Ó Manuela! Deixou cair um papel…


Carlos Barbosa de Oliveira,

Como é que a apurada, isenta e profissional investigação de MMG não descobriu isto?

É o resultado que dá confiar no jornalismo zarolho, que só revela o lado da notícia que  lhe interessa.

25 comentários em “Ó Manuela! Deixou cair um papel…”

  1. Fui ler. Mais uma vez vem o argumento de que o facto do projecto ter sido chumbado duas vezes demonstra que houve exigência na aprovação.
    Eu, que dei um parecer negativo sobre o projecto, fundamentei o parecer numa interpretação jurídica da aplicação do PDM.
    Acontece que durante todo o processo essa fundamentação nunca foi contestada (até pode estar errada, mas até hoje nunca a vi contraditada).
    Por outro lado o centro comercial abriu (como aliás é habitual em Portugal) sem licença.
    Por fim, há um conjunto de medidas cuja execução deveria ser prévia à abertura (e paralelas à construção) que ou nunca foram executadas ou foram-no muito tardiamente por pressão da Comissão Europeia e após uns autos.
    Com todo este historial ler o que está escrito nessa notícia só tem uma explicação: alguém não soube ler os papéis.
    Se foram os peritos, se foram os jornalistas, não sei.
    Lembro que logo após as primeiras notícias foi garantido que o processo tinha tido uma tramitação como qualquer outro.
    Penso que hoje está mais que provado que teve uma tramitação excepcional.
    O que levou quem garantiu a garantir uma coisa tão obviamente falsa?
    henrique pereira dos santos

    1. Agradeço o seu esclarecimento. No entanto, lembro que aquilo que se andou por aí a insinuar , foi que Sócrates teria recebido dinheiro debaixo da mesa e essa tese cai por terra. Mesmo não simpatizando com Sócrates, o que mais me incomodava era pensar que vivia num país em que o PM era corrupto. Esse foi o cavalo de batalha às sextas-feiras, fundamentado numa investigação que se começa a perceber-para quem ainda não tivesse percebido- era muito pouco isenta e um exemplo de mau jornalismo.

      1. A mim procupa-me muito mais o mau governo que o mau jornalismo.
        Sobre o assunto, aliás, já em Janeiro escrevi este post:
        http://ambio.blogspot.com/2009/01/para-que-complicar.html
        Como verá pela leitura do post, já nessa altura o foco era este, o do mau governo. O resto para mim é matéria de polícia que nunca comentei.
        Agora não percebo por que razão não considera também mau jornalismo esta peça que cita e que, de forma muito evidente, contraria os factos.
        henrique pereira dos santos

  2. Isento e imparcial é a investigação de Carlos Rodrigues. Que assinou esta notícia:

    http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1346569

    “Sócrates vai ficar de fora da acusação do caso Freeport”

    “A acusação no caso Freeport deverá abranger apenas os arguidos já constituídos. […] Porém, o entendimento dos investigadores é que os governantes apenas tomaram determinadas decisões, tendo em conta os pareceres técnicos que os serviços lhes apresentavam. Daí considerarem ser desnecessário ouvir Silva Pereira e José Sócrates. Da equipa do Ministério do Ambiente de 2002, só Rui Gonçalves, antigo secretário de Estado do Ambiente, foi ouvido como testemunha.”

    Contudo:

    http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021&contentid=C6A3F043-2DB9-4566-B5F9-71B663DBFF87

    “Freeport: Silva Pereira ouvido após as eleições”

    e:

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1399638&idCanal=12

    Freeport: polícia inglesa confirma pagamento de “luvas”

    “Isto porque a investigação que está a ser conduzida em Londres descobriu vários depósitos em contas abertas em paraísos fiscais britânicos que envolvem alguns dos suspeitos já constituídos arguidos em Portugal. Há também três novas figuras, cujos nomes não são avançados. De acordo com o mesmo jornal, assim que a polícia inglesa enviar as novas provas que agregou ao processo, as autoridades portuguesas deverão constituir mais dois ou três arguidos.”

  3. “É o resultado que dá confiar no jornalismo zarolho, que só revela o lado da notícia que lhe interessa.”

    toda a gente ja percebeu, que a partir de agora o Caso FreePort passa para a alçada do Diario de Noticias! o farol da liberdade de expressão e imprensa em Portugal, segundo josé socrates…

  4. No meio do texto da edição em papel do Correio da Manha está escrito que não foram detectados movimentos suspeitos nas contas de José Sócrates e dos seus familiares. O Público esqueceu este pequeno detalhe.

    1. Pois é maloud , mas está a ver, se o Publico escrevesse isso, a notícia perdia todo o picante – é assim mesmo, liberdade para informar e para ocultar!!! E quem se queixar, já sabe, é socratino .

      1. O socratino não me incomoda minimamente, Ariel. Não direi o mesmo do Público e do seu só cretino director.

          1. Ó Anónimo, não me diga que também é dos que precisam de Ventilan? Vá até à Madeira que isso passa-lhe.

    2. Não é verdade. leia a notícia porque isso está escrito no público com todas as letras.
      henrique pereira dos santos

        1. É provável que tenha razão porque a notícia tem uma correcção às 15h e 59m. Mas como o seu comentário foi às 16h e 30m já não era verdade quando o escreveu.
          Mas acontece, nada de especial, só que deixa de fazer sentido falar de censura, ocultação e por aí fora.
          Mas agora pergunto eu: se não houver dinheiro nenhum a entrar em contas que vagamente se possam relacionar com Sócrates, a família e o PS este assunto deixa de ser relevante?
          Não acha relevante que as tutelas políticas possam ser tão facilmente enroladas pelos seus subordinados? Ou a forma de decisão na administração tem falhas inadmissiveis ou as tutelas são incompetentes (tanto mais que foram prevenidas de que poderia haver pagamentos corruptos associados à decisão, como penso que Sócrates confirmou em determinada altura).
          henrique pereira dos santos

          1. Não, não deixa de fazer sentido. Durante horas o tal pequeno detalhe, acessível na edição em papel do CM, foi escamoteado e quem leu durante esse período não teve acesso a toda a informação.
            E agora sou eu que pergunto: não houve durante meses a insinuação de dinheiro a entrar nas contas do Sócrates, da mãe, do tio, do primo (só ficou de fora o periquito)? E faz-se tábua rasa destes longos meses de suspeições e assassinatos de caracteres e,num passe de mágica, viramo-nos ,ou melhor, viram-se para a incompetência política? Porquê?

            1. Só posso responder por mim, que sobre o assunto só escrevi sobre a forma de decidir do Estado, nunca sobre matérias de polícia (sobre as quais não tenho opinião e muito me espanta que alguém tenha sem ter toda a informação).
              A demonstração é este meu post de Janeiro deste ano:
              http://ambio.blogspot.com/2009/01/para-que-complicar.html
              henrique pereira dos santos

            2. Obrigada pelo link.
              Apesar de aqui não funcionar a “marcação” que permite o copiar/colar, li o seu post com atenção. Se o tratamento dado a este caso pelos media, tivesse seguido critérios idênticos, o cidadão comum teria ficado bastante mais esclarecido. Foi pena terem enveredado única e exclusivamente pela baixa política que conduz quase sempre a linchamentos populares.
              Cumprimentos

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *