O Funeral da Rainha e o Futuro


jpt,

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Sentei-me a ver o funeral “da” rainha. Zapping – estações árabes (Aljazeera), “europeias” (Euronews), espanholas, francesas, britânicas (claro), norte-americanas, alemãs, portuguesas, italianas e decerto que tantas outras, às quais não tenho acesso, mundo afora a transmitirem o funeral em directo. Quando a rainha nasceu a Grã-Bretanha era o maior império do mundo e quase ainda se poderia dizer a “Rule Britannia, (Royal Navy) rule the waves”. Não é o caso agora, o país e sua “armada” algo secundários – mas menos do que poderá parecer aos distraídos, mostra-o o espantoso impacto mundial do dia de hoje.

 

Impressiona-me a enormidade e o rigor de todo este aparato mortuário, uma riqueza simbólica cuja miríade de detalhes, decerto que desejavelmente significantes, me escapam. Uma monumentalidade faraónica, exclamo sem o mínimo menosprezo, nesta atenção longamente planeada pela transição para um Além. Um Além que é, crenças religiosas à parte, o Futuro, este pensado como corolário de uma continuidade, transportada em marcha lenta mas nunca imóvel.

 

Quem se recusa a entender isto, entrincheirado em questões de “regime” ou em atoardas politiqueiras, nada entende de política. E de cidadania. Li há dias que um pobre “mestre de pensamento” português, de extracção enverhoxista ou quejanda, clamou ser ter sido mais influente e frutífero Godard do que Isabel II. Como é que há gente que ainda lê e ouve este tipo de argumentação? Somos nós filhos/netos de Darwin, Dickens, Stuart Mill, Turner ou de Vitória? Isto será questão a colocar por quem pense política, História ou, pura e simplesmente, a vida? Então para quê aturar esta encenação? Não a da realeza. Mas sim a pobre encenação de um pensamento crítico…

42 comentários em “O Funeral da Rainha e o Futuro”

  1. Sim, jpt, parecia o funeral, ou como devia ter sido, de um Ramsés.
    Tem sido tudo elogios à Rainha Isabel II, provavelmente até seria candidata, não sei se a Coroa Britânica o permite, a Prémio Nobel da Paz.
    No entanto,m por causa de um governo de ditadura militar e de uma campanha eleitoral Conservadora, a Rainha teve de declarar guerra à Argentina por causa das Ilha Malvinas.
    Não fora essa assinatura belicista entraria directamente no céu, mas não vai ficar um minuto ou dois à espera por o Papa já lhe ter predoado.

    1. Para além desse renhanha videlista, de facto fascista apesar dos ademanes esquerdalhos, fica-lhe o registo da até abjecta ignorância, típica dos anónimos da sua laia: para ascender a um tal de céu a rainha não tem de “predoada” (como atamanca você) pelo Papa dado que não era católica. Ou seja, quer dizer mal da Thatcher, da “direita”? Aprenda a escrever, vá ler um bocado. E, já agora, depois assine os dislates a que se atreve.

      1. Qual ademanes esquerdalhos por ser ‘ditadura militar’ e eleições da Thatcher da ‘direita’, qual quê, O céu dos católicos e dos anglicanos é o mesmo, e sendo a Rainha a representante anglicana e o Papa o representante católico na terra, provavelmente falaram do assunto, quando:
        “O encontro da rainha com o pontífice argentino ocorreu um dia após o 32º aniversário do início da Guerra das Malvinas (também chamadas de Falklands) entre a Grã-Bretanha e a Argentina e em meio a relações tensas entre católicos e anglicanos.”
        Dislate? Dislate de quê?
        A assinatura da declaração de guerra à Argentina, ou no caso só lhe deram conhecimento?
        O ir para o céu perdoada por o Papa ser Argentino?
        Ter um funeral parecido com o de um Ramsés?
        José João Manuel António Fernando Duarte Francisco Vitor Artur Joaquim da Silva, tem de ser com os nomes todos, por da Silva haver muitos.
        nota: sem ter a pretensão de escrever como jpt, muito longe disso, todas as palavras estão escritas em português, excepto Thatcher por ser um apelido que faz parte do nome de uma pessoa e a tradução para palha podia não ser correcta.

        1. O tal de “céu” será o mesmo mas o Papa não é o pica-bilhetes dos anglicanos… Enfim, “predoemos” então aos falecidos as suas falhas terrenas. E enfrentemos as dos vivos.

    2. Aceita-se porque é a tradição, a cultura, a educação, a tradição do povo inglês. Admiração pela maneira como prestam tributo à sua rainha morta. À sua Rainha.
      Em Portugal há três dias de luto. E porquê? Isso é que não se percebe…

    3. #…a Rainha teve de declarar guerra à Argentina por causa das Ilha Malvinas…”, escreve este letrado comentador.

      Obviamente a Wikipédia está sempre errada: “…The Falklands War (Spanish: Guerra de las Malvinas) was a ten-week undeclared war between Argentina and the United Kingdom in 1982 over…”. “…The conflict began on 2 April, when Argentina invaded and occupied the Falkland Islands,…”.
      Quanto à actual Op. Militar Especial: “…Hostilities were initiated by Russia shortly after Ukraine’s…”.

      Este letrado anónimo devia escrever à Wikipédia para que esta realize as devidas correcções, pois certamente também afirma, na linha da “operação militar especial”, que foram os ucraneanos que invadiram a Federação Russa… sem lhe declarar guerra.

      1. A Rainha como chefe de Estado foi informada da acção militar da Inglaterra contra a Argentina por causa da tentativa de ocupação das Malvinas.
        Foi como uma declaração de guerra, e que veio a acontecer contra os Argentinos.

  2. povo que considera que as constituições não servem para coisa alguma
    e não necessitam de eleições quinquenais

      1. No contasteis jamás con un alma noble,
        Y por tanto hoy fracasa vuestra previsión.
        (Abre su mesa-escritorio, saca dos pistolas,
        deja sobre ella una y carga la otra.)
        ROBERT. “Poder de las conveniencias”

  3. Faria muito melhor se pensasse no seu país e falasse nos nossos problemas.

    Também sabemos que cá não interessa haver pluralidade de assuntos pois são quase sempre os mesmos que tem o direito de escrever. E depois falam no que acontece em certos países quando cá também há controlo da informação.

    1. Pedro Correia, por favor, vem buscar isto para “comentário de semana”, de mês até… A SAPO (para além de outras plataformas de blogs) é gratuita. Basta criar um blog e escrever o que se quer. E este des(en)graçado vem aqui carpir que “por cá não interessa haver pluralidade de assuntos pois são quase sempre os mesmos que tem (sic) o direito de escrever” e que ainda por cima “depois falam no que acontece em certos países quando cá também há controlo da informação”… Isto já será assunto para o SNS?

        1. Cheira-me a controleiro, dos que medram no latifúndio da Atalaia. Furioso por não terem convidado o amado czar para as exéquias de Londres.
          Deixou aqui um fedor putinesco.

    2. Subscrevo e assino por baixo o comentário deste Anónimo. Este blog no fundo é uma câmara de eco da direita portuguesa. Estão no seu direito, claro está. Mas talvez fosse boa ideia saírem da toca e verem como o resto das pessoas pensam. Depois ficam surpreendidos quando o PS, que está longe de ser perfeito, tem maioria absoluta. Eu não fiquei surpreendido.

      1. Ó diabo, ó Outro Anónimo, “eles andem aí” e eu nem me tinha apercebido. Obrigado pelo aviso… Vou passar palavra aqui aos outros

        1. jpt, eles andam aí e caem na armadilha que nem tordos.
          Bastava um aviso: não se aceitam comentários sem ser ‘gosto muito do que escreveu’ ou ‘faço minhas as suas palavras’.

          1. Anónimo, não aponho qualquer aviso. Uma coisa é a discordância argumentativa face ao conteúdo dos postais. Outra coisa completamente diferente são os dislates a propósito dos postais (exemplo? eu falo do conteúdo político de uma cerimónia fúnebre e um imbecil vem saracotear que a rainha conduziu uma guerra nas Malvinas/Falkland – alhos e bugalhos, para firmar uma patética atitude que se julga contraditória). E depois há outra coisa, que já aqui disse e basto repeti: o meu visceral desprezo pela gentalha que anda pela internet a fingir que argumenta sem ter a decência de se apresentar. Já nem nos jornais desportivos esta escumalha é aceite, ao que vi recentemente.

  4. Mais interessante seria estimar quem terá sido a personagem menos importantes para a História Universal (das quatro que se seguem): a Rainha Victoria, Michael Faraday, James Clerk Maxwell, Charles Darwin?

      1. Exactamente, tem tudo a ver com a imprensa “people” e pouco com outra coisa. Olhe o casamento e o funeral da princesa Diana. Foram multidões e a moça não era rainha, nem tinha celebrado qualquer jubileu.

        1. sim, as multidões pululam. Lamento, entendo-o, que tenha incompreendido não ser disso que trato no postal. Mas, enfim, se julga necessário aqui escrever que não percebeu um texto tão curto e simples assim seja.

          1. Não sois o único incompreendido, caro jpt. Acabo de ler um artigo sobre «o funeral da Rainha e o Futuro », I mean, “en direct du Moyen Âge”, que abre com uma frase lapidar cujo sentido escapou, hélas !, aos leitores: «Le corps gît. Depuis onze jours, qui semblèrent une éternité.» A “gaucherie” das duas primeiras frases é uma pista, mas a falta de referências é o que é. Eu sozinho não chegava lá…

            Quanto ao Xico, deixa-o lá! Queria uma rainha sem pompa, o insolente.
            Mas quando morre uma Rainha, tens de servir uma pastelada pomposa porque se lhe tiras isso não resta mais nada à coitada. É elementar, meu caro Xico.

            1. Miguel, é isso mesmo: a monarquia é pompa – é isso, é-lhe o cerne, um ritual, continuado. E neste caso elevado a um nível de complexidade (completude, se se quiser) extraordinário. Interessante. Sou republicano, não tenho nem interesse nem paciência, pela “vida social” dos aristocratas, desde a falecida Diana até aos baronetes do liberalismo, não passei os últimos dez dias a olhar para o que se passava na G-B. Sentei-me ontem e vi um bocado deste exemplo máximo de ritualização do político. E julgo muito pobre que o Xico ou prof. Loução tenha estes reflexos de impensamento (como quando pendeu para a ETA militar saindo do parlamento por causa da visita do rei, não-eleito, Boubón, uma cena absolutamente patética – como o passado espanhol mostrava e o futuro comprovou). E julgo muito fraquinho que diante disto me venham falar de uma campanha eleitoral que tenha levado a rainha a uma guerra nas Malvinas. Ou que venham dizer que isto é ser de “direita” (como se a ritualização da política fosse de “direita” e não de “esquerda” ou “centro”). É o típico vácuo…

  5. PS: em finais dos anos 60, o casamento do Godard com Anne Wiazemsky, sobrinha do Mauriac, foi um sucessão da imprensa “people”. Vai daí, o fulano chateou-se, fez “La chinoise” (Mao Mao) com a moça, fundou o grupo Dziga Vertov. A coisa foi de tal modo escandalosa que as almas ingénuas e singelas nunca mais quiseram saber dele. E isto tudo foi com um fulano como o J-LG que nem sequer conseguiu qualificar-se para aquele concurso com o Darwin e o Faraday.

  6. As TV’s têm de “criar ou aproveitar factos” como o nosso Presidente-Jornalista noutras eras, pois têm 24 horas para encher.
    Em parte como mecanismo defensivo copiam-se uns aos outros reforçando continuamente uma ocorrência entrando em monomania.
    Isto também permite não falar nas coisas incómodas para os diversos governos agora que a aliança jornalismo+politica se tem reforçado para níveis só vistos em ditaduras.
    É preguiça e economia também. Esta monomania momentanea permite escapismo, não ter que fazer muito trabalho de casa sobre outros assuntos.

    1. lucklucky, o plural de TV é TVs.
      Mas, você sabe o que são agências de informações que vendem as notícias, reportagens e fotografias a várias cadeias de TV por vários países.
      Em 2004, estava nos Paises Baixos e num pequeno Bar de portugueses havia dois aparelhos de televisão: um dava a RTP internacional e outra a RTL. Quase em simultâneo deram a mesma notícia com a mesma reportagem, até o texto da notícia era igual lido em português e em francês.

        1. Mas TV não é uma sigla, é uma abreviatura de Televisão.
          E TV’s é uma estrangeirada que quererá dizer ‘da TV’ e não o plural de vários canais de Televisão existentes.

    2. não é só isso, como é evidente. A monomania interna é evidente. Mas o facto – é disso que trato no postal – da atenção ser global é significativa. E só uma pirraça pode justificar a negação disso.

  7. Mais lixo televisivo servido em doses absurdas para o povinho deglutir de forma compulsiva, apenas e só. Compreendo que os bifes queiram homenagear a “sua rainha” sendo que eles lá sabem porque razão ainda sustentam esta aberração político-social que é a monarquia.

  8. Aguarda-se, se possível, uma palavra de apreço pela família real da Guiné Equatorial, que acaba de abolir a pena de morte. É poucochinho, mas já é qualquer coisa…

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