O Instituto Nacional de Estatística acaba de comunicar que vai alterar o método de recolha da informação sobre o desemprego. Incansável na sua luta pela qualidade da informação que disponibiliza, o INE decidiu substituir a recolha presencial de dados por entrevistas telefónicas. Para justificar esta medida, são elencadas várias razões. Umas mais atendíveis do que outras. É razoável admitir que o contacto pessoal, sobretudo nas grandes cidades, seja cada vez mais difícil. Claro que o contacto telefónico também pode não ser fácil (os telefones fixos são cada vez mais raros, os móveis são de utilização instável) e que a fiabilidade da informação obtida telefonicamente não parece ser igual à que resulta de um contacto pessoal. Aceita-se, todavia, que pode existir aqui uma vantagem. O que não se pode admitir é a consequência da alteração do método. E esta é, nem mais nem menos, a impossibilidade de comparar os dados históricos, recolhidos com o método anterior, com os que vierem a ser obtidos em 2011. Estamos a falar de dados importantes e relevantes. Se não fosse esse o caso, não se justificaria que o INE perdesse tempo a recolhê-los e a inovar. E a possibilidade de comparação é tão ou mais importante do que o conhecimento de valores instantâneos. Ora, quem trabalha com sistemas de informação sabe que é de elementar bom senso, quando se altera o método, estabelecer um período transitório. Durante alguns meses, o sistema antigo e o novo devem ser executados em paralelo. Tal prática é fundamental para validação dos dados recolhidos ou produzidos pelas novas ferramentas. Deste modo, só uma das seguintes conclusões é possível:
a) a gestão do INE é absolutamente irresponsável por não ter previsto um período de transição em que os dois sistemas deviam coexistir, facto ainda mais grave quanto é certo que nos dizem que a medida está prevista desde 2008 (não faltou tempo para preparar um processo adequado de substituição);
b) o INE está ao serviço de uma agenda política que tem como finalidade a ocultação de dados sobre a realidade do desemprego em Portugal.
Em qualquer dos casos é importante que não nos tomem por parvos.

Penso que a alínea b) e a última frase dizem tudo. Depois fala-se da manipulação de dados que houve na Grécia, como se cá isso não existisse há demasiado tempo e, infelizmente, não apenas no que se refere ao desemprego.
Pois é, Carlos. Resta-nos sempre o Valter Lemos…
Hum… acredito menos em coincidências do que em bruxas…
E fazes muito bem, Teresa.
Provavelmente vão telefonar às pessoas às 8 da noite, para ter mais hipóteses de apanhar “empregados”.
É bem possível, JE. Ainda vamos descobrir que somos uma economia em pleno emprego…
Os métodos do INE têm o aval de Bruxelas, mas está longe de ser a primeira vez que certos dados emitidos causam desconforto, para não dizer desconfiança. Se fosse possível confirmar-se, não seria certamente por incapacidade, mas então só poderia ser por imposição de uma agenda política interna.
Pois…
Rui,
A explicação é apenas uma: o INE não tem dinheiro para realizar as suas actividades normais neste como noutros domínios.
Haveria, portanto, que arranjar uma “inovação tenológica” que, na imagem internacional, nos “cotasse” entre os melhores em inovação/tecnologia, e que, na imagem interna, permitisse ao Governo manter a aparência de que tudo flui normalmente.
Vem aí um Census da população portuguesa e o INE não tem dinheiro para pagar os Kms que as pessoas precisariam de fazer …
Não se admire que o censu seja feito telefonicamente…
Eu dou uma sugestão: atrasem a realização do censo para 2012. Com as medidas de redução de salários já a partir deste mês, garanto que em 2012 seremos menos portugueses (alguns milhares? terão, entretanto, sucumbido) e, reduzida a porpulação, serão proporcionalmente reduzidos os custos de realizaçaõ do referido censo.
Aliás, atrase-se tudo e, talvez, Portugal deixe de ter possibilidade de continuar a existir como País autónomo, embora corra o risco de figurar entre os mais avançados tecnologicamente.
Um admirável mundo novo, AS!