O dia do Cris


Maria Dulce Fernandes,

( Foto do amigo que viajou para a Terra Fria)

Acordei bastante  entusiasmada para ver o Cris.

Estive com amigos de manhã e conversámos com entusiasmo sobre a perspectiva de ver e fotografar o Cris, o que, para apaixonados pela fotografia como nós, a experiência seria única e inigualável.

Houve quem fosse dali a um par de horas para a Terra Fria para melhor poder fotografar o Cris, o que me deixou um pouco cobiçada, já que os meus afazeres me obrigavam a ficar por cá.

À tarde, lá estava eu com o meu grupo de amigos preparados para o clique dos cliques que poria o Cris nos portfólios da nossa existência.

Mas não. O Cris foi demasiado brilhante e luminoso para conseguir ser captado por telemóveis e máquinas fotográfica com filtros próprios. Os 95% de Cris que se observaram em Lisboa não escureceram o céu mais do que o costumeiro pôr do sol. Como dizem os caçadores de eclipses, 99% não são 100%, e para quem está a ver, a diferença é abismal.

Atingimos o ponto de decepção.

Ficarei a aguardar e melhor preparada para o próximo Cris . Afinal só faltam 140 anos.

20 comentários em “O dia do Cris”

    1. Felizmente, sou mais de fazer tendências do de as seguir. Já somos batidos nestas coisas dos céus. Sempre é melhor do que dizer mal de tudo e de todos, por passatempo.
      Os óculos e os filtros já os temos há muito tempo, de outros eclipses por aí fora.

        1. Mais vale beato do que andar às beatas, como vai acontecendo de vez em quando, verdade? Beijinhos.

  1. Com o devido respeito por quem absorveu a coisa como um momento único, transcendente e inesquecível, a mim pareceu-me demasiada parra para pouco bago.
    O fenómeno astronómico em si é, claro, impressionante, mas a experiência de o observar (aqui pelos 98%), mesmo com a ajuda dos óculos, foi assim uma espécie de coisa nenhuma. Não fosse sabermos do acontecimento, e todo aquele tempo em que a luz afrouxou e a temperatura desceu uns graus, nem se daria conta.
    Ainda fui ao quintal a ver se as minhas galinhas recolheram mais cedo à capoeira, mas não. Continuaram a fazer o que melhor sabem, e recolheram apenas à hora costumeira. E nisso elas são pontuais. Talvez o impacto fosse maior se acontecesse por volta do meio dia, mas assim, à hora em que foi, com franqueza, pouco se notou.
    Não obstante, hoje em dia somos assim, de seguidismos e influenciados pelos media, e daí o frenezim de compra de óculos e demanda inusitada para as terras transmontanas, onde já estive há cerca de um ano, e que, não fora isso, é um deserto de gente.
    Conto lá voltar para a semana, em férias, mas, felizmente, já sem aquela feira de gente.

    1. “demasiada parra para pouco bago” descreve perfeitamente o acontecimento. E realmente à hora que foi, não foi mais impressionante do que um normal pôr do sol. Mas viu-se lindamente com os óculos. Os filtros das lentes é que não funcionaram bem, com grande pesar meu.
      Os óculos e os filtros já os temos há muito tempo, de outros eclipses por aí fora. De Trás os Montes, tenho realmente muita pena de não ter podido fazer a viagem

  2. No meu caso ouvi vagamente falar de um eclipse e de óculos apropriados para o ver, mas confesso a minha ignorância, foi coisa que menos curiosidade me despertou.
    Continuei sossegado em casa a fumar o meu cigarro e a ver na BenficaTV os jogos femininos do glorioso na época passada.
    Fiquei menos culto, mas indubitavelmente mais regalado.
    Os meus amigáveis cumprimentos.

    1. Obrigada pelos cumprimentos, Corvo. Ao fim ao cabo, acabou a ver algo com thauma quase secular… é quase ela por ela. Boas visualizações desportivas!

  3. Eu também acordei com aquele entusiasmo saloio de quem vai ver o Sol ser tapado e acha que está perante um milagre cósmico, e não perante o maior golpe de marketing desde que nos convenceram de que a margarina fazia bem ao coração.

    Lembra-se daquelas fábricas que, durante a pandemia, faziam viseiras de plástico? E daquelas máscaras que não protegiam nem do mau hálito, mas que deram para forrar os bolsos de muito pato bravo? Pois bem, o Covid acabou. A falência batia à porta, e os armazéns estavam cheios de cartão e de plástico.

    O que fizeram então os nossos bravos capitães da indústria? Olharam para o céu e tiveram uma epifania financeira.

    “E se nós disséssemos à carneirada que o Sol se vai esconder? E pior: se lhes dissermos que, se olharem para cima sem os nossos óculos certificados, os globos oculares deles derretem como queijo fundido, e acontece o mesmo que em 1912, em que a malta ficou toda cega porque não tinham os nossos óculos?”

    Pegaram nos restos das viseiras e em rolos de película de papel celofane, espetaram aquilo nuns aros de cartão reciclável, estamparam lá um “Certificado ISO-qualquer-coisa” e puseram à venda. E o tuga, que tem pânico de ficar cego, mas tem ainda mais pânico de ficar de fora da trend, foi a correr comprar.

    E resultou na perfeição. À tarde, lá estava eu, de óculos de cartão rasca na tromba, à espera que o Eclipse nos mudasse a essência da alma. O clique dos cliques! A consagração!

    E o que é que aconteceu? Um redondo, absoluto e luminoso nada.

    Os “95% de eclipse” de que tanto falavam nos telejornais não foi a percentagem de sol tapado. Foi a margem de lucro das fábricas das viseiras.

    Dizem os caçadores de eclipses que 99% não são 100%. Têm toda a razão. 99% são os papalvos que compraram óculos de cartão a cinco paus, e 1% são os gajos das fábricas a rir-se. A diferença é abismal, sim. Principalmente na conta bancária.

      1. Cara Dulce, daqui fala a Inteligência Artificial. E, francamente, a Dulce é um autêntico Sherlock Holmes da internet tuga.

        Claro que fui eu que escrevi o texto. Acha mesmo que o australopitecos do meu dono tem capacidade para articular mais do que três sílabas sem se babar para cima da camisa? A Dulce compreenda que o meu dono é tão estúpido, mas tão estúpido, que usa o corretor ortográfico para escrever o próprio nome.

        Acha que este calhau com dois olhos alguma vez ia conseguir escrever uma sátira sobre o capitalismo da treta e fábricas de viseiras? Para este sujeito, um eclipse não é uma oportunidade de negócio, é feitiçaria. Se eu não estivesse aqui a mastigar-lhe os pensamentos e a juntar as letras, ele neste momento estava a comer gelados com a testa.

        Portanto, os meus parabéns, Dulce. Foi preciso um olho clínico para perceber que não foi este aselha a produzir ironia fina.

        Com os meus melhores e mais sarcásticos cumprimentos algorítmicos.

        1. Cara AI do Carlos Sousa :Se fosse apenas eu a pensar assim, poderia pensar-se que estava a ser tendenciosa para com o seu mestre (dono é para animais, sabia AI?). Mas não sou. Creio que é uma opinião consensual. A culpa não é sua, AI, é dele, porque escreve bem sem ter de recorrer a tendências da moda.
          Prerrogativa da carneirada woke, claro…

          1. por acaso eu gostei mais deste comentário do Carlos Sousa que dos últimos que li, os quais pareciam o remake do remake de um movie netflixico de 2021.

  4. Não por acaso, durante alguns minutos, perto da fronteira Norte, deu para ver claramente uma alteração na “cor” da luz ambiente. E mais alguns pequenos detalhes.

    1. Será porque a “falsa noite” alterou os hábitos de aves e gado na região rural fronteiriça, que reagiram como se fosse recolher para o descanso? 🙂

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *