O preço


Paulo Gorjão,

Já não sou propriamente novo, mas continuo a ter imensa dificuldade em me adaptar — e aceitar — a forma como a actividade político-partidária se desenvolve em Portugal. O meu choque centra-se sobretudo em duas vertentes. A primeira é a tendência centrífuga que, no exercício da política activa, favorece de forma avassaladora o pragmatismo em detrimento de um conjunto de princípios e de regras. A segunda é a anulação do indivíduo perante o colectivo.

Como se ainda fosse possível, a observação da actividade política é, para mim, uma fonte constante e permanente de insatisfação, de desapontamento e de desilusão. Não me lembro da última vez em que vi uma tomada de posição de um Governo, de um Parlamento ou de um Presidente da República que me fizesse sentir orgulhoso da minha — da nossa — classe política.

O que vejo, permanentemente, são cálculos pequeninos, muitas vezes prejudicando o interesse comum a favor do interesse particular e doses industriais de pragmatismo.

Um comentário em “O preço”

  1. Tendo eu uma imaginação aceitável e conhecendo bem os mecanismos da centrifugação, consigo procurar um sentido na expressão “tendência centrífuga”. Qual a razão do Paulo para a escrever, porém? Estou curioso…

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