O Nuno Ramos de Almeida, do 5 Dias, recomendou um fascinante artigo da Alternatives Economiques sobre “reformas significativas” que a crise financeira de certo modo traz a debate. As principais ideias? Estabelecer um salário máximo. Suprimir o direito de herança. Obrigar todos os assalariados a sindicalizaram-se. Taxar a 80% os salários mais altos.
Algo me diz que isto já foi tentado, ligeiramente a leste do nosso jardim à beira-mar plantado. E reza a lenda que não correu lá muito bem.

Pois foi. E não correu nada bem, ao que me dizem.
O tom ligeiro fica-vos mt bem. Quando deixarem as piadolas , podemos passar à parte séria da discussão. O quê que não correu bem, para nos encontrarmos atolados na maior crise internacional, desde 1930? E já agora o quê que não correu bem com o 25 de Abril? Preferiam a “evolução na continuidade” que estava antes? É só para saber.
Falta de sentido de humor? Ah! Já sei! O anedotário é um exclusivo de certo blogue…
Caríssimo, confesso que delírios neo-comunistas me merecem apenas um sorriso… A história já se encarregou de nos mostrar que não é por aí, definitivamente.
Quanto à crise internacional actual, uma boa parte da história ainda está por contar. É evidente que o desregulamento dos mercados não funcionou, mas pretender que o falhanço do capitalismo selvagem sanciona um regresso ao marxismo é um “salto mortale” inaceitável. Há muitas terceiras (e quartas e quintas) vias que não passam nem pelo modelo neoliberal, nem pelo socialismo revolucionário. E imagine lá, o 25 de Abril até adoptou algumas delas! Um abraço!
Já agora, aproveito para meter a minha colherada. Fiquei intrigado com o tal «conjunto de políticas alternativas económicas que em conjunto» – não são conjuntos mais? – «transformariam o planeta». Não tanto pelas propostas em si – déjà vu – mas porque elas «seriam uma espécie de reformas revolucionárias».
Foi esta parte que me impressionou. Revolucionárias? Sim, claro. Há mais ou menos um século. O planeta teve até tempo de ficar transformadíssimo: uns seguiram em frente, outros emburraram na cartilha.
A propósito: quem não quiser ler o ‘post’ recomendado (?), sempre pode ver as figuras. No caso, a figura única que está lá à cabeça. Enorme, quase nostálgica, fala pelo texto…