O comentário da semana


João Carvalho,

 

«Belo texto! E estou em total sintonia. Achei graça à invocação d’Os Cus de Judas, lembro-me de ter acabado de sair (a 1.ª vez…) e de o ter oferecido como presente de anos a um amigo. Foi a provocação e a cobiça geral do jantar. (Já passaram 30 anos? Nããão!)

O pior dos problemas é onde arrumar tantos e tantos volume. Acabarão a invadir a cozinha e o q.b. – já me vaticinaram.

Acho que era a Françoise Sagan quem dizia que os livros eram bens transitórios, passava-os, emprestava-os sem problemas, achava ser assim que cumpriam a sua função.

Pois isto pica-me a consciência regularmente. Porque eu sou precisamente ao contrário e admiro essa atitude de extrema abnegação… Para mim os livros são os meus livros, dão corpo a conquistas, a fases da vida, a momentos, a pessoas que não figuram neles mas moram lá dentro. E são o meu pedaço, muito meu, do autor. É lamentável, eu sei, mas tenho um forte instinto de posse sobre eles, assino-os logo com medo de ser expropriada e só empresto a 4 ou 5 pessoas contadas (e mesmo assim com uma lista feita à socapa). Disgusting.

Gato escaldado…

Pior, pior é que depois também compro, compro, mesmo quando ainda tenho uma pilha no quarto que ainda não consegui abater. Hoje em dia leio mais devagar: tenho menos tempo e tornei-me numa leitora gourmet, slow food. Já não conseguiria ler o Quarteto de Alexandria numa semana, como me aconteceu… há 30 e muitos!

Às vezes penso que a minha descendência, daqui a 50 anos, pode ficar a conhecer-me como num raio X através da minha biblioteca!

P.S. – E aquelas salas giríssimas, em casas riscadas pelo arquitecto XPTO, decoradas na última vaga pela decoradora OTPX, onde não enxergamos um livro?! Ou pelo menos um livro com ar de ter sido consumido. Chega-se ao ponto de serem de gente que lê, mas esconde os livros, que o minimalismo manda sacrificar aos espaços esconsos. Nunca compreenderei, são espaços que não têm alma.»

 

Da nossa leitora Chloé. A propósito deste texto da Leonor Barros.

12 comentários em “O comentário da semana”

  1. Parabéns, Choé Já o tinha lido ( não comentei – ando um pouco murchinha “, Já passa) e a minha intuição dizia que o iriam escolher – muito bem merecido, aliás , do que lhe tenho lido, tenho gostado.
    Já agora, aproveito para, também, felicitar a Leonor pelo seu belíssimo texto que deu origem este comentário,
    Dá gosto lê-las pela forma e conteúdo.

  2. Bem escolhido, João. Parabéns à Chloé.
    Identifico-me com ela: também sou muito ciosa dos meus livros, assino-os mal os compro ou mos dão e também abrandei a velocidade de leitura com o tempo. Não sei se o Quarteto me demorou só uma semana a ler, mas lembro-me de que também foi de rajada que aqueles livros me passaram pelos olhos. Age oblige
    😉

    1. Ainda bem que o dizes, porque tentei escolher um comentário que fosse do meu agrado e que pudesse agradar ao Pedro simultaneamente, o qual voltará a continuar esta secção depois do curto intervalo em que fiz as vezes dele.

  3. Estou parva, quando li isto pensei que estava na caixa de comentários e não na homepage . E ao perceber que não, achei que o curador de serviço ao blogue estaria como eu: – tão esfuziante com a vitória dos seus eleitos que o juízo se lhe turvara em definitivo na hora da escolha semanal…
    Foi muito simpático da sua parte, mas os leitores do Delito terão todos descontar este pequeno deslize na série ‘ comentário da semana’ à conta do compreensível alheamento causado pelo momento político 🙂 Percebo isso muito bem, eu que só há pouco acabei de dar à língua com amigos e co-munícipes em noite animada de meças eleitorais 🙂
    Grande partida… esta de retirar dos bas-fonds do blogue umas notas tão repentistas e tão pouco ortodoxas na forma, a contrastar com o belo texto da Leonor Barros.
    Não havia nexexidade … 🙂 🙂

  4. João parabéns pela divulgação do texto da Chloé e do texto da Leonor Barros. Excelêntes.
    Sempre fui uma grande leitora, tenho uma biblioteca muito razoável tanto em qualidade como em quantidade.
    Quando dou um presente a uma criança, nunca falta um bom livro de acordo com a idade.
    Uma das crianças, agora com 13 anos, a quem incuti o gosto pela leitura é uma frequentadora assídua da minha biblioteca. Os livros que ela mais gosta eu ofereço-lhos. É uma aluna do quadro de Excelência.
    Tem razão quanto a não vermos um livro numa das casas do XPTO. É uma casa despida e sem amigos.
    Tanto aqui, na casa dos meus pais, como na minha casa, os livros estão à vista na sala de visitas e, não é a primeira vez que uma visita pega num livro e o folheia. Até o médico e o enfermeiro que vinham tratar do meu pai davam uma vista de olhos e comentavam os títulos e os autores.
    Nas casas das irmãs, que são das modernas tipo OTPX, há um quarto transformado em bilbioteca, sala de música e escritório.
    Eu agora leio menos livros do que desejava, mas nunca deixo de ler todos os excelêntes textos do Delito de Opinião.
    Obrigada João

    1. Não me agradeça, Virgínia. O ‘post’ é da Leonor Barros, o comentário é da Chloé e esta secção é do Pedro Correia. Eu é que agradeço que tenha manifestado o seu agrado, na parte menor que me toca.

  5. Chego tarde, mas a tempo de dar os parabéns a todos. À Chloé pelo excelente comentário, à Leonor pelo texto que o suscitou, ao João Carvalho por o ter escolhido e a esta equipa em geral que estimula a participação.

    Uma verdadeira e interessante companhia, este Delito.

    :)))

  6. Foi muitíssimo bem escolhido e congratulo-me com mais esta série que dá mais visibilidade ao contributo inestimável dos nossos comentadores. Parabéns à Chloé e muito obrigada aos comentários elogiosos.

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