar a execução daqueles que não lhe prestam vassalagem – líder de um país que trata as mulheres abaixo de camelo, confesso de uma religião castrante e fundamentalista. O cartão vermelho a Ronaldo foi duplo. Um grande atleta, um benfeitor em muitos aspectos, mas nesta cerimónia na Casa Branca representou apenas os interesses dele, não os portugueses com vergonha na cara.»
Do nosso leitor João Guimarães. A propósito deste meu texto.

Triste foi Ronaldo dizer na entrevista com o Piers Morgan que admirava o Trump. Ronaldo não tinha necessidade de o fazer, mas fê-lo e foi burro na minha opinião, pois o mundo está cada vez pior com este pseudo presidente intragável sob todos os pontos de vista.
O Trump é um excelente detector de bem-pensantes – mesmo pessoas que à primeira vista pareciam inteligentes e educadas tratam logo de nos informar do facto
O Ronaldo tem todo o direito de expressar as suas convicções . Ele é um homem com H. Grande e com muito dinheiro. Eu pessoalmente estou-me nas tintas para ele, queria era ser mulher dele e poder usufruir de todo aquele dinheirinho.
Ora muito bem Sofia. Você ao menos é honesta e direta!
Compreendo a indignação presente no texto, mas parece-me um ataque desproporcional e injusto a Cristiano Ronaldo.
O Cristiano Ronaldo é um atleta, não um diplomata da ONU. Ele está a representar o clube que lhe paga para fazer o que ele faz melhor: meter a bola lá dentro. O homem já fez mais por Portugal, em termos de visibilidade e orgulho, do que todos os “portugueses com vergonha na cara” juntos.
Se a crítica é que ele só representa os interesses dele, parabéns! É a vida! Chamam-se negócios. E se para isso tem de apertar a mão seja a quem for, fá-lo. E ainda ganha uns milhões que a malta que o critica nem no Monopoly os vai ver.
Benfeitor é benfeitor, e futebolista é futebolista. O resto é dor de cotovelo a falar mais alto que o bom senso.
👍
Cristiano Ronaldo acaba de marcar um penalti a um Robot
O Maior Jogador Português de Todos os Tempos.
Ainda hoje, com 40 anos, titular incontestável da Seleção Portuguesa que ele adora. Desde a sua estreia estivemos sempre em todas as competições. Não falhamos nenhuma. Antes era o que era.
Jogadores como Cristiano só aparecem de 50 em 50 anos.
Lamento mas não acompanho. Primeiro que tudo quem somos nós para julgar as opções de outros? Somos zero.
Ronaldo fez o que achou correcto, se está ou não, não é probelma meu.
Liberdade é isso, castrar uma pessoas só porque não toca pelo nosso diapasão é estupidez e para esse peditório não contribuo.
👍
Eu nunca o faria. Por dinheiro algum.
Irrefutável. Até porque para desmentir a minha clara superioridade moral era necessário que um Xeque me oferecesse 100M/ano para dar chutos na bola e ser se +1 em acções diplomáticas, e isso nunca acontecerá.
De resto, juízos valor faço a mim mesmo, e aos que me representam. Ao contrário dos Marcelos, Montenegros e Venturas, CR não me representa, nem ao país.
O meu herói futebolístico da juventude, e para mim o Maior, era um cocaínado que idolatrava Fidel Castro. Cuja maior façanha desportiva está ligada a uma batota.
E nunca escrevi algo a criticá-lo. O que só prova que sou pessoa de má índole.
Concordo em absoluto. Raras vezes um comentário da semana foi tão assertivo e factual como este. Ou se está do lado do humanismo europeu, ou do lado das autocracias, como Arábia Saudita e Rússia. Os valores não têm preço, e são exclusivos.
Ronaldo pensa com os pés e isso é de facto um problema.
São pés com neurónios.
Problema para quem?
Para a seleção que pode ficar afectada e desmotivada por ver o seu capitão a nadar fora de pé.
A selecção de natação?
Então não… Até podem dar alguma abada de 24-1 no próximo jogo.
Assunto sem o menor interesse.
Mais incidente típico da desenfreada exploração comunicacional do que base de especulação de vínculos ideológicos.
Por mim, também admiro o Trump: como é que semelhante grunho chega ao desempenho de tão poderoso cargo, e por uma segunda vez?!?!?!?!?!
Em português (minimamente) decente, se faz favor. Admitindo que se quer fazer entender.
Se não quiser, está muito bem assim.
Concordo plenamente com o João Guimarães, sem qualquer hesitação.
Para mim, foi mesmo uma triste e paupérrima figura. Detestei ver Cristiano Ronaldo em pose de “lambebotismo”, face a um ditador e a um aspirante a ditador.
Cristiano Ronaldo tem, obviamente, o direito de admirar e de se encontrar com quem muito bem entender, mas, enquanto portuguesa, não me revi, nem me senti representada, de maneira nenhuma. Pelo contrário, senti-me envergonhada.
Enquanto atleta, os feitos desportivos de Ronaldo são inquestionáveis e inolvidáveis, mas, depois disto, a minha consideração por si, enquanto homem, desceu a pique e bateu no fundo. O mais certo é que nunca mais a recupere.
E o Cristiano Ronaldo precisa da minha consideração para alguma coisa? Não, certamente que não precisará, mas também não será isso que me fará deixar de o censurar.
Para mim, esta sua atitude foi, sem qualquer reserva, decepcionante e vexatória, constituindo-se como um péssimo exemplo, sobretudo para os muitos jovens que alegadamente o têm como ídolo.
Decididamente, o dinheiro e a fama não são sinónimo de inteligência.
Se os países prestam vassalagem a ditaduras, através dos seus representantes eleitos, e apertam a mão e fazem negócio com todo o tipo de facínoras, por quê o cidadão individual tem que se reger por outra bitola?
Essa pergunta deverá fazê-la, em primeiro lugar, a si próprio, enquanto “cidadão individual”.
Cada “cidadão individual” deverá decidir qual é a medida da sua própria “bitola”. Eu decido a medida da minha, o “Anonimo” decidirá a sua.
Na minha “bitola” não cabe, nem nunca caberá, a prestação de vassalagem a ditaduras, sejam elas quais forem, nem negócios com facínoras ou apertos de mão aos mesmos.
Se na sua cabem, faça bom proveito.
Já se percebeu que a sua bitola é muito pequenina.
Pois, e a sua é tão larga que o mais provável é que não exista nenhum comboio capaz de circular numa via férrea com uma distância entre trilhos tão grande… Que chatice, caro “Anonimo”, a sua bitola, afinal, não tem qualquer utilidade. Deve ser como o projecto de TGV do tempo do “animal feroz”…
A Paula decide a sua bitola, e a do Ronaldo também.
Obrigado ao Delito pelo destaque. Obviamente não vou fazer comentários ao meu próprio texto, nem tão pouco aos comentários. O único regozijo prende-se com o facto de ser cidadão de um país onde a democracia constitui o nosso bem mais precioso, onde a opinião é livre e a crítica é sempre bem vinda. Mais do que preservar as nossas opiniões, devemos a todo o custo preservar o privilégio de as poder expressar.
O dinheiro e a fama não são sinais de inteligência ? ?Mas que raio de observação mais obtusa. Ser uma máquina de fazer dinheiro e famoso está ao alcance de todos bem podia ser um livro best- seller da Paula Dias.
Pode ficar descansada, a Paula Dias nunca conseguirá escrever um livro “best-seller” e , portanto, nunca enriquecerá ou será famosa por essa via…
Tem razão, “ser uma máquina de fazer dinheiro e famoso” não está, de facto, ao alcance de todos, mas a inteligência também não… Enfim, uns têm, outros não…
Deixe o meu irmão em Paz!!! Com tanta baboseira, sei bem qual é teu problema…
Conhece-me de algum dado, “Katia Aveiro”? Não me parece…
Ao que chegou o decadente e corrupto «regime da Democracia».
O Salazar ri-se a bom rir: Fado-Futebol-Fátima!
Também acho que ninguém tem nada que criticar as amizades do Ronaldo. Ele já é
crescidinho, pode ir almoçar com quem bem lhe apetecer.
E como conheço bem os portugueses, na sua maioria gente sem grande ética individual mas cheios destas indignações colectivas que não passam de coscuvilhice, tenho quase a certeza de que as pessoas que o criticaram 1) já fizeram alguma ainda prejudicando directamente alguém ou 2) iriam também a correr almoçar com o Trump, para mostrarem aos outros lá no escritório que são gente muito importante (provavelmente, o motivo do próprio Ronaldo).
Pois…
O Ronaldo não pode dar-se com quem ele quiser?
P. S.: Vão visitar a Arábia Saudita e os Estados Unidos da América.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
O caso do Ronaldo é, apenas e só, mais um daqueles em que nos vemos obrigados a separar o artista do homem – sob pena de ficarmos sem o artista, o que seria deveras uma pena, muito também pelo extraordinário empenho que ele sempre colocou ao serviço da Seleção; porque sem o homem propriamente dito o mundo passaria bem.
Deixará marca indelével enquanto atleta, na história do futebol e até do desporto em geral.
Mas fora do mundo desportivo, o Ronaldo pouco ou nenhum interesse tem, a não ser para obcecados com as futilidades das vidinhas dos “famosos” ou para invejosos impotentes.
Mesmo na questão do seu dito “espírito benemérito” encontro tanto de “gestão de marca” como de pura caridade; e creio que lhe farei justiça ao considerar que, para ele, responsabilidade social ou pagamento de impostos são apenas maneiras de ser espoliado do que ganhou com o suor dos seus pés. E digo isto com base nas tristes figuras e ainda mais tristes palavras que disse em Espanha, quando foi filado pela “Tributaria”…
O facto é que, quando o Ronaldo decidiu ir para a Arábia Saudita, foi com um contrato que incluía expressamente não só os seus préstimos enquanto jogador, mas também enquanto “embaixador” da modernização e abertura do país, visando como primeiro objectivo principal ser escolhido para a realização do Mundial de 2034.
Nunca o Ronaldo escondeu isto, foi até bastante público e cândido – e a Arábia Saudita já era há muito o que sabemos, também em termos das tais modernizações e aberturas selectivas, sobretudo para turista ver, e dos comportamentos despóticos do seu Príncipe Esquartejador.
Mas Ronaldo escolheu ir para lá: para jogar futebol e pôr a ignota Liga Saudita nas bocas do mundo futebolês – por ser onde estava o Ronaldo; mas também para influenciar a aceitação e o branqueamento do país e do seu líder – por serem o país do Ronaldo e o patrão do Ronaldo.
Como o próprio já explicou com a mesma candura do costume, mesmo quando deixar de jogar continuará a ter contrato com o mesmo patrão, a quem vendeu a sua imagem funcional de craque amado pelas multidões.
A sua presença no séquito(!!) de um “tirano esclarecido”, que é o pior dos piores tipos de tiranos, para o “humanizar” perante um sociopata com a idade mental de um miúdo deslumbrado, é apenas cumprir com profissionalismo aquilo para que lhe pagam centenas de milhões por ano. E em termos de profissionalismo, sejamos justos, ninguém leva a palma a Ronaldo.
Que ele aprecie verdadeiramente Trump não é surpreendente por aí além, há muitas outras pessoas que me surpreendem bastante mais nesse duvidoso apreço. Deve ser por serem ambos “homens de negócios”, que sei eu disso?
Que ele lamba as botas ao patrão como se fosse um desgraçadinho precário com medo de ir para o olho da rua, também se compreende: é verdade que é multimilionário, mas isto de pertencer à corte de um Príncipe daqueles mesmo a sério, ou de partilhar o pão e o sal com o Traste Mais Poderoso do Mundo, é o tipo de coisa que deve levar a Dª Dolores às lágrimas… E o que sei eu disso também?
Um menino que nasceu pobrezinho a ser aceite no convívio dos grandes do mundo! Ou como ele disse à “Tributaria” em Espanha, um tipo que só sabe jogar futebol, que veio de baixo, sem quase educação nenhuma, e que não percebe nada de contabilidades, señorias…
A indignidade básica de Cristiano Ronaldo, a existir, começou logo quando ele escolheu ir jogar, viver com a família e representar externamente, semelhante país e semelhante patrão.
E eu digo “a existir” porque não me parece nada que ele se aperceba sequer dessa indignidade; e pelo contrário, muito provavelmente até estará convencido de que estamos todos, os portugueses!, orgulhosamente sentados à mesa do POTUS sociopata, com ele e mais o Tirano das Arábias…
Mas de facto, e como bem diz o João Guimarães, esteve lá a representar apenas os interesses dele. Como é de seu direito.
Tal como é de meu direito desprezar a sua estupidez existencial e admirar os pontapés que sabe dar numa bola.
Não podia dizer melhor. As figuras que fazemos, independentemente das razões ou das motivações, poderão sempre ser tristes ou magníficas, e mesmo isso implica que, para uns possam ser tristes e para outros nem por isso. As opiniões os gostos não podem ser compradas, nem pelo Cristiano Ronaldo.
É A DEMOCRACIA
Os votos são a prova de que a dita “Democracia” é um regime ditatorial e completamente inadequado para governar as sociedades humanas.
Se o escrutínio são os votos, então, inevitavelmente, vão ser os chineses e indianos a decidirem sobre tudo e todos. Os espanhóis decidirão sobre os portugueses, os alemães sobre os franceses e o resto dos países da dita “UE”, e assim sucessivamente.
O que demonstra a falácia e o embuste desse regime da dita “Democracia”.
Se uns podem invadir a gronelândia, o canadá, a venezuela e a palestina (dizendo-se “democratas”), então porque os outros seres-humanos e países não podem fazer o mesmo?
Com os votos ganha sempre quem é mais e tem mais poder. Razão pela qual a dita “Democracia” foi o embuste inventado por esses mais fortes e mais numerosos para escaparem a qualquer escrutínio moral ou ético.
Então e que alternativa propõe o SAPr3i à Democracia tão falaciosa e embusteira, no seu ponto de vista?
Paula Dias,
Ao basear a legitimidade do Poder no voto, quem é mais numeroso perpetua-se sobre os menos numerosos.
A pergunta humana é: «será que o que é humano se reduz ao número, a uma medida?».
Então, a soberania e independência de Portugal irá ser decidida por quem tiver mais de 10 milhões de votantes.
E a pessoa individual será submetida à vontade de qualquer duo.
A conclusão é óbvia. A legitimidade baseada no voto não serve a Humanidade.
“A legitimidade baseada no voto não serve a Humanidade.”
Não? Então, o que servirá a Humanidade?
Volto a perguntar: Que alternativa propõe o SAPr3i à Democracia?
Paula Dias,
Essa pergunta fizeram-na todos os ‘regimes’. É uma pergunta que contém em si própria a resposta. Que é: «não há alternativa ao nosso regime, portanto, submete-te».
A opressão e a alienação dessa pergunta-resposta repousa na ideologia do ‘Dualismo’ (aquilo que não sou eu, é o inverso de mim; aquilo que uma coisa é, obriga a tudo o mais ser o seu inverso). É com essa ideologia que o actual Poder submete as Pessoas e os Povos humanos. Ou és a meu favor, ou és contra; se não me pertences, pertences ao que se me opõe; e assim sucessivamente.
Ora, esse modo dualista de conceber, e de impôr às Pessoas e aos Povos humanos, a ‘verdade’ (isto é: a ‘moral’, a ‘ética’, o ‘dever’, a ‘justiça’, a ‘organização e distribuição dos recursos materiais e económicos’, o ‘direito à soberania e fronteiras’, etc.) é um modo atrasado em termos evolutivos. A ‘Democracia’ não escapa a essa lógica e mentalidade.
Logo, torna-se necessário, para se poder evoluir, romper com essa ditadura imposta por todos esses ‘regimes duais’.
Razão pela qual o Impronuncialismo constitui o melhor contributo (até ao momento) para se conseguir ultrapassar esse limite cognitivo e evolutivo.
O Impronuncialismo propõe que os seres-humanos e as suas sociedades, culturas e identidades (sejam quais forem) façam um trégua nesse comportamento dualista, e assumam o compromisso de trabalharem em conjunto até alcançarem a «propriedade física reversível SAPr3i» para o suporte-corpo que habitam.
Que em vez de se comportarem em nome das suas actuais ideologias, em vez de legitimarem e justificarem os seus actos contra os outros nessas suas crenças, trabalhem em conjunto até a «SAPr3i» ser alcançada.
Depois de alcançada, e só a partir desse momento, poderão regressar ao que quiserem, e às ideologias e crenças que se lhes aprouverem.
Portanto, o Impronuncialismo não define uma ideologia. Define um «Projecto» transitório, que cessa quando o objectivo «SAPr3i» for alcançado.
Fico-me pela Democracia.
É exactamente isso.
Ficar no mesmo sítio para sempre, oscilando como um pendulo. Ora sim, ora não. Ora este ora aquele. Ora sim, ora não.
Não passa desse imobilismo. Basta-lhe o espelho de si.
Esse é o mecanismo dualista, que os perpetradores do Poder usam para subjugar as pessoas e as sociedades.
triste figura fazem os que idolatram este pascácio. e os que acham que dar pontapés na bola contribui ara o desenvolvimento do que quer que seja.
Ronaldo não representa somente os interesses dele. Representa também os da FIFA e de Portugal, que têm ambas interesse em que ele esteja no Mundial.
Recorde-se que Ronaldo continua sob investigação e, salvo erro, sob mandato de captura nos EUA por causa do caso Mayorga. Se Ronaldo fôr ao Mundial corre o risco de ser preso. Por causa disso, ele e a FIFA estão a mover influências para que o Presidente o indulte.
Mas Portugal foi sequer visto ou achado para alguma coisa nessa cerimónia para termos alguém a representar o país!?
Ronaldo é pago a peso de ouro pelos árabes e, como assalariado deles que é, representa os interesses deles. Ou alguém anda a pagar salários (ainda por cima para lá de principescos), para defender os interesses de outrem que não os seus!?
Depois “vamulavé”, o homem tem ou não tem o direito de gostar do Trump? Eu acho Trump um boçal ainda por cima medicras pois enquanto engrossa a voz com as Venezuelas baixa as calças com as Rússias, não gosto do homem. Agora daí a querer que todos pensem como eu e, caso não o façam desatar a insultar quem dele gosta vai uma grande diferença. Se queremos mesmo democracia temos de aprender a lidar com as opiniões e gostos dos outros e não embarcar nesta onda de cancalamento que tem varrido o Ocidente e onde se tem que ser à força dos nossos ou contra nós, como se só existisse o preto e branco. Estou farto desta fantochada onde todos ou são “comunas” ou são “fachos”. Isto está a destruir a nossa sociedade, caso não se tenham apercebido, basta!
Mais claro seria impossível.
O caro Lopes tem, por princípio, toda a razão quando diz que “Se queremos mesmo democracia temos de aprender a lidar com as opiniões e gostos dos outros”, e não se “ser à força dos nossos ou contra nós, como se só existisse o preto e branco”.
Só que mesmo as questões de princípio não significam dogmas absolutos, nem sequer no caso da tolerância e respeito democráticos, e sobretudo não quando estão em causa ideologias e indivíduos que fazem alarde do seu desejo de destruir o próprio sistema democrático e, se resistirmos, de nos destruírem a nós com ele.
Por essa ordem de ideias, de não devermos ver as coisas a preto a branco, e de termos de aprender a “não cancelar”, ou seja, aceitar, as opiniões dos outros, teríamos de o fazer também em relação ao putinismo expansionista, ou ao trumpismo mercantilista, ou ao absolutismo árabe, ou ao neo-nazismo supremacista, ou ao sexismo, ou ao fanatismo religioso, ou ao terrorismo ambiental… Tudo “opiniões” e “gostos” muito activos no mundo actual, e que até se fartam de reclamar os seus direitos à existência, exigindo “tolerância” e “liberdade de expressão” democráticas – tudo isso que visam, muito declaradamente, destruir!
Os valores de tolerância, liberdade e respeito por diferentes opiniões não podem tornar-se suicidários ou autofágicos, muito antes pelo contrário: têm que ter a coragem de assumir a sua maioria de razão, e de a defender contra o abuso, a manipulação e a chantagem.
Há coisas que são, de facto, pretas ou brancas, sem cinzentinhos delicodoces. Há opiniões, ideologias e indivíduos que são, de facto, destrutivos e malévolos. Gostar deles e das suas visões do mundo é, de facto, não gostar de nós e da nossa visão do mundo.
Há o trigo e há o joio, mas só o trigo alimenta – se não o deixarmos sufocar pelo joio.
Foi por não entender isto, ou não querer entender isto, que a Europa dos valores democráticos e da justiça social “fora de moda” e da tolerância quase caricatural, se deixou apanhar com as calças na mão pelo imperialista cleptocrata Putin e pelo cleptocrata imperialista Trump.
E é isso o que está realmente em vias de destruir a nossa sociedade, essa cegueira confundida com tolerância, e esse excesso de confiança na razoabilidade última das opiniões e dos gostos dos outros homens – que das restantes “fantochadas” íamos nós tratando, afinal a História ensinou-nos da maneira mais dura a convivermos com elas.
O que deu cabo da Europa foi a parvoice do politicamente correcto, onde qualquer pessoa que dissesse algo fora do tido como aceite e correto era ridicularizado e humilhado. Se as pessoas sentiam algo, lá vinham as elites dizer-lhes que aquilo não era nada, que são tudo sensações. Foi esta mania de chamar idiotas ao povo e percepções do povo, este distanciamento cada vez maior. Trump só aparece na cada branca porque nos EUA se passou algo semelhante. As pessoas priemiro ficaram caladas, depois começaram a ficar saturadas de serem tratadas como bebezinhos idiotas e, por fim, acabaram por dar um murro na mesa e procurar alternativas a tudo isso. Trump é um.boçal, um idiota no geral mas só lá está porque quem teve o poder durante anos se fartou de ignorar as populações. Esses foram muito piores que o próprio Trump pois foram quem lhe abriu a porta. Não se esqueça disso!