"Aqui há dias sucedeu-me em Coimbra B: ia cheia de pressa trocar um bilhete comprado via internet e ia stressando quando vi uma fila descomunal na bilheteira. Meti-me nela a espumar e enquanto olhava para os dísticos (sempre a mudar), vejo noutro guichet um tranquilo funcionário a apanhar moscas. "Alfa, IC", rezava a tabuleta. Li uma vez, duas, três, duvidando se era eu a maluquinha do sítio, ou antes todos os outros. Mas como para grandes males, grandes remédios, saí temerariamente da fila e plantei-me à frente do ocioso, disparando o pedido à espera do pior (uma daquelas respostas abstrusas que podem acontecer em Portugal, tipo "pois, mas falta o amanhã no dístico. Sim, é alfa- intercidades, mas só para o dia seguinte. Hoje é ali naquela fila…" Mas qual quê, receios infundados. Era ali, sim, dizia candidamente o homem. Também podia trocar, sim senhora.
E pronto! Troca feita em três tempos, e eu a sair diligente porta fora, sentindo dois ou três olhares inquietos cravados nas minhas costas.
Tipicamente portuguesa, esta atracção fatal pelo sofrimento."


Acho que com as festas apareceram poucos comentadores…
(mas com estas vergonhas estou definitivamente decidida a passar a discorrer sobre coisas sérias como os actos administrativos negativos, as inconstitucionalidades do PRACE ou mesmo a problemática dos reflexos do estado da nação no fenómeno da queda das patas dianteiras dos gafanhotos e outros polífagos )
🙂
Chloé: o destaque justifica-se, seja qual for o assunto. Porquê? Por este simples motivo: concorde-se ou discorde-se, a sua opinião é uma das que mais prezo.
Espero que não seja só pelas diuturnidades… (mas comentar aqui é como comer chocolates : não devíamos).
Quanto ao resto o apreço é mútuo: mesmo que construído com a pedra de algumas dissensões 🙂