O ódio ancestral aos judeus


Patrícia Reis,

 

Depois de José Saramago ter comparado a recente ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto, banalizando assim as atrocidades nazis, outro comunista da linha dura, o impagável Miguel Urbano Rodrigues, desbobina o seu vesgo rancor contra o Estado judaico com argumentos muito semelhantes à extrema-direita que faz do anti-semitismo uma bandeira política. Aqui fica parte da sua prosa, debitada num recente workshop realizado no Líbano:

"O bombardeamento e a invasão de Gaza confirmam que o Estado confirma que o Estado sionista de Israel pratica uma politica exterior neonazi.

Uma pirâmide de mentiras sinaliza a estrada do tempo que conduziu a chacinas como as de Sabra, Shatila e Jenin e à construção actual do Muro israelense.

Na base dessas mentiras está o mito básico, aquele que estimulou o regresso dos judeus à ‘Terra Prometida’ dos antepassados.

A esmagadora maioria dos judeus que vivem hoje no Estado de Israel não descendem do povo que invocam. A aventura da diáspora judaica, suporte das teses de Theodor Herzl sobre o ‘regresso à pátria perdida’, foi montada sobre uma inverdade histórica.

(…)

"A agressividade actual dos governantes e militares israelenses não é portanto um fenómeno circunstancial. Tem raízes milenares.

O movimento sionista nasceu ideologicamente agressivo numa época em que contou com a simpatia da intelligentsia europeia e norte-americana, justamente indignada com o anti-semitismo que se manifestava nos repugnantes pogromes da Polónia e da Rússia."

Sobre o recém-empossado Barack Obama, cai de imediato esta peça de artilharia, tambem assinada por Rodrigues: "Nomeou para chefe do seu gabinete na Casa Branca Rahm Emmanuel, um sionista fanático, mantém à frente do Pentágono Robert Gates, outro sionista, e definiu Jerusalém como «una e indivisível." O homem ainda nem começou a governar e já está a levar bordoada da extrema-esquerda mais caceteira…

Urbano Rodrigues, com o seu estilo primário, tem pelo menos o mérito de expor com toda a clareza o que outros pensam mas não se atrevem a proclamar com tanto à-vontade, nomeadamente em certos blogues da esquerda radical: uma feroz aversão à história, à religião e à cultura judaica. Qualquer plumitivo de extrema-direita, de cabeça bem escanhoada, podia debitar umas linhas semelhantes às que transcrevi acima, sem necessidade de alterar praticamente uma vírgula. Os extremos tocam-se. Isso é patente, mais do que em tudo o resto, no ódio irracional e ancestral aos judeus. Já Hitler e Estaline, fanáticos anti-semitas, estavam unidos por esse traço comum.

11 comentários em “O ódio ancestral aos judeus”

  1. Sr. Pedro Correia
    Nem todos pensam como o sr. felizmente , se Israel tive-se a certeza que tinha agido dentro da legalidade não estaria a esconder a identidade dos comandantes militares responsáveis pela chacina de Gaza. afim de os proteger de um Tribunal Internacional.
    Já agora convido V.Exa. para ler o caderno nº 2 do Publico de hoje uma entrevista de um médico Palestiniano que para si deve de ser um terrorista.

  2. bom, a comparares o josé saramago e o urbano tavares rodrigues aos nazis por meia dúzia de frases mais agressivas mas em última análise inócuas, dirigidas ao estado de Israel e não à raça judaica, quem está a banalizar as atrocidades dos nazis parece-me que és tu.
    aliás a frase “o ódio ancestral aos judeus” que titula o post é que é um chavão completamente despropositado, sobretudo quando citas uma frase que inclui a passagem: “contou com a simpatia da intelligentsia europeia e norte-americana JUSTAMENTE INDIGNADA COM O ANTI-SEMITISMO QUE SE MANIFESTAVA NOS REPUGNANTES PROGROMES DA POLÓNIA E DA RÚSSIA.”
    Os gajos, o saramago e o rodrigues, podem ser comunistas primários, mas tu revelas uma capacidade de interpretar um texto que não sei se chega a ser digna do secundário.

  3. Miguel Urbano Rodrigues é um dos casos mais espantosos que se conhecem no domínio do ódio a tudo o que mexe.
    Destilando esse veneno há dezenas de anos, conseguiu a proeza de nunca até agora ter mordido a própria língua.
    Sorte dele, porque de outro modo já estaria há muito a fazer tijolo…

  4. Sobre essa coisa de os extremos se tocarem, passou-se comigo uma coisa curiosa: quando comecei a comentar, n’«O Insurgente », envolvi-me numa acesa discussão sobre este mesmo tema- na altura jurava a pés juntos que o comentarista, que por diversas vezes me pôs ” fora do sério “, era de extrema esquerda; imagine o Pedro o meu espanto quando há tempos vi que tratava de alguém da extrema sim, mas direita…

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