O estilo


Paulo Gorjão,

"Já houve tempos em que ganhar o Nobel da Paz era mais difícil. Hoje, como se provou esta semana, é possível fazê-lo mesmo com uma carreira curta e poucas acções concretas."

 

Quem diria que um artigo que começa desta maneira tem como tema futebol? 

12 comentários em “O estilo”

  1. Deve ser o estilo de quem quer fazer currículo junto do Ricardo Costa e pensa que quem compra o Expresso é uma elite planetária por contraponto aos que lêem o Record , a Bola e etc…
    O princípio da adequação no seu esplendor pateta.

  2. Como é que eu podia esperar que o inevitável não surgisse? Nobel da Paz e futebol? Claro. Tem tudo que ver.

    O autor que faz a feliz associação faz também uma notável caracterização de Budapeste: «Sem categoria, sem capacidade, sem Mundial. Budapeste já foi a capital do futebol, hoje é um bairro de lata feio, sem alicerces e sem saída.» É assim mesmo, Victor Ferreira: até a tolerância e o respeito têm limites. Uma capital sem futebol é como o deserto da Margem Sul: nem a aeroporto tem direito. Jamé.

  3. Eu costumava indignar-me com a omnipresença (e com a omnipotência, mas isso é outra questão) do futebol em todos os assuntos, dos mais evidentes àqueles em que não se entende a ligação, por muito que se tente. Agora já não me indigno, acho só ridículo. Caracterizar uma cidade magnífica como Budapeste desta maneira, só por não ter “mundial”, é de uma saloice atroz. Quanto ao Nobel, não tarda nada alguém sugere que se crie um para os clubes de futebol ou para os futebolistas. É uma questão de tempo.

    1. Do testamento de Alfred Nobel: “the person who shall have done the most or the best work for fraternity between nations, for the abolition or reduction of standing armies and for the holding and promotion of peace congresses”

  4. Não chega a ser refinado, mas prefiro mil vezes isto ao 4x3x3-com-extremos-abertos-contra-o-5x3x2-com-um pivot-defensivo-volante. De resto, o que vejo por aqui é o reflexo de o futebol ser demasiado parecido com Deus: gera devoção cega entre nos crentes e desconfiança entre os intelectuais.

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