
Vampire Weekend é um agrupamento musical – do qual nunca ouvira falar. Virão a Portugal actuar – como noticia a SIC Notícias. Acontece que a notícia de que aqui deixo ligação teve uma formulação anterior publicada – da qual deixo imagem. Demonstrando que é uma notícia escrita de modo automático (o tal GPT).
É fácil apontar a um qualquer “estagiário” – versão “pós-moderna” do bode expiatório. Mas é evidente que não é esse o problema. A imprensa nacional não age nem, de facto, reage diante das mudanças actuais. Tecnológicas e outras. Faz uma mera navegação de cabotagem. Soçobra.
(Criticar por criticar?, dizer mal por dizer mal? Não. Aludo a uma “notícia” sobre um grupo pop-rock. Atente-se como a indústria musical, que foi a primeira área comunicacional a sofrer o embate do furacão tecnológico digital, se conseguiu reconfigurar. E isso não foi feito reduzindo-se a estas pobres artimanhas…)

Já que falas em SIC Notícias: miserável, o tratamento ontem dispensado à morte de Nuno Portas no Jornal da Noite.
Vinte segundos.
Não por ser “pai de X ou Y”, mas por ser um dos mais prestigiados arquitectos portugueses (e professor de Arquitectura) do século XX, galardoado com o Prémio Valmor.
Vinte miseráveis segundos.
Nuno quem?… terão dito
Entretanto aqui fica, para registo futuro, o título do Observador sobre o mesmo tema: rreu-o-arquiteto-nuno-portas-aos-90-anos/
«Morreu o arquite[c]to Nuno Portas, pai de Miguel e Paulo Portas, aos 90 anos»
E a entrada da peça repete a ideia, não fosse o burro leitor não entender à primeira:
«Morreu o pai de Paulo Portas, Miguel Portas e Catarina Portas. O arquite[c]to tinha 90 anos»
https://observador.pt/2025/07/27/mo
Típico jornalismo sem memória.
O senhor tinha 90 anos, quase 91? Ui, querem lá saber. Só pode ser conhecido por ser pai de X ou Y, nada mais.
Nem um dos melhores arquitectos portugueses do século XX, nem galardoado com o Prémio Valmor, nem professor universitário em Belas Artes e Arquitectura, nem antigo membro do Governo, nem um dos mais afamados especialistas em planeamento urbano.
Que obras deixou? Digo, da autoria dele e apenas dele. Quando procuro vem sempre o nome de Teotónio Pereira: uma igreja em Lisboa, Olivais.
Pesquise melhor e verá.
Se não quiser pesquisar habilita-se a jornalista da SIC ou do Observador.
Pois é esse o problema. Pesquisa-se, pesquisa-se e não se encontra. Mas se me indicar uma obra da autoria dele, só dele, diga que eu terei gosto em ver. Mas sim, é muito conhecido em Lisboa.
Tão conhecido no Porto como em Lisboa. Aliás foi no Porto que viveu quase sempre desde 1983, leccionou Arquitectura na Escola de Belas Artes portuense e foi presidente da Faculdade de Belas Artes do Porto.
Arquitecto premiado, urbanista consagrado, professor, formador, investigador, pensador.
Merece muito mais do que os miseráveis 20 segundos que a SIC ontem lhe dedicou.
Se fosse um futebolista da segunda divisão inglesa o canal da família Balsemão dar-lhe-ia mais destaque.
Isso tudo eu li.
Se não está na internet é porque não aconteceu
Pois é. É chato. O homem é uma referência, foi um teórico, pensou isto, pensou aquilo, influenciou, foi um mestre, mas obra mesmo, dele e só dele, é que ninguém me consegue dar um exemplo.
Pois na RTP1 foi bem mais do que vinte segundos, e pareceu-me bem conseguida. Não foi nenhum documentário, evidentemente, mas o mais importante estava lá.
Na RTP e na TVI.
A SIC concedeu-lhe apenas 20 segundos certamente por recear “dar palco” a um familiar muito próximo de um comentador da concorrência.
Miserável mesmo.
O que bom, a Lola vem a Portugal. Não fazia ideia. A notícia dos vampire deu jeito.
A imprensa nacional não existe para dar notícias. Existe para fazer politica.
Caro jpt, estamos perante uma ameaça de proporções inimagináveis com o advento, e o desenvolvimento acelerado, da IA. Temo que o jornalismo pare de pensar e entregue à IA o trabalho de dar notícias, por enquanto comezinhas, para depois avançar para reportagens mais elaboradas, acabando a emitir opiniões e dirigir políticas e políticos. Não sendo catastrofista, temo que a indolência que paulatinamente se tem vindo a instalar em todas as actividades do “homo sapiens” se socorra cada vez mais do facilitismo com que a tecnologia nos seduz e, como diria Brecht, quando dei por isso já não pensava.
É o triunfo do puro cabotinismo em todas as áreas, que creio ter já ultrapassado o ponto de não retorno.
Não sei se o Carlos Arnaut terá lido, mas se não, atrevia-me a recomendar-lhe o artigo de Pedro Meira e Cruz, “IA na Saúde: Quando a própria Inteligência Artificial alerta para os seus perigos”, publicado hoje no i (online).
É de ficar com os cabelos em pé. Se o facilitismo da tecnologia seduz, não é por falta de avisos das Cassandras do passado e do presente; e até da própria tecnologia que assume explicitamente a sua irresponsabilidade, em sentido forte, nas consequências que advenham das suas “consultas”. Com óbvia razão.
Parece-me evidente que a catástrofe já se instalou entre nós, talvez porque, de facto, os seduzidos nunca tenham pensado verdadeiramente, daí nem darem conta de terem deixado de o fazer. Provavelmente até se convencem de nunca terem pensado tanto e com tanta facilidade.
“Parece-me evidente que a catástrofe já se instalou entre nós, talvez porque, de facto, os seduzidos nunca tenham pensado verdadeiramente, daí nem darem conta de terem deixado de o fazer.”
Conclusão brilhante, como de resto todo o seu comentário, mais ainda depois de ter seguido a sua recomendação e lido o artigo “IA na Saúde: Quando a própria Inteligência Artificial alerta para os seus perigos”. O modo sistemático como o autor conduziu a inquirição à IA consegue revelar à saciedade os perigos a que não só os incautos estão sujeitos, já que a informação gerada pode ser falsa e traiçoeira pela irresponsabilidade dos algoritmos que estão na sua génese.
Vão vir tempos conturbados, espero que esta ferramenta do progresso não nos atraiçoe, fazendo-nos desconfiar do que vemos e do que lemos.
Ainda vamos acabar na candonga, a traficar pelas esquinas notícias isentas de Ingerência Artificial e a vender enciclopédias velhas ao miligrama, eheheh.
Muito bom!

Merecem bem o fim que vão ter !
Nem com os indevidos subsídios directos e indirectos do PS e PSD lá vão.
Mas a cereja no topo do bolo seria a privatização da RTP para dar cabo de vez dos lobis da “informação’ que se alimentam do nosso dinheiro.
Antes o ChatoG que usarem simplesmente o tradutor, como há tanto tempo acontece
99% dos meus colegas de faculdade copiavam nos exames e não tinham pruridos nenhuns em assinar trabalhos nos quais não participavam ou até nos casos mais habilidosos em pagar a outras pessoas para os fazerem. Não me admira que façam o mesmo quando começam a trabalhar e que recorram aos mesmos métodos pela vida fora. É essa a sua formulação ética principal: o safanço.
Basta ver, aliás, como rigorosamente tudo o que as televisões e os jornalistas apresentam como muito original é copiado de coisas que foram feitas lá fora.
Sabe que uma das mais fundas desilusões da minha vida foi quando descobri que se copiava na universidade, e muito? Pode rir-se, mas é mesmo verdade. Tanto que quando também descobri (usando o método experimental) que muitos professores avaliavam os testes “por amostragem”, nem sequer lendo a maioria – a menos que o estudante reclamasse… -, o choque até nem foi por aí além. Condizia. E confirma que quem recorre ao “método” em estudante continua a fazê-lo pela vida fora.
O que me traz à lembrança o que considero ser a maior aberração de todas neste capítulo: aquelas classes de licenciados em Direito, formandos no CEJ para futuros magistrados, juízes e procuradores, que são apanhados a copiar nos testes. Em 2011, fizeram-no em massa, mas nenhum foi expulso e ainda menos impedido de prosseguir na profissão de julgador das desonestidades dos outros. Devem estar agora a pregar grandes raspanetes moralistas a velhinhas que roubam cremes de 1,99€ no supermercado.
Eish, em 200 estudantes, encontramos logo aqui exatamente aqueles únicos 2 que não copiavam nada de nada. Qual a probabilidade disto acontecer!?
Não sei em que universidade estudaram os meus caros mas, no início dos anos 2000 pelo menos diria que 99% é um claro exagero. E, quanto aos professores que nem sequer avaliavam todos os testes então vai para além do exagero. Pelo menos recordo-me de ter professores que até iam ao pormenor de descontar parte da pontuação do aluno por ter um cálculo terminado em 1.5 bar ao invés de 1,5 bar (até se punhamos pontos ou vírgulas eles viam). Tive uma colega que chegou a chumbar a Cinética Química com 9,3 no exame exatamente porque a prof lhe descontou meio valor num caso destes. Batota existe sem dúvida mas também não exageremos nem pensemos que somos nós os únicos puros que não a fazemos.
Fico feliz pelas boas experiências académicas do caro Lopes; e suponho que considerar que o que eu disse sobre a avaliação dos testes por amostragem “vai para além do exagero” seja força de expressão, uma vez que não tem como confirmar ou infirmar a minha experiência pessoal – o que, até como homem de ciência, deve prezar antes de tirar conclusões. Pelo menos, espero que sim. Como disse, testei a hipótese e confirmei-a sem margem para dúvidas.
Pois eu nunca copiei durante o meu percurso escolar e académico porque, de facto, nunca precisei, não por questões de pureza moral. Copiavam por mim, não sei se…? E o choque que descrevi deveu-se sobretudo à vergonha de ver gente adulta a ser expulsa da sala e ter o teste anulado como se fossem miúdos da preparatória… Porque nem no liceu vi copiar tanto, com tanta incompetência e com tanta desfaçatez – talvez por serem maiores de idade já não teriam medo que os pais os pusessem de castigo?
Claro que temos sempre a classe de magistrados de 2011 para nos consolarmos, os exagerados e os bonacheirões, não é? Pois é.
Gosto muito de Vampire Weekend.