O ‘inteleto’ do ministro


Patrícia Reis,

José António Pinto Ribeiro, numa evidente tentativa de dar provas de existência política como ministro da Cultura, promete apressar a entrada em vigor do acordo ortográfico, o que já lhe mereceu o mais que justificado aplauso oficial de Brasília. É uma atitude culturalmente errada, porque ignora as profundas divisões que este acordo tecnicamente insustentável, juridicamente inválido, politicamente inepto e materialmente impraticável tem suscitado na comunidade intelectual portuguesa – e também na brasileira. E é institucionalmente inaceitável, pois ocorre num momento em que o manifesto em defesa da língua portuguesa contra o acordo ortográfico já ultrapassou as cem mil assinaturas, o que obriga a Assembleia da República a agendá-lo para debate em sessão plenária. Dado o ritmo do agendamento das petições populares a que os deputados já nos habituaram, é bem provável que o manifesto acabe por ser discutido no plenário de São Bento só depois de o acordo ter entrado em vigor, o que seria uma demonstração do talentoso intelecto deste ministro. (Será que deverei começar a escrever já inteleto?)

8 comentários em “O ‘inteleto’ do ministro”

  1. Devo confessar que desconhecia (falha minha) que José António Pinto Ribeiro era ministro da cultura.

  2. Esse cavalheiro que prometeu fazer + com menos – afinal faz – com o mesmo !

    O que dizem, agora, os seus adoradores que profetizaram um revolução na Cultura em Portugal ?

    Sabiam que Cultura vem mesmo da raíz Agricultura, semear para colher, não é ?

  3. A todos os títulos miserável o que esta legislatura fez à Cultura e ao Humor: o zero mais invisível e servil. E como não era para ser este Pinto Ribeiro, mas outro, nada mais natural que esperar que passe o erro de casting e, com ele, tal embaraço cultural supremo. Tempos de vazio e de mediocridade. Portugal já foi Grande e Muito Mais Respeitável.

  4. “Será que deverei começar a escrever já inteleto?”

    A mim é extremante estranho o “aspeto” de tal grafia.

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