O ego da Joaninha salvou o PS


André Couto,

Joana Amaral Dias (JAD) tem um ego necessitado de muitos olhos e penas a ele dedicados. Não é defeito, é um feitio criticável e louvável como qualquer outro.

Em entrevista à SIC reafirmou ontem o convite que lhe terá sido feito por Paulo Campos, Secretário de Estado das Obras Públicas. Repito então a pergunta que me surgiu há dias: porque não reagiu assim quando há dois anos foi convidada para ser mandatária da candidatura de Mário Soares?

Desde essa altura JAD desapareceu da vida do Bloco de Esquerda. O auge deste ocaso deu-se no último Congresso quando foi afastada da Mesa Nacional do Partido e, mais grave que isso, excluída a sua imagem dos vídeos que incessantemente passavam com a história do Bloco de Esquerda.

Não mais se vira JAD, mas eis que ressurge envolta em polémica, bem ao seu gosto. É a estrela do Verão político!

JAD foi sondada, felizmente. Orgulho-me que o Partido Socialista esteja activo na busca de mais valias independentes na Sociedade Civil. JAD apoiou Mário Soares contra o candidato do seu Partido, foi excluída da Mesa Nacional e raramente tem sido vista como rosto do Bloco de Esquerda. Há mal que seja sondada para integrar as Listas do Partido Socialista?

Compreendo que em plena crise existencial a Joana tenha chegado ao pé do Francisco e dito: "Estás a ver! Não me queres nas listas mas eles querem! Não tenhas cuidado, não…". O que queria é que a Joana e o Francisco compreendessem que o País não tem nada a ver com essas ciumeiras e muito menos com a crise de identidade de um Bloco que, consumido em questiúnculas internas e sem identidade própria una, vê fugir ou ameaçar de fuga os seus melhores quadros.

Felizmente JAD agiu desta forma. É que estou certo que o seu ego seria incompatível com o compromisso que o Partido Socialista lhe propunha. Mais tarde ou mais cedo daria asneira.

 

(Também no SIMplex)

19 comentários em “O ego da Joaninha salvou o PS”

  1. Não sei se salvou o PS André, essas coisas nunca são inócuas, mas lá que JAD teve um comportamento inqualificável lá isso não restam dúvidas. Mas eu sempre embirrei com ela, sou suspeita..

    1. Aquele feitio, aquela postura e forma de estar na política são aglutinadores de confusões. Imagino ao longo de 4 anos uma série infindável de problemas por mera necessidade de protagonismo. Não estou a ver a JAD na AR a ser mais uma na bancada e dificilmente o PS lhe poderia dar o destaque Parlamentar de que ela necessita.

  2. Já estou farta desta JAD! Mas quem se julga ela? Por acaso é alguma escritora ou cientista ou artista ou política de grande envergadura, etc? O que fez ela na vida tão importante? Que eu saiba, a única coisa que a distingue da maioria é, como diz o sexo masculino, ser “boa como o milho”. Mas isso é alguma virtude? Ainda bem que ela não foi para deputada do PS. Que nojo!

    1. “Que eu saiba, a única coisa que a distingue da maioria é, como diz o sexo masculino, ser “boa como o milho””

      Hum… Mas ó minha Senhora, quem é que tem a pachorra suficiente para se dedicar a tal caça ?

      Nessa matéria sabe-se bem que muitas vezes as aparências iludem…

    2. Clara, estou habituado a concordar consigo mas neste ponto isso não acontece.
      Em Portugal são raras as mulheres que na política se conseguem impor pela sua forma e diria mesmo pela sua competência. Acho que JAD é uma delas.
      Não gosto dela, não gosto do estilo e não apostaria nela. De qualquer forma temos de reconhecer esse mérito.

      1. Concordo, André. Se ela não tivesse carisma e não se destacasse da maioria cinzenta, o PS não teria ido tentar aliciá-la. Também não gosto dela, irrita-me a petulãncia e aquela pose de superioridade permanente. Mas lá que dá nas vistas e tem presença, lá isso…

  3. Incrível! Foi convidada, é inegável, e agora caem-lhe em cima os áulicos do convidante, só porque ela não aceitou entrar no jogo.
    O pior cego é, realmente, o que se recusa a ver.

  4. Nesta coisa toda, o que é deprimente é o facto de ser APENAS mais um exemplo de como esta rapaziada faz das instituições públicas uma espécie de mercadoria para toda a espécie de transacções.
    Como é óbvio, os protagonistas da historieta são completamente irrelevantes; amanhã serão esquecidos e trocados por quaisquer outros. Logo, os comentários centrados nos protagonistas estão inevitavelmente condenados a evocarem conteúdos que são especialidade de uma imprensa orientada para interesses excessivamente mundanos e leitores um pouco fraquitos de cabeça.
    O que derreia é o espectáculo de uma democracia completamente refém de videirinhos que fazem da coisa pública a “coisa nossa”.
    É que nem percebem. Acham normal.

      1. Embora não tenha memória de um tão furioso despudor e tamanha impunidade na história da democracia portuguesa – deve recordar-se daquele episódio em que dois (2!) ministros foram dispensados porque um deles “meteu empenho” para que a filha pudesse dar entrada na faculdade… – inclino-me a concordar consigo; não é de crer que este estado de coisas esteja para acabar.
        Mas é precisamente por isso e precisamente aí que a cidadania deve ser mais activa, cevando um clima de opinião capaz de tornar politicamente insustentável o role das impudências. Dizer que “não vai acabar” é assegurar-lhes um lugar na normalidade das rotinas.
        Eu não tenho qualquer dificuldade em imaginar que estas “ofertas” sucedem em diálogos tão sórdidos quanto aqueles que podemos ler na imprensa em resultado de escutas judiciais como o havido entre aquela criatura de Braga e o Zésito.
        É a mesma coisa, rigorosamente a mesma coisa; num caso são terrenos, no outro “institutos”, “entidades reguladoras”, conselhos de administração, “consultores”, “senhas de presença” a 5000 euros por reunião, “pareceres jurídicos” ruinosos perpetrados por autores que permanecem na anonímia do “segredo de estado”, …, …, …, …
        Há um caldo de cultura que se presta a conluios com este estado de coisas – “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte …”, é o que diz a “sabedoria” popular –, que o dá a perceber como uma qualquer fatalidade histórica, uma especificidade regional como a siciliana.
        Não é. O país não é fatalmente assim e não tem dinheiro para continuar a sê-lo.
        Todos estes episódios deviam ser tratados pelo que são: atentados à democracia.
        Penso muitas vezes que o ideal seria um blogue especificamente dedicado ao arrolamento da canalha e das respectivas malfeitorias.
        Feito com todos os cuidados e garantias de contraditório, mas … por ordem alfabética.

        1. Tem toda a razão: não é de crer que esta falta de pudor esteja para acabar, mas dizê-lo não pode ser o mesmo que aceitar. É bom, na medida das possibilidades de cada um, ir denunciando os casos, para que não nos habituemos a conviver com esta “anormalidade normal”.

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