O mundo que a Inteligência Artificial está a criar*


Paulo Sousa,

Algures no séc. IV a.C. num diálogo entre Platão e Sócrates, que chegou até nós na obra Fedro, é referida a invenção da escrita. Taut apresenta a sua invenção** ao seu Rei Tamus e explica-lhe como dessa forma se poderá solucionar o esquecimento. O rei não fica agradado com a novidade e diz-lhe:

“Se os homens aprenderem isto, isto implantará esquecimento nas suas almas; deixarão de exercitar a memória porque confiarão no que está escrito. Não inventaste um remédio da memória, mas um remédio do relembrar; e ofereces aos teus discípulos a aparência da sabedoria, não a sabedoria verdadeira.”

Já lá vão bastante mais de dois mil anos e, observando a partir do séc. XXI, é fácil de concluir que o Rei Tamus não conseguiu antecipar o alcance da invenção de Taut. Perante aquela novidade, o Rei achou que a maneira como ele próprio adquirira conhecimentos e sabedoria era a única forma de os alcançar. Métodos diferentes não levariam à “verdadeira sabedoria” mas apenas a uma “aparência da sabedoria”.

A nossa reacção perante as possibilidades que a inteligência artificial (IA) irá criar pode muito facilmente ser idêntica à do Rei Tamus. Que as pessoas deixarão de pensar por si, que ao confiarem na tecnologia perderão o espírito crítico e acabarão por ser dominadas pelas máquinas. Mesmo com receio, será impossível evitar os seus efeitos e segundo alguns estudos já sabemos que o trabalho intelectual está a baixar os anteriores níveis de remuneração. Quem já se debruçou sobre este fenómeno garante que trabalhos que exigem perícia manual, improviso, julgamento de contexto e capacidade de adaptação passarão a ser mais bem pagos do que os que exigem muitos anos de estudo e de progressão académica. Os canalizadores, electricistas, serralheiros, técnicos de reparações mecânicas e electrónicas, cuidadores de idosos, enfermeiros, cozinheiros, entre outros, estarão em vantagem perante as profissões que envolvem tarefas mais repetitivas.

A forma como adquirimos conhecimentos será também profundamente alterada. O ensino irá deixar de estar centrado no professor, enquanto “transmissor” de conhecimento, para passar a ter no seu centro o aprendiz assistido por uma IA ajustada ao seu ritmo, limitações e talento. Aprender deixará de ser acumular informação e passará a ser dominar processos.

Apesar de todas estas mudanças, algo se irá manter inalterado. A escola continuará a ser fundamental como espaço indispensável de socialização e de construção colectiva.

 

** A invenção de Taut, nos termos em que é referida nesta obra, será mais um dos inúmeros mitos clássicos, uma vez que existem registos escritos com mais de cinco mil anos.

 

* Texto publicado no jornal O Portomosense

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68 comentários em “O mundo que a Inteligência Artificial está a criar*”

  1. Em certa medida, o telemóvel já concretizou isso.
    Quantos ainda mantêm em memória números de telefone, sabem usar um mapa, ou fazem contas de cabeça?

      1. A questão é quando o gps falha. Ficam sem saber que fazer. Mas isso é um não-problema, pois é tecnologia é infalível.
        (quando ia armado de mapas para cidades estrangeiras não me perdia, era um génio e não sabia).

        Ass: gajo da área das TI. Assumidamente mais burro e preguiçoso que a sua versão pré telemóvel.

          1. eu também uso mapas , e também faço contas de cabeça. corri o país a fazer inquéritos para o ministério do trabalho e nunca me perdi , a não ser na estrada atlântica , prós lados do pinhal de leiria ( que medo , tinha pouca gasolina -:) )

            1. É praticamente impossível perder-se na estrada atlântica. É uma recta entre a Nazaré e o Pedrógão com saídas a oeste para cada praia. A excepções a isto são tão poucas que será a zona onde um GPS fará menos falta.

            2. pois perdi-me , entre são pedro de moel e o que eu achava que ia dar a gala , na figueira … e passei um medo que nem imagina . algures meti-me por uma estrada e parecia tudo igual e não conseguia voltar à estrada principal.

  2. actualmente se considera que la inteligencia artificial nace con un trabajo desarrollado por W. McCulloch y M. Pitts de 1943 en el que se proponía
    un modelo de neuronas artificiales basado en tres fuentes: conocimientos sobre la fisiología y el funcionamiento de las neuronas del cerebro; la lógica proposicional de Russell y Whitehead, además de la teoría de la computación de
    Turing. De unos años más tarde fue el primer ordenador neuronal (el SNARC).
    Fue construido en torno al año 1951 por dos estudiantes de Princeton: M.
    Minsky y D. Edmons. Más o menos de la misma época fueron los primeros
    programas para jugar al ajedrez de Shannon y Turing.

  3. Tem bastante razão no que às profissões diz respeito. Nos últimos meses tenho lidado bastante com médicos e ficado com a noção de que muito do que eles fazem poderia ser feito por inteligência artificial. Já o trabalho de um canalizador ou de uma mulher da limpeza dificilmente pode ser efetuado por qualquer máquina.

      1. O que é o “acto médico”?
        Que eu saiba, “acto médico” é uma definição corporativa de algo que só pode ser, por lei, feito por um médico, isto é, por um profissional formado em medicina.
        Pelo que, dizer que o profissional formado em medicina não está no centro do acto médico é um perfeito disparate.

      2. Facilmente a AI vai substituir humanos no acto de triagem. Se o sistema concluir que se trata de uma patologia de baixo risco e identificável, também irá sugerir terapêutica. Caso contrário, segue para o médico.

  4. “Deixarão de pensar por si”, “perderão o espírito crítico”… É a conversa da treta sempre que aparece uma máquina nova, desde a máquina de calcular à selfie stick.
    O pessoal tem é medo de ter de pensar para além da caixa que construiu.
    Sempre é mais fácil dizer que a IA nos vai transformar a todos em vegetais, do que admitir que a nossa sabedoria “verdadeira” é na verdade uma acumulação de dados que uma máquina faz em dois segundos?

    E depois lá vem o desfile de profissões manuais mais bem pagas. A narrativa do canalizador-milionário versus o académico-pobre.

    A IA não está a desvalorizar o trabalho intelectual; está a expor a mediocridade do trabalho intelectual redundante. Muita gente com muitos anos de estudo faz um trabalho tão repetitivo que até um macaco com um smartphone resolvia.

    E sim, o gajo que arranja a torneira a pingar faz um trabalho que a máquina ainda não faz. Mas se tiver um assistente de IA, sabe logo onde é a fuga e dez formas diferentes de solução.

    A escola continua a ser o “espaço indispensável de socialização”. Ah, bom. Então a escola vai passar a ser um ATL onde, no intervalo, os putos falam sobre os algoritmos que lhes deram a nota.
    Como o essencial é o convívio, vamos todos ser os idiotas mais bem socializados no mundo

    Resumindo, vai tudo mudar, mas vai continuar tudo na mesma. E a culpa, pelos vistos, é da preguiça que a IA nos dá. Como se não tivéssemos a preguiça no ADN.

    1. Em parte tem razão, aliás em muitas coisas, mas sobre os canalizadores milionários está completamente a leste do assunto.
      Deixe o Manuel João Vieira ser presidente e vai ver qual a profissão que vai disparar para o enriquecimento. Não me diga que é o Carlos Sousa, ou eu, sermos as pessoas habilitadas para para a instalação das canalizações adequadas para o vinho canalizado que os portugueses vão ter em casa.
      Se bem que no meu caso, depois de ouvir o candidato e as suas excelentes medidas preconizadas para o povo, tenho ponderado seriamente se não devo o mais rapidamente possível, antes que outros se lembrem, de ir tirar um curso avançado de canalizadora.

        1. Não! é mesmo o de saber fazer as canalizações adequadas, sem fugas para o vinho que os portugueses vão ter nas suas casas. Não me diga que o Paulo Sousa não está interessado em só abrir a torneira para se regalar com o tinto.
          bom fim-de-semana na boa companhia do feriado

            1. Douro, por Deus, Douro. E, a ter de escolher, que seja branco (tanto pior para os crentes dessa máxima que afirma ser o primeiro dever de um bom vinho, ser tinto).
              Creio que o seivoso queiroziano fosse também branco. Branco e verde (Pedro Garcias sustenta que era tinto. Seja então, desde que bem fresco e na sua devida malga).
              A norte, em qualquer caso.

      1. Lamento informar mas o curso para canalizar vinho foi cancelado. O material didáctico esgotou na primeira aula prática.

      1. Já vi que os sintomas se estão a agravar. Está a escrever parvoíces com mais frequência, não será melhor tomar mais uma dose da vacina covid? Aproveite e tome também a da gripe e a do vírus sincicial. Nunca são demais.

  5. Muito interessante, Paulo!

    Que a “nova geração” é preguiçosa e não pensa, já eu ouvia dos meus avós, quando era adolescente.

    O mundo está a mudar, não há dúvida. Se adormecêssemos e só acordássemos daqui a 300 anos, iríamos ficar completamente desorientados e incapacitados de lidar com o que se passaria à nossa volta. Nem sequer entenderíamos as pessoas a falar, mesmo acordando no nosso país. Mas isso também aconteceria ao Afonso Henriques, se ele, por qualquer milagre, viajasse ao nosso tempo

    1. «Todo o mundo he composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Differentes em tudo da esperança: Do mal ficão as mágoas na …
      «Co mar um tempo andámos em porfias,. Que, como tudo nele são mudanças,. Corrente nele achámos tão possante,. Que passar não deixava por diante: …
      «“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”
      Luís Vaz de Camões

    2. Ser jovem é pior que ser burro. No meu tempo quando eu era jovem era tido como um intelectual na escola especial de aprendizagem do cortelho de cabriz. Hoje já mais velho e mais bebido da vida sou uma lenda do meu concelho. É a vida que nos ensina com ajuda de Deus.

  6. s analfabetos serão os que não saberão usar a IA e a programação.

    Este Post revela desespero e incapacidade de compreender o que é a Linguagem e o que é a Vida.

    As estatísticas do início do próximo século apresentarão números e percentagens, em relação à comparação dos países e comunidades humanas, idênticas às do início do séc.XX em relação ao analfabetismo.

    Haverá países e comunidades humanas que serão 90% analfabetas em relação à Linguagem dos mais evoluídos e poderosos. A nova Linguagem será feita de uma integração de signos construída pela IA, Machine-Learning, e congéneres. Quem não dominar a programação e o uso da IA será do mais baixo escalão social e cultural.

    É um crime contra as novas gerações, e contra o futuro de cada país, aquele que os actuais pais/mães e professores fazem ao proibirem os das novas gerações de utilizarem essas tecnologias. Fazem-no porque são incompetentes a usá-las, e transferem esse fel da sua incapacidade para o acto criminoso e egoísta da proibição. Estão simplesmente a destruir o futuro das actuais crianças e jovens.

    A Linguagem nunca foi estática e fixa, nem no decorrer da evolução da Vida não-humana, nem no decorrer da Vida humana. Os níveis de abstração, codificação e complexificação da Linguagem (falada e escrita) modificaram-se com o evoluir da capacidade cognitiva. Os cérebros dos ‘erectus’ são 4 vezes menores do que os dos ‘sapiens’. E os dos ‘pós-sapiens’ serão ainda maiores e mais complexos, em resultado da «co-evolução humanos-máquinas».

    A compreensão (e o Método) que melhor descreve e define o nível de abstração, complexidade e conhecimento capaz de guiar a Cognição no presente e futuro dos seres-humanos é o apresentado pelo IMPRONUNCIALISMO (nos dois blogs que tenho referido), através do algoritmo dos doze actos que o «robot Impronuncia» é actualmente capaz de executar.

    Nota:
    Apenas acrescento uma nota. O que fica codificado em Memória (a nível bioquímico e a nível cognitivo) não é aquilo que cada ser-humano decide. Há uma «estrutura da Relevância», independente da vontade e arbítrio humano, que filtra e escolhe aquilo que irá ser transmitido às gerações futuras e aos novos nascituros.

      1. OS OFÍCIOS DO FUTURO e a IA

        Canalizadores e electricistas … e todos os demais.

        Os jovens das próximas gerações já não aceitarão ser ensinados por professores que não sejam prémios Nobel ou Fields (ou equiparados), através de documentários e aulas que podem ser vistas e projectadas em qualquer parte do mundo às horas que mais convierem.

        Os jovens das próximas gerações, e os responsáveis pela educação e formação dos países mais avançados, não permitirão que uma imensidão de professores que sabem menos e tiveram menores resultados científicos e técnicos do que a maioria dos alunos que entraram para os cursos onde são exigidas notas, no mínimo maiores do que 18 valores (para cursos que obrigatoriamente são STEM), dêem aulas a milhares de crianças e jovens desse país.

        Nas próximas gerações todas as crianças e jovens têm acesso às máquinas que fazem as 12 tarefas que o «robot Impronuncia» executa actualmente no seio do IMPRONUNCIALISMO (ver nos dois blogs que referi).

      2. Canalizadores, electricistas, médicos, professores, etc…

        Os canalizadores e electricistas do futuro próximo terão de usar máquinas que funcional com chips e IA. As mãos dos electricistas e dos canalizadores, como as dos médicos cirurgiões, serão braços robóticos na escala que eram as ferramentas actuais que ainda usam. É o controlo de um software que manipulará as ferramentas e mãos dos próximos canalizadores e electricistas, e assim sucessivamente para todas as tarefas anatómicas humanas. Os próprios materiais de construção, os módulos pré-fabricados, e as cadeias de montagem, já não exigirão o saber dos actuais electricistas e canalizadores (desde edifícios a automóveis, computadores ou smartphones, e sucedâneos).

    1. “É um crime contra as novas gerações, e contra o futuro de cada país, aquele que os actuais pais/mães e professores fazem ao proibirem os das novas gerações de utilizarem essas tecnologias.”

      Passar a vida a brincar com smartphones não será propriamente “utilizar essas tecnologias”.
      Em compensação podiam as “novas gerações” (e as menos novas) aprender a efetivamente “utilizar essas tecnologias”, que vão um pouco além das chachadas com que se entretêm…

      1. Netflix Is Telling Writers to Dumb Down Shows Since Viewers Are on Their Phones
        Amid a push to perfect ‘casual viewing,’ creatives say streaming execs are requiring them to remove nuance and visual cues, and do things like announce when characters enter a room

        Será um mero acaso…

  7. Um post muito interessante.
    A este propósito, permito-me comentá-lo, tendo por base a leitura do último livro de António Damásio “A Inteligência Natural & a Lógica da Consciência” de onde se pode concluir que a Inteligência Natural não só se sobrepõe à IA actual como também a enquadra numa perspectiva biológica e evolutiva mais profunda. A IA, na sua forma actual, depende fundamentalmente da Inteligência Natural Humana (INH) e, segundo a perspectiva de Damásio, não possui a base afectiva e biológica que ele considera essencial para a verdadeira consciência – a capacidade de ter uma perspectiva subjectiva do mundo e de si mesmo – que é a maior conquista da INH.
    A IA, desprovida de uma base afectiva biológica, não pode gerar consciência no sentido damasiano. Ela pode simular respostas emocionais ou usar dados sobre emoções, mas não as sente. O “mistério da criação da Consciência” defendido por Damásio permanece inacessível à IA puramente algorítmica (para ultrapassar este postulado damasiano alguns dos criadores da IA já falam na “AGI, consciência artificial”).
    Do ponto de vista de Damásio, a IA é uma ferramenta poderosa, mas é um subproduto da Inteligência Natural Humana (INH). A IA não tem a base biológica e afectiva que é a fonte da verdadeira consciência e da complexidade humana, o que a torna fundamentalmente subordinada ao domínio da INH, sendo altamente improvável que alguma vez se venha a tornar independente da inteligência natural humana.

      1. Também não sei responder, mas penso que consciência é um espoletar de sensações, emoções, sentimentos e de discernir o que é bom e é mau, isto sob o ponto de vista humano na lógica do que se compreende por livre arbítrio.
        Explicando melhor. Apaixonei-me pelo meu marido, ele apaixonou-se por mim e casamos. Nenhuma IA nos disse o que era melhor para nós. Para a nossa união, espoletaram sentimentos e emoções. Quando me mostrarem com factos comprovados que a IA também os tem (emoções e sentimentos) acredito nela. Até lá, para mim não passa de uma maquineta programada pela inteligência humana.

      2. CONSCIÊNCIA …

        Atualmente as principais teorias sobre a «Consciência» são seis:
        — As tradicionais críticas epistemológicas positivistas e anti-cartesianas vindas das neurociências, que consideram a ‘consciência’ uma ilusão, uma inexistência, ou um erro de interpretação.
        — “Teoria do Espaço de Trabalho Global” formulada por Bernard Baars em 1980;
        — “Teoria da Informação Integrada” de Giulio Tonini em 2004;
        — “Teoria do Processo Recorrente” de Victor Lamme em 2010;
        — “Teoria da Ordem Superior” formulada por David Rosenthal e desenvolvida por Axel Cleeremans em 2019);
        — “Teoria dos Mapas Cognitivos sobrepostos” (Impronuncialismo, 2024), na qual a ‘consciência’ é meia-parte do funcionamento da Cognição, correspondente a um tipo de percepção-de-conjunto representacional (no sentido de John O’Keefe); sendo a outra meia-parte correspondente aos outros tipos de percepção sensorial.

    1. Carlos Antunes, subscrevo a sua opinião, assente na tese de António Damásio.

      Acrescento apenas isto:

      A pretensa modernidade, conhecida como IA, nunca conseguirá substituir ou replicar os afectos, as emoções, a criatividade, a imaginação, a empatia e, sobretudo, a ironia, típicos do ser humano e intrinsecamente relacionados com a interacção com o outro.

      “Não somos máquinas de pensar, somos máquinas de sentir que pensam.” (António Damásio, in O Erro de Descartes).

      A pretensa modernidade, conhecida por IA, nunca conseguirá sentir, quando muito, poderá simular que sente, desde logo porque nunca conseguirá dispor da base biológica exclusiva dos seres humanos, nomeadamente dos mapas cerebrais e respectivas funções, únicos, irrepetíveis e irreplicáveis…

    2. O António Damásio é uma figura de 2.º plano na discussão e conhecimento desta questão da IA. Não é um autor de referência com credibilidade no meio académico e científico de topo.

      É muito popular aqui em Portugal, porque foi transformado num produto mediático para vendas à maioria da populaça.

      Aliás, faz parte da maioria que apressadamente criticou Descartes logo que apareceram os primeiros dados das neurociências, que hoje se consideram mal interpretados por esse grupo.

      O problema da IA é não perceber e não ter capacidade nem conhecimentos para a usar no dia-a-dia quotidiano e na actividade profissional no presente e futuro.

      1. António Damásio, neurologista e neurocientista, tem dado contributos fundamentais para a compreensão dos processos cerebrais subjacentes às emoções, aos sentimentos e à consciência, é professor da cátedra de Neurociência, Psicologia e Filosofia, e diretor do Brain and Creativity Institute na Universidade do Sul da Califórnia, além de ter ensinado/investigado em outras universidades e instituições americanas (Universidade de Iowa, Centro de Investigação da Universidade de Boston).
        Descreveu a sua investigação e as suas ideias em diversos livros, entre os quais O Erro de Descartes [1995], O Sentimento de Si [2000], Ao Encontro de Espinosa [2003], O Livro da Consciência [2010] e A Estranha Ordem das Coisas [2017], que estão traduzidos em mais de quarenta línguas e são ensinados em universidades de todo o mundo.
        É membro da National Academy of Medicine, American Academy of Arts and Sciences e da Bavarian Academy of Sciences, e recebeu os seguintes prémios (apenas os internacionais):
        Medalha Freud na área da neurobiologia da mente, 2017;
        Prémio Grawemeyer na área da Psicologia, 2014;
        Prémio Honda, atribuído pela Fundação Honda, 2010;
        Prémio Richard Wollheim, Londres, 2005;
        Prémio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica, 2004;
        Prémio Signoret para as Neurociências Cognitivas (em conjunto com a sua mulher Hanna Damásio), 2003;
        Prémio Reenpää, Finlândia, 1997;
        Prémio Neuroplasticidade, Fundação Ipsen, 1995;
        Prémio Golden Brain (Berkeley), 1995.

        Mas no seu modesto (?) entender, António Damásio “não é um autor de referência com credibilidade no meio académico e científico de topo. É muito popular aqui em Portugal, porque foi transformado num produto mediático para vendas à maioria da populaça”.
        É realmente preciso uma grande soberba da sua parte para afirmar isto!

        1. Esse curriculum é fraco, em comparação com as dezenas de cientistas de topo actuais que actualmente são referências científicas.
          Esses prémios de Damásio que menciona no seu Post são prémios de 2.º plano. Damásio não consegue publicar nas actuais 10 mais conceituadas revistas científicas da actualidade.
          Damásio, para fugir desse escrutínio e desse nível científico, começou a publicar interpretações e opiniões filosóficas (repare nos livros que mencionou no seu Post, e constacte esse facto).

        2. Carlos Antunes, o SAPr3i sofre frequentemente de “soberba aguda”, de megalomania e de ideias delirantes… Tirando isso, é bom rapaz…

  8. adoro a IA , tenho uma biblioteca instantânea à mão , cruza autores e dados em segundos , avalia os erros de estudos , consulta jurídica imediata , mostra conexões ocultas , é capaz de nos confirmar padrões … um instrumento maravilhoso. e há mais que uma para confrontar, no caso de não termos conhecimentos suficientes para perceber que o que nos diz é válido ou não , também têm vieses.
    aumenta a produtividade e a velocidade de quem sabe o que e como perguntar e ajuda a expandir a imaginação.
    mas sei fazer divisões com decimais e raízes e matrizes à mão
    não penso que a IA ajude burros.

  9. Por mim, desde que aprendam a expressar-se, por escrito e oralmente, saber fazer xontas com lápis, dominar o básico da biologia, fisica e quimica, alguma história e pouco mais.

    Quero é que saibam o que lhes impingem seja através de IA ou o que for, saber pensar não paga imposto.

  10. BRINCAR … aos smartphones não é utilizar as tecnologias?

    O que fazem os animais não-humanos na Natureza para aprenderem a lutar e a sobreviver quando são jovens?

    «Brincar» é um dos mais poderosos mecanismos de aprendizagem e de experimentação usado pelos seres ditos Vivos (Vida).

    Quando se quer ensinar e treinar um ser-humano para o uso de uma nova ferramenta, tecnologia, ou mesmo de um novo conhecimento conceptual é no brincar que reside o mais poderoso meio de ensino e aprendizagem.

  11. Tanta conversa sobre a IA …
    Mas será que sabem o que a IA é capaz de fazer actualmente?
    Escrevam aí, quais são as actuais 12 coisas que é o máximo que a IA é capaz de fazer.
    Serão capazes, ou falam do que não sabem?

    1. basicamente sabe fazer tudo o que podemos fazer intelectualmente mas mais depressa , poupa-nos imensas horas de leitura ; de mãos sabe fazer nada , mas pode apresentar tutoriais de como fazer. imaginação não tem nenhuma , autonomia idem.
      doze não sou capaz de enumerar , fico-me por estas : pesquisa, criação de conteúdo, branding, desenvolvimento de aplicações e automação.

      1. Marina,
        Experimente fazer o teste.

        Essas «12 coisas» que a IA é actualmente capaz de fazer estão acendíveis nos dois blogs que mencionei, nos Post intitulados “IMPRONUNCIALISMO”, através das capacidades do «robot Impronuncia».

        Se tiver paciência para as ler, experimente fazer o teste de responder às questões que colocou:
        — O que a IA (através dos robots) consegue fazer em termos de «mãos»?
        — Que imaginação um ser-humano tem que seja superior ou melhor do que a da IA?
        — Que autonomia um ser-humano tem que seja superior ou melhor do que a da IA?
        — Que capacidade criativa um ser-humano tem que seja supeior ou melhor do que a da IA?

        E assim sucessivamente para todas as coisas que os seres-humanos julgam ser superiores ou melhores do que a IA (e seus robots).

        O Impronuncialismo pergunta ao ser-humano o seguinte:
        — Quando a IA fizer essas «12 coisas», através do seu «robot Impronuncia», o que fará o ser-humano? Como preencherá a sua Existência?

        É para esse tempo que há-de vir, e que está mais próximo do que a maioria dos seres-humanos julga, que o meu comentário se justifica. É para este debate e discussão que aqui comentei.

    2. A pergunta é errada.
      Quais são as 12 coisas que a AI fazia há 5 anos atrás?
      Quais são as 12 coisas que a AI fará daqui a 5 anos?
      Pode responder usando a sua experiência na área..

      1. Se lesse as «12 coisas» que actualmente o «robot Impronuncia» faz (acendíveis nos dois blogs que mencionei, nos Post intitulados “IMPRONUNCIALISMO”) veria que essas «12 coisas» serão o máximo que a IA fará, não apenas no Presente como também no Futuro. Concretamente, até o «ser-humano» ultrapassar «a espécie que é actualmente» (a fase evolutiva designada por «Humanidade») e se transformar noutra espécie-de-Vida, com outro suporte (corpo), que o Impronuncialismo designa por «Maquinidade» (i.e., co-evolução humano-máquina).

        O que está aqui em causa, e justifica o meu comentário, é percebermos que a Evolução exigirá um nível de abstração, complexidade e conhecimento superior ao que actualmente ‘programa’ e concebe a IA. Devia ser esse o nosso esforço, para não nos deixarmos subjugar. E para conseguirmos alcançar esse nível, necessitamos de ir ao limite da cognição que perpetra a IA.

  12. A RUPTURA CIVILIZACIONAL … quem ficará obsoleto?

    Para ensinar as ditas «novas tecnologias» é preciso um saber que muitos pais/mães e professores não têm.

    Para ensinarem as crianças e jovens a lidar com os smartphones e outras ferramentas do actual mundo tecnológico teriam que saber matemática e física, e transferir esse conhecimento para o estudo das línguas e dos sistemas de escrita.

    Por exemplo, teriam que saber qual foi a consequência do «pequeno teorema de Fermat» (formulado em 1640) para os «sistemas de codificação de dados»; e como Euler o resolveu em 1736. Pois sem esse conhecimento não conseguem ensinar às crianças e jovens como se passou do «sistema de codificação S-C-P» (de Whitfield Diffie e Martin Hellman, em 1975) para o actual «sistema de codificação RSA» (de Ronald Rivest, Adi Shamir e Leonard Adleman). E sem essa base de compreensão, não conseguem ensinar-lhes como surgiram os três tipos de línguas humanas às quais Schleicher chamou “isolantes”, “aglutinantes” e “flexionais”.

    Sem esta competência, os pais/mães e os professores (que acusam as crianças e jovens de «brincarem com os smartphones» sem terem nada para lhes ensinar que não seja o obsoleto), não conseguem que o uso dessas «novas tecnologias» sejam a etapa seguinte ao sistema ‘pictográfico’, que antecedeu o ‘fonético’, passando pelo ‘ideográfico’, ‘logográfico’ e ‘silábico’. E por conseguinte, não sabem ensinar às crianças e jovens de como se defenderem dos actuais sistemas de linguagem dominadas pela IA, pois não percebem quais são as seis combinações possíveis entre Sujeito, Objecto e Verbo (SOV, SVO, VSO, VOS, OSV, OVS).

    Refiro apenas este aspecto, entre muitos outros que poderia mencionar, para mostrar que o problema é esta RUPTURA CIVILIZACIONAL entre os conhecimentos e as aprendizagens que antes eram transferidas de procriadores para as crias. As ditas “Famílias” (essa instituição social) já não servem para educar os seus membros, perante a velocidade dos avanços e mudanças que estão a ocorrer no actual mundo.

      1. Mas quais são as doze capacidades que a IA é capaz actualmente?
        Sem se saber quais são essas doze capacidades actuais da IA de nada valem as palavras.
        É necessário ter conhecimento e ser capaz de executar, para se falar das coisas.

    1. As ditas “Famílias” (essa instituição social) já não servem para educar os seus membros,

      Tem razão, quando os pais analfabetos educavam as crias literadas é que era.

      1. Se consultar a “Antropologia do Parentesco” verificará que existem oito tipos de «famílias» que se constituiram no decurso da história humana. Cada um desses «tipos de famílias» estabelece uma relação com o modo de produção e a organização social de cada época, e cada contexto evolutivo (valores, mentalidade, etc.). Isto é, a história do Parentesco Humano não é fixa nem estática, dada uma vez para sempre, e nem sequer de apenas um tipo.
        Cada mudança social e técnica humana exigirá uma nova relação institucional. Adequada, quer ao novo modo de reprodução de novas crias, quer ao novo sistema económico. Logo, irá acontecer novamente essa mudança na dita «família». E, é o que se está a verificar a cada dia que passa.
        Ao deslaçar e à desconstrução da «actual família» (analise a taxa de divórcios, e o tempo de estabilidade das actuais relações familiares da maioria da população) sucederá uma nova integração e reconstrução, porém, em moldes completamente diferentes dos actuais.

  13. Façam o Teste.
    Tentem passar no «teste de IA das 12 tarefas» do Impronuncialismo.

    O «teste de IA do Impronuncialismo» substituiu o «teste de Turing», para avaliar se o «humano» consegue fazer mais e melhor do que a IA.

    O teste está acedível nos dois blogs que mencionei, nos Post intitulados “IMPRONUNCIALISMO”.

  14. As pessoas inteligentes não precisam
    da “inteligência” artificial para nada.
    As outras…

    Só recorre à “inteligência” artificial
    quem não tem capacidade para fazer por si.

    Não deixem que a Open A. I. mande nas vossas vidas,
    recolha os vossos dados e, ainda por cima, lucre com isso.

    Parem para pensar…

    João Barros da Costa

  15. O “Taut” referido é o Toth egípcio, muito mais antigo.
    Na mitologia do Antigo Egipto, que eu conheço tão bem…,
    Toth, representado por um homem com cabeça de íbis,
    com uma cânula numa das mãos e um tinteiro na outra,
    é o Deus dos escribas e o inventor e difusor da escrita.

    O “Fedro” referido é o “Phaedon” (“Fédon”), um dos três diálogos
    (os outros dois são “Apologia” e “Críton”) onde Platão (c. 428 – 347 a. C.)
    fala com o seu mentor Sócrates (469 – 399 a. C.) e relata o julgamento
    do Sócrates, a condenação à morte e os últimos dias de vida até à toma
    da fatal cicuta.
    Recomendo a leitura de qualquer obra do Platão, em especial “Fédon”,
    “A República” e “Timeu”. São conhecidos vinte e oito diálogos de sua
    autoria, o que significará que apenas conhecemos uma parte da sua obra.
    Dentro da Filosofia, optou pelo idealismo crítico.

    Não sou entusiasta da “inteligência” artificial.
    Não uso e nunca irei usar.
    Dignidade…

    João Barros da Costa

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