José António Pinto Ribeiro, numa evidente tentativa de dar provas de existência política como ministro da Cultura, promete apressar a entrada em vigor do acordo ortográfico, o que já lhe mereceu o mais que justificado aplauso oficial de Brasília. É uma atitude culturalmente errada, porque ignora as profundas divisões que este acordo tecnicamente insustentável, juridicamente inválido, politicamente inepto e materialmente impraticável tem suscitado na comunidade intelectual portuguesa – e também na brasileira. E é institucionalmente inaceitável, pois ocorre num momento em que o manifesto em defesa da língua portuguesa contra o acordo ortográfico já ultrapassou as cem mil assinaturas, o que obriga a Assembleia da República a agendá-lo para debate em sessão plenária. Dado o ritmo do agendamento das petições populares a que os deputados já nos habituaram, é bem provável que o manifesto acabe por ser discutido no plenário de São Bento só depois de o acordo ter entrado em vigor, o que seria uma demonstração do talentoso intelecto deste ministro. (Será que deverei começar a escrever já inteleto?)
O ‘inteleto’ do ministro
Patrícia Reis,

Devo confessar que desconhecia (falha minha) que José António Pinto Ribeiro era ministro da cultura.
Ministro da Cultura? Ele já falou tanto no acordo ortográfico (as poucas vezes que se dá por ele) que parece mais ser ministro do acordortografiquês…
Este ministro da Cultura tem-se batido muito com o do Ambiente, para ver qual deles fica com o papel de homem invisível.
Se é para fazer asneiras dessas, mais vale que continue invisível.
Já nem me lembrava que tínhamos um ministro da cultura…
Esse cavalheiro que prometeu fazer + com menos – afinal faz – com o mesmo !
O que dizem, agora, os seus adoradores que profetizaram um revolução na Cultura em Portugal ?
Sabiam que Cultura vem mesmo da raíz Agricultura, semear para colher, não é ?
A todos os títulos miserável o que esta legislatura fez à Cultura e ao Humor: o zero mais invisível e servil. E como não era para ser este Pinto Ribeiro, mas outro, nada mais natural que esperar que passe o erro de casting e, com ele, tal embaraço cultural supremo. Tempos de vazio e de mediocridade. Portugal já foi Grande e Muito Mais Respeitável.
“Será que deverei começar a escrever já inteleto?”
A mim é extremante estranho o “aspeto” de tal grafia.