Parece-me evidente que uma pessoa que tem um espaço de opinião que assina com o seu nome tem todo o direito de falar ou escrever sobre o que bem entender. Esse direito não diminiu se resolver empenhar-se numa causa em que tenha interesse pessoal – directamente ou por via do primo, da namorada, da participação accionista, sei lá eu. A opinião não está sujeita às regras do jornalismo, como se sabe.
No entanto, a opinião – e o interesse do seu autor na posição que defende – também podem ser objecto de notícia. Só faltava não se poder revelar que fulano que "veste a camisola" de uma situação concreta tem uma ligação afectiva ou familiar ao assunto! Este conhecimento não retira força aos argumentos do opinion maker, mas dá ao leitor a possibilidade de os digerir como bem entender. Arrepia-me constatar que há quem defenda a criação de cortinas de silêncios politicamente correctas, excluindo o público mas alimentando o can-can das redacções.

Ena! Depois da notória ausência, vê-se que andaste a respirar bons ares! Ideias ainda mais arejadas do que antes? Hehehe…
Olá, João. Voltei à bloga com a sensação de que, ao contrário de mim, andaram todos a inalar fumos de vulcões.
Ah! A vulcanização da blogosfera agita tanto as parcas lagoas de opinião sensata!…
Estou inteiramente de acordo contigo, Cristina.
É óbvio que a opinião não se rege pelas mesmas regras que a notícia e que ninguém – por qualquer ligação que tenha – fica impedido de opinar sobre qualquer matéria, ainda que relacionada com as pessoas a quem está ligada. Isto, enquanto o sítio onde escreve e o sítio onde polemiza o permitirem, por acharem que é uma opinião qu traz mais valia à discussão.
E também não vejo onde andou mal o Expresso nesta matéria.
Mas há o outro lado: há pessoas que estão de tal forma ligadas aos factos sobre que opinam, que acabam por perder discernimentoem em qualquer discussão, ao recusr ver que o outro lado pode – pode – ter aguma razão e que os argumentos do outro ldo podem – podem – ter razoabilidade e são admissíveis.
Ora, quando as pessoas perdem essa capacidade, eu continuo a achar que têm todo o direito de opiniar. E eu fico com todo o direito a achar ue a opinião delas não me interessa nada.
São as escolhas. As nossas vidas não são feitas de escolhas?