Manuel Alegre, consciência crítica do PS, deu o mote: a nomeação de Domingos Névoa para a presidência de uma empresa intermunicipal com sede em Braga, feudo do dirigente socialista Mesquita Machado, constitui "uma clara falta de respeito por uma decisão da justiça e entra em confronto com os valores éticos e políticos que estiveram na origem da formação do PS e da própria democracia portuguesa”. A direcção do partido, que começara por chutar para canto na pessoa do eloquente porta-voz Vitalino Canas, acabou por emendar o erro, mandatando o ubíquo Augusto Santos Silva para repetir o que Alegre já dissera, antes que o silêncio oficial do PS se tornasse tão escandaloso como a bênção de Machado a Névoa. A nomeação do empresário condenado por corrupção é "profundamente criticável", disse Santos Silva, com muito menos verve e uma dicção muito mais deficiente do que o poeta, em jeito de acto de contrição. Irá agora Mesquita Machado rezar, como penitência, dez padres-nossos à Sé de Braga? Aposto que José Sócrates não lhe exige tanto. Afinal, o autarca bracarense é membro da Comissão Política dos socialistas e não dá jeito nenhum incomodar um dos mais antigos angariadores de votos do partido a seis meses de eleições autárquicas.
O PS a reboque de Alegre
Patrícia Reis,

Verve, dicção e sonoridade, Pedro…
Na política nacional não conheço voz tão vasodilatadora como a de Manuel Alegre! 😉
E o grande vate fez essas judiciosas declarações nas jornadas parlamentares do partido por que é deputado?
Já agora, porque não alargar a penitência aos autarcas laranja que são co-responsáveis na nomeação?
Reboques Alegre
Vamos a casa.
Fazemos orçamentos grátis.
Muitos clientes nos cemitérios.
73 anos de experiência.
Caro Pedro:
Realmente ouvi ontem o “malhador de serviço” falar sobre o assunto, tal como o “provedor das empresas de escravatura seculo XXI”, e estavam mansinhos no tom de voz apresentado, ou seja calculo que estivessem a fazer um frete.
Mas claro, a culpa, foi do PSD, esses malandros!!!.
Será que está tudo porreiro, pá?
Pois é Pedro, pois é.
Embora me pareça não ser uma questão de andar a reboque, porque entendo que a questão é de maior decência. A pouca vergonha que está a tomar conta de todos os níveis da sociedade portuguesa ou muda de rumo ou vai ter consequências desastrosas a breve trecho.
Do mal, o menos. Ouviram Manuel Alegre e corrigiram a mão, mas falta o essencial que é assumirem a ética como um princípio primeiro de quem exerce o poder.
Abraço
“Falta o essencial que é assumirem a ética como um princípio primeiro de quem exerce o poder.” Muito bem dito, caro Luís. Enquanto isso faltar, o desencontro dos portugueses com a política será cada vez maior – com esta política, pelo menos.
Gostaria de ouvir o Presidente da República falar um pouco mais sobre isto. Infelizmente, Cavaco Silva vai-nos habituando a um défice de intervenção. Reparo agora na capa do ‘Expresso’: Cavaco insiste em reclamar sobre o Estatuto dos Açores, como se este fosse o maior problema nacional. Não é, não.
Um grande abraço.
pedro, luis,
creio que existe aqui uma questão que de alguma forma pode ajudar a explicar as dúvidas que vos são comuns, embora em leituras distintas do mesmo problema, a saber:
só poderia um qualquer político em particular cobrar da classe política em geral uma “ética como princípio primeiro de quem exerce o poder.” se esse mesmo político
a) não fizesse parte dessa mesma classe política que vê e trata a ética como bandeira pré-eleitoral que se guarda na despensa durante os quatro anos seguintes:
b) não tivesse rabos de palha nem amigos com rabos de palha nem pertencesse a um partido com telhados de vidro, isto só para evitar repetir a palha mais uma vez…
c) fosse honesto, ínyegro e pusesse de facto os interesses do país em primeiro lugar e antes dos seus próprios interesses, pessoais ou de clã.
os meus amigos estão a ver alguém nessas condições?
vai um abraço aos dois enquanto pensam…
Desculpem intrometer-me, mas eu estou a ver um que deixou de ser deputado por Coimbra e passou a sê-lo por Lisboa para manter o tacho, que empochou uma reforma da RDP por ter lá trabalhado 6 meses, que não põe os pés na Comissão Política de que é membro, nem nas jornadas parlamentares do partido por que é deputado, que dá faltas cirúrgicas na AR, onde se habituou a falar nos corredores para a comunicação social, que desde sempre se armou em superior (são conhecidas as críticas dos tempos de Guterres e os conflitos com Assis quando este foi líder parlamentar), que vai fazer 73 anos, que tem um umbigo de todo o tamanho…
Ando perto?
E não é que me puseste mesmo a pensar, Rui?
(Gostei mesmo desta tua visita.)
Abração