
Na Alemanha os desempregados de longa duração, com mais de 50 anos, são na sua grande maioria provenientes da ex-RDA. Vítimas da industrialização obsoleta do seu país, foram perdendo gradualmente os postos de trabalho desde que se iniciou o processo de “desindustrialização”, após a queda do muro de Berlim.
Um casal de operários não especializados da ex-RDA, desempregado e com mais de 50 anos, não vive de forma desafogada, mas é beneficiário integral do sistema de segurança social, o seu orçamento ultrapassa os 2 mil euros e tem ainda direito a um subsídio de arrendamento.
São, mesmo assim, considerados “novos pobres”, cujos hábitos os sociólogos têm estudado atentamente: vêem cinco horas de televisão, são grandes consumidores de fastfood e fumadores compulsivos. A sua formação académica é básica, mas não têm interesse em aprender mais. Têm tendência a estados depressivos e, na altura de votar, optam pelos extremos.
Estudos entretanto realizados indiciam o aparecimento destes novos pobres noutros países industrializados, fruto de uma economia moderna que pouco ou nada tem a oferecer a quem se vê no desemprego depois dos 50 anos e não possui habilitações académicas. Os mesmos estudos concluem que, à medida que a globalização avança, os novos pobres crescem exponencialmente. Alguns apontam esse crescimento como a demonstração do falhanço completo da economia de mercado, responsável pela destruição gradual dos sistemas de segurança social.
Ou seja: a Europa não está a ser capaz de dar a resposta adequada à crise, nem ao desafio da globalização. Perante esse facto e a incapacidade de assegurar a manutenção de sistemas que criou para aumentar o bem estar dos seus cidadãos, está a destruí-los numa auto-flagelação que faz lembrar o suicídio do escorpião.

Gosto desta reflexão, Carlos.
Acho bem! No extremo oriente o ordenado corrente é de cerca de 3 euros por um dia de trabalho e é por isso que estamos a assistir ao “FIM DE DO OCIDENTE”
Zé da Burra o Alentejano
Gosto sempre dessas generalizações. Fica tudo muito mais fácil. Três euros por dia, não é? Na Coreia do Norte ou do Sul? No Vietname ou no Japão? Na Malásia ou nas Filipinas?
Não estou para pesquisas exaustivas, mas por exemplo no Bangladesh os salários são na ordem de 40 dólares por mês. Faça você mesmo as contas e chegará facilmente ao valor que dá por dia…
Link para confirmar o salário que disse. Copie e cole no seu navegador:
http://www.em.com.br/app/noticia/intern acional/2013/05/12/interna_internacional,3 86248/bangladesh-subira-salarios-minimos-d e-trabalhadores-da-industria-textil.shtm l
“à medida que a globalização avança, os novos pobres crescem exponencialmente”
Eu diria que, em grande parte, são os próprios sistemas de Segurança Social que criam estes desempregados.
É evidente que, nas fábricas, estes trabalhadores indiferenciados, com mais de 50 anos de idade e sem uma educação especializada, não podem competir com os operários chineses, os quais fazem o mesmo serviço por um terço do salário.
Mas, por outro lado, estes trabalhadores poderiam estar a fazer diversos serviços úteis à sociedade, nem que fosse ensacar compras num supermercado, guardar as chaves dos carros num parque de etacionamento, fazer baby-sitting, limpar sanitas, ou montes de outras coisas.
O que acontece é que, em países como a Alemanha, esses trabalhos ou não são feitos, ou só o são por imigrantes. Se um alemão quer, por exemplo, ter a sua casa pintada, tem que a pintar ele mesmo, porque não há no mercado pessoas que se disponibilizem para pintar casas, ou então cobram a um preço proibitivo!
Nos EUA, todos esses trabalhos são feitos, por pessoas de carne e osso, porque as pessoas não têm a generosa Segurança Social europeia e portanto disponibilizam-se para trabalhar em seja o que fôr.
Mesmo cá em Portugal, se eu quiser ter uma criada (interna) para me ajudar a cuidar dos meus filhos, tenho que contratar uma brasileira, porque nenhuma portuguesa está disponível para tal coisa.
Os novos pobres TÊM que ser uma preocupação permanente. Pelas características que têm e que bem referiu e porque estão a aumentar. No sentido inverso, claro, adas oportunidades de emprego e da vontade que têm em melhorar as qualificações.
Sim, porque isso das novas oportundiades – já tenho es crito sobre isso. Em breve voltarei á carga!
Gostei de ler este texto!
O FIM DO OCIDENTE
A Globalização, tal como foi concebida, passará o ocidente para segundo plano, que será ultrapassado pelos países do extremo oriente: a China e a Índia serão as novas superpotências. Quanto à Russia, tem agora também condições para um renascimento. O Ocidente caiu na armadilha que interessava às grandes Companhias que pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no oriente, onde o custo da mão de obra é insignificante para o estabelecimento do preço dos bens aí produzidos, em virtude dos baixos salários e da inexistência de quaisquer obrigações sociais. Porque esses bens se destinavam principalmente à exportação para o ocidente; e como o ocidente tem vindo a perder poder de compra, a crise ocidental acaba por tocar também as novas potências orientais. Porém, a crise é aí apenas um menor crescimento económico: há poucos anos era de dois dígitos ao ano e agora deverá ficar-se por 6 ou 7% e isso é muito diferente da recessão ocidental que não tem fim à vista.
Ao aderirem a esta globalização que – nos dizem – seria inevitável (como se o mundo não existisse antes), os países ocidentais prometeram que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas (não sei bem como?) e não condicionaram a abertura dos seus mercados ao cumprimento de regras ambientais e à criação de leis laborais justas: melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice. Não, o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação sem condições, criando com isso uma concorrência desleal e “selvagem” da qual sairá a perder. A única alternativa seria a de nivelar os salários e regalias sociais dos ocidentais pelos do oriente. É a esse reajustamento que os ocidentais assistem agora.
O ocidente ditou a sua própria “sentença de morte”: enquanto algumas empresas não resistem e fecham as portas para sempre, outras deslocam-se para o extremo oriente para assegurar aí a sua sobrevivência.
Quanto aos trabalhadores, será que depois de terem atingido um razoável nível económico e social vão aceitar trabalhar 10 ou mais horas por dia a troco de um ou dois quilos de arroz por dia, sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc…? Não! por isso o ocidente está já a iniciar um penoso caminhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violentos irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põem à beira do fim dos tempos como consta nos escritos bíblicos. A Segurança Social não poderá suportar o esforço nem minimizar os problemas que irão crescer sempre, até porque as receitas serão cada vez mais reduzidas, devido a menores contribuições por parte das empresas pelos incentivos (inúteis) que lhes estão a ser oferecidos e também menores contribuições dos trabalhadores devido a mais desemprego. A época áurea do ocidente é já coisa do passado, que em breve se encherá de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque.
Regressaremos a nova “Idade Média”, se é que poderei chamar assim: A sociedade passará a ser formada por uns (poucos) muito ricos – alguns por via do crime – que habitarão autênticas fortalezas protegidas por todo o tipo de protecções, e que apenas sairão à rua rodeados por guarda-costas dispostos a matar ou a morrer pelo seu “senhor”; haverá, em simultâneo, uma enorme mole de gente desesperada, de mendigos e de salteadores que lutam pela sobrevivência a todo o custo e cuja protecção apenas poderá ser conseguida quando em grupos, pois as ruas serão cada vez mais dominadas por marginais, ficando as polícias confinadas aos seus espaços e reservadas para reprimir as “explosões” sociais que possam surgir
Os dois maiores partidos portugueses (PS e PSD) estão amplamente comprometidos com este tipo de políticas neo-liberais e os Governos deles saídos trocaram sectores essenciais da economia portuguesa por alguns milhões de euros (que já se gastaram) e pelo megaprojecto da Autoeuropa, cuja deslocalização já se coloca como hipótese.