Há 50 anos, quando ainda não falava em socialismo, Fidel Castro lançava a chamada ‘reforma agrária’ em Cuba. Com a promessa de que seria cumprida até à última vírgula.
"Hay que acabar de captar la realidad revolucionaria y aceptar la realidad de la Ley Agraria, que se va a cumplir hasta la última coma y hasta sus últimas consecuencias, sencillamente. No hacemos leyes con el propósito de rectificarlas, sobre todo cuando la hemos estudiado tan bien como hemos estudiado la Ley Agraria [… ] ese criterio firme lo propuse al grupo de compañeros que estaban estudiando la ley, porque para hacer una ley que dejara intacto el latifundio no hacíamos ninguna ley", afirmou Castro em Junho de 1959. Consequência imediata: três quartas partes das propriedades agrícolas foram transferidas dos privados para o Estado cubano.
Meio século depois, estão à vista os resultados dessa formidável ‘reforma agrária’: Cuba importa 60% dos alimentos que consome e mais de 55% das terras aráveis estão abandonadas. A tal ponto que Raúl Castro, irmão de Fidel, diz aquilo que muitos não imaginariam ouvir, na ilha e fora dela: "Os cubanos não têm de se queixar senão de si próprios pela baixa produção agrícola que conduz a frequentes quebras do abastecimento de fruta, vegetais e outros alimentos básicos".
Não só os alimentos estão sob a ameaça de racionamento neste incomparável paraíso socialista: antes do fim do ano pode desaparecer também o papel higiénico das prateleiras já praticamente vazias das ‘lojas do povo’ cubanas. Prepara-se um novo salto qualitativo na revolução: abolir esse símbolo por excelência da sociedade burguesa e das tradições mais reaccionárias que é o rolo de papel higiénico. Para o mesmo efeito, aliás, qualquer exemplar do Granma pode servir: é só uma questão de aumentar a tiragem do jornal, órgão central do Partido Comunista Cubano, sempre atento às necessidades do povo.


antes de ler o texto já me estava a rir da relação do título com a imagem :p
ainda ontem a minha mãe estava indignada porque ela própria se lembra bem de não ter banheira ou papel higiénico em casa e hoje vê estas coisas como essenciais, até disse “que raio, como é que antes nunca tinha passado na cabeça de ninguém que dava mais jeito uma bacia maior para tomar banho ou um papel que não arranhasse e sujasse ainda mais como o jornal?”, ahah. uma vez que se conheça o papel higiénico é difícil voltar atrás, ai deve ser deve.
Por acaso, não acho: uma vez que se conheça o papel higiénico é natural que se volte sempre… atrás.
ok ok, tenho de concordar
A expressão “sempre atento às necessidades do povo” ganha, neste caso, um significado reforçado:)
O ‘Granma’ já é uma porcaria. Se passar a servir para as necessidades do povo só vai aumentar a borrada.
O Granma é uma merda. Só da para borrar ainda mais.