O desfile de notáveis que defendem a teoria da cabala no caso Freeport não pára. Chegou agora a vez de Freitas do Amaral, que garante (como os seus disponíveis antecessores) ter sido tudo feito na maior das legalidades.
Ora, a gente sabe que sim. Entre vários casos muito semelhantes, alguns dos quais também concretizados por governos que estavam a fazer as malas para seguir viajem, o casino no Parque das Nações é apenas um deles e também cumpriu a legislação — designadamente, a legislação que lhe foi feita à medida.
Por muito que se esforcem, esta disponibilidade para virem a terreiro defender uma dama coberta de suspeitas tem o seu quê de quixotesco. Ninguém pode escamotear dois aspectos essenciais: saber se a legalidade foi ou não urdida e saber se houve ou não dinheiros que mudaram ilicitamente de mãos.
Não se entende, por isso, a utilidade do desfile. Freitas do Amaral, impante na sua argumentação, acabou por retirar-se da passerelle com a mesma nódoa de outros antes. São fugas ao segredo de justiça — afirmou ele com enfado. E se for jornalismo de investigação? — perguntamos nós.
Veremos quem é o próximo a enfrentar moinhos de vento para defender a cabala. Uma coisa podemos arriscar: o nosso país continua a liderar o ranking das cabalas. Com dois indicadores elevados: o dos que as urdem e o dos que as defendem…

Ora, ora.
Já sabemos do que gasta esse tal professor que sofre da coluna.
Bem, quanto a ter sido “martelada” a legalidade, só ceguinhos poderão não ter conseguido lobrigar.
Se até já Luis Filipe Menezes diz que não tem dúvidas sobre a seriedade e ética de Sócrates… estou esclarecido.
O desfile de notáveis
pela rosácea passadeira,
discorrem prosas suspeitáveis
acalorando a bandalheira.
Estes actos quixotescos,
de descomunal bravura,
deixam os mais dantescos
com uma divinal figura.
A água sacudida
dos seus capotes lustrosos,
cai por terra ressequida
por tantos factos mal cheirosos!
Caro João, ao colocar o Prof. Freitas do Amaral no mesmo saco de Silva Pereira ou Santos Silva, está a vulgarizar o jurista. Freitas do Amaral é o maior especialista vivo em Direito Administrativo e tem uma obra doutrinária vastíssima e brilhante. Aliás, foi com o manual dele de Dto. Administrativo que aprendi a matéria no 2º ano da faculdade…
Ao afirmar que, de acordo com os dados até agora publicados e divulgados na comunicação social, a emissão da licença para a construçao do Freeport não apresenta nenhuma irregularidade, está a colocar um elemtno de altísisma credibilidade em cima da mesa, mesmo que isso custe a quem quer à força (e faz figas) que Sócrates seja culpado. E, como professor de Dto. Administrativo, ele sabe (melhor do que ninguém em Portugal) do que fala. E de certeza que não iria colocar a sua própria credibilidade e reputação em causa para defender um político, mesmo que amigo. A minha opinião (jurídica) é semelhante (mas o que vale ela, perante esta do Prof. Freitas do Amaral?), mas desde o inicio que decidi nao comentar o caso concreto senao as questoes paralelas, como o tratamento jornalístico ou judicial.
Todavia, esta questão não exclui a eventual prática de um crime. Como no meu blogue explico de forma mais extensa, se o acto (emissão da licença) foi ilegal, poderemos estar, entre outros, perante um crime de corrupção para facto ilícito. Ora como parece (segundo esta douta opinião) que é lícito, então o eventual crime de corrupção será por facto lícito, previsto noutro artigo do Código Penal.
Cumprimentos.
Caro Ricardo, estou a lê-lo aqui já depois de lhe responder num ‘post’ mais recente. A opção, como calcula, deveu-se a verificar que não conseguia comentar no seu blogue. Quanto ao resto, espero que o ‘post’ recente sirva para dar conta do que penso. E há-de fazer o favor de verificar que não é bem a douta explicação do Professor que eu modestamente critico…
Abraços.
Caro João, obrigado pela resposta.
Antes de mais, esclareço que permitimos qualquer comentário, mesmo anonimo, estando, como reparou, sujeito a aceitação. Provavelmente o erro deveu-se com a confirmação de codigo anti-spam, já que amigos meus já se queixaram do mesmo, nao tendo conseguido comentar à primeira…
Quanto ao seu post, irei comenta-lo la.
Abraço.