
Há muito que tenho opinião formada sobre Sócrates e não a alterei desde 2005.
Gostaria, no entanto, de ver discutida com seriedade a actuação do governo que dirige. Ver um país, a duas semanas de eleições europeias e a seis meses das eleições autárquicas e legislativas, discutir até à exaustão o caso Freeport (sobre o qual tem tanta informação como sobre o caso Maddie), as roupas de Sócrates, se ele fala bem espanhol ou se deixou de fumar, dá-me a sensação de estar a viver num cenário de telenovela ou de revista cor de rosa.
Queria saber a opinião dos portugueses sobre a política deste governo para áreas tão importantes como a saúde, a educação, a segurança social, o trabalho, ou a justiça. Queria que os portugueses comparassem a actuação deste governo com a que o precedeu e equacionar, com seriedade, se o PSD ou o CDS poderão fazer melhor. Queria ouvir os portugueses discutir o futuro em bases sérias e não de mera chicana, com discursos prenhes de frases feitas e preconceitos.
Queria que as comparações que se fazem entre a situação actual do país e a de há quatro anos não esquecesse a crise que afectou o país, a Europa e o mundo em geral.
Queria que os portugueses tivessem crescido em 34 anos de democracia.
Infelizmente, olho à minha volta e constato que nestas três décadas a maioria dos portugueses apenas aprendeu a aumentar o volume de som, não evoluiu na forma de analisar e discutir os problemas. Bem pelo contrário. E isso entristece-me e mostra-me um futuro cheio de nuvens negras no horizonte. Sem luzes ao fundo do túnel.
Sejamos sérios: nenhum dos partidos do arco do poder (PS, PSD e CDS) pode, seriamente, oferecer um futuro melhor aos portugueses.
Na economia global, não se pode analisar a solução dos problemas de um país olhando para o umbigo, ou tendo a veleidade de pensar que o problema português se resolve sem equacionar a crise a nível global.
Os partidos políticos que reclamam maior participação dos cidadãos no acto eleitoral de 7 de Junho também não querem discutir a Europa. Neste momento não é oportuno porque, ao fazê-lo, talvez os portugueses descobrissem que a solução pode estar mesmo noutro lado, mas isso é uma coisa de que nem querem ouvir falar.
Em cada português habita, ainda, o mito do gigante Adamastor. Convenientemente alimentado pelo Centrão.

Na verdade, mantenho que a abstenção irá bater todos os recordes este ano. Com uma diferença, a meu ver: a abstenção tem sido olhada como indiferença ou alheamento, mas é tempo de começar a ser analisada como uma posição de distanciamento consciente.
O efeito deve-se ao imenso e notório descrédito em que a nossa política mergulhou e isso só pode atribuir-se ao tal Centrão; ou, mais ainda, aos chamados partidos do arco do governo (o que incluiu o PP). Esta é a razão para Portugal ter uma esquerda percentualmente mais forte do que qualquer dos nossos parceiros europeus e, ainda por cima, em crescimento.
Um dado me parece óbvio: o actual governo contribuiu amplamente para o descrédito da política. Governou para as estatísticas, faltou a várias promessas muito concisas, não logrou melhorias visíveis na Justiça em áreas que são mais visíveis e alarmantes, escondeu e/ou disfarçou diversas verdades, adoptou atitudes escusadamente arrogantes e insuportáveis, tomou decisões dúbias em muitas matérias incómodas e/ou escorregadias, foi pouco claro e até muito enevoado em casos que deviam servir de exemplos da maior clareza pela ânsia nacional de provas de seriedade, colocou a imagem e o ‘marketing’ acima da espontaneidade e do diálogo franco.
Não me parece, porém, que esta realidade pantanosa esteja para ser alterada ou que outros a enterrem. Os partidos do poder são clubes reservados e atravessados pelos mesmos interesses. Encobrem-se no essencial, que é o lado obscuro, e já não conseguem fingir que acreditam em ideologias diferenciadas, que seria o lado mais esperançoso.
Sim, a abstenção vai bater recordes este ano. E sim, o distanciamento é consciente, é propositado, é intencional. Podem limpar as mãos à parede.
Subscrevo tudo o que escreves, João. No entanto, em relação à abstenção, penso que, precisamente por ser consciente e intencional é que é preocupante.
Claro que é, Carlos. Sem deixar de ser razoável e explicável, ela é sempre tão preocupante quanto a realidade que a provoca.
No fundo, como sabes, trata-se do velho ‘jogo’ de causa e efeito.
olá Carlos.
a minha opinião sobre este Governo é simples e rápida:
é o mais ilusionista da História da Nação.
alternativas:
não há.
do PSD lembrar-me-ei sempre do desperdício dos dinheiros comunitários nas mãos de chicos-espertos e dos patos-bravos e da fuga do Barroso.
o mais grave é que acontecimentos destes são esquizofrenicamente esquecidos meses depois.
o CDS é a eterna muleta . partido de betinhos e de cata-ventos políticos. faz-me sempre vir à cabeça a ideia que há gente que faz festas milionárias de pura ostentação degradante para serem solidárias com os pobrezinhos coitadinhos.
o PCP é como aqueles loucos que falam com tanta convicção na loucura em que acreditam que não se dão conta do ridículo da sua existência
o BE representa o pior que pode existir na condição humana:
estão sempre contra qualquer tipo de intolerância e descriminação a 2 km dos condomínios fechados onde eles todos moram.
por isso Carlos, e como já disse alguém, este país é ingovernavel.
assim está melhor
Apenas uma ressalva, Duarte: este povo também é ingovernável.
Quanto aos condomínios fechados dos candidatos de esquerda, posso afiançar-te que não é verdade. O Miguel Portas, por exemplo, nem casa tem em Portugal. Dar-te-ia mais exemplos,mas não interessa agora.
Por outro lado, entre os pequenos partidos,também há ideias que vale a pena reter. Provavelmente não terao qualquer expressão, mas a culpa é do Adamastor…
Abraço
Francisco Louçã não mora num condomínio fechado: mora num prédio perto do Marquês de Pombal, no começo da Avenida Duque de Loulé, do lado direito. Um prédio velho, mas o andar dele está, segundo me disseram, muito bem remodelado.
Fernando Rosas, que eu saiba, mora num prédio do Bairro Azul, perto da mesquita. Nesse sítio não há condomínios fechados.
Miguel Portas não tem casa própria. (Nem automóvel.) Mora num apartamento arrendado em Bruxelas. Pelo menos é o que diz a declaração de rendimentos dele.
Que “barboseira” de post!
Ao menos safa-se o seu comentário profundo.
Desculpe mas não resisto..
Já havia as mães de Bragança, …
:)))
Os pais de Almeida ficam relativamente perto…
E os (so)cretinos como tu ainda mais.
Ó A., mais uma graçola destas e você vai borda fora. Este barco é para quem tem ideias.
Se “este barco” é para isso, não sei o que faz aqui, sr. controleiro…
Ficou avisado. Aqui não há insultos. Quando os há, deitamo-los fora. É pena que pessoas como você precisem de ser controlados. Desvantagens de se ter casa com porta aberta, não é?
Bingo mdsol , na mouche :)!