O que eles disseram de olhos nos olhos (8)


Pedro Correia,

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ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:

«Tenho muita confiança no bom senso, no equilíbrio e nas escolhas muito inteligentes que os portugueses vão fazer [a 18 de Janeiro].»

«Precisamos de ter sensibilidade social e de equilibrar o sistema político. Sou o único candidato que pode contribuir para essa moderação e esse equilíbrio.»

«Eu valorizo a estabilidade política tal como valorizo a paz social.»

«Precisamos de ter um Estado eficiente, um Estado organizado, um Estado que funcione. Sinto que o Estado está a abrir muitas frechas.»

«Temos uma cultura de trincheira. Quero promover uma cultura de compromisso para que as pessoas possam viver melhor.»

«Eu não serei um primeiro-ministro sombra em Belém.»

«Ao contrário do meu adversário, eu tenho experiência governativa. Fui ministro do engenheiro António Guterres, foi o único governo a que pertenci.»

 

JOÃO COTRIM DE FIGUEIREDO:

«É um gosto particular debater consigo. É um candidato a quem reconheço qualidades de integridade e transparência, requisitos básicos para quem se candidata ao mais alto cargo da nação.»

«António José Seguro tem querido dizer que é um candidato que pretende ser inspirador – francamente, não tenho visto grande coisa. E abrangente – mas se nem no PS consegur fazer o pleno, dificilmente conseguirá fazer isso no País.»

«Sou o único candidato que consegue claramente transcender a sua área de origem política.»

«O que vai acontecer se durante o seu mandato for eleito um governo do PS? Faz o quê? Demite-se? Os cestos nessa altura já não têm ovos? Essa sua teoria é muito perigosa do ponto de vista do equilíbrio institucional.»

«Os presidentes devem ter a preocupação de colaborar institucionalmente com o Governo e facilitar o exercício da actividade governativa. [Também] devem ser exigentes nas reuniões que têm.»

«Um país que funcione hoje tem de ser também um país que se prepara para funcionar amanhã.»

«A emigração jovem qualificada é um drama nacional. Todos os governos já perceberam que é por causa do IRS – tanto que reduzem o IRS para que eles voltem. Eu preferia que o IRS fosse baixo para que eles não saíssem.»

 

Excertos do debate ocorrido ontem à noite na RTP, com moderação de Vítor Gonçalves.

11 comentários em “O que eles disseram de olhos nos olhos (8)”

      1. Obviamente que é. Logo, estão todas legitimadas. Seja em Gaza, no Vietnam, Coreia, Cuba, Taiwan, Venezuela, Ucrânia, Sudão, Cashemira, Kosovo, Irão, Iraque, Síria, Afeganistão, Hiroxima, Olivença … e todas as mais que hão-de vir.

        Então, porque se queixam, e se andam a acusar una aos outros?

  1. Para quê trocarem olhares, e acusarem-se uns aos outros?

    ESTÁ TUDO LEGITIMADO. Seja o que se fizer. Não é o que está escrito na “Carta dos Direitos Humanos da ONU”?

    Em vez de adoptarem clichés usuais, e irem pelo habitual dualismo dos «prós/contra, esquerda/direita, certo/errado, nós/eles, sim/não», e outros estuporados comportamentos de inferioridade cognitiva, deviam ter a coragem de debater e discutir as verdadeiras causas.

    Por exemplo, sobre o que está escrito na “Carta das (ditas) Nações Unidas” (ONU).

    Já leram?

    Diz-se lá que existe o Direito à soberania e independência das fronteiras de cada Nação e Estado. E ao mesmo tempo diz-se lá que existe o Direito à Auto-determinação para quem quiser destruir esse primeiro direito das soberanias e independências.

    ISTO É, diz-se lá que existem ambos os Direitos: o de defender e o de destruir as fronteiras anteriores. É isto que está escrito, nessa “Carta das Nações ditas Unidas”. Que seria aquela referência da legitimidade da Ordem entre o viver humano.

    PORTANTO, «É» e «não É». Não é o dualismo, de «Ser ou não Ser». Logo, está tudo legitimado. Seja o que se fizer.

    Quando a referência da Ordem e do Direito a nível mundial (a tal suposta “Carta da ONU”) diz que é algo acima do Ser e do não-Ser que legitima os comportamentos, ENTÃO, qual é esse ALGO? Esse ‘algo’ é o PODER (as leis da Natureza e da Vida).

  2. Frechas e Soluções

    Palácio de Belém.
    António José Seguro, observa uma racha na parede com a mesma intensidade com que analisa uma moção de confiança. Ao lado, o mestre Joaquim, de balde na mão, só quer acabar aquilo para ir lanchar uma bifana.

    Seguro: (Apontando com o indicador, voz pausada e pedagógica) — Senhor Joaquim, veja bem estas aberturas. Como eu dizia na campanha, o Estado está a abrir frechas. E eu, como garante da estabilidade e da paz social, pergunto-lhe: o que é que me garante aqui um compromisso de durabilidade? Silicone ou massa de juntas?

    Mestre Joaquim: (Olha para a racha, olha para o Seguro, cospe para o lado) — Ó Sr. Doutor, isso aí é massa de juntas. O silicone é para o polibã. Isto aqui é betume e lixa.

    Seguro: — Massa de juntas… É um conceito interessante. Remete para o equilíbrio, para a coesão das estruturas. Eu fui ministro do Engenheiro Guterres, sabe? O engenheiro percebia de estruturas, mas eu percebo de sensibilidade social. O silicone não seria mais… flexível? Mais adaptável a uma cultura de compromisso?

    Mestre Joaquim: — O silicone não agarra a tinta, Sr. Presidente. Fica aí um nojo. Se quer compromisso, meta massa. Se quer fazer de conta, meta um poster da seleção por cima e já não vê as “frechas”.

    Seguro: (Sorriso contido, olhar fixo no horizonte) — Compreendo. A massa é o Estado eficiente. O silicone é a sombra de um Primeiro-Ministro que eu não quero ser. Mas diga-me, essa massa de juntas… é uma massa de diálogo ou é uma massa de trincheira?

    Mestre Joaquim: — É massa de vinte euros o quilo, carago! Olhe, o seu adversário se calhar vinha para aqui com cimento cola, mas o senhor está aqui a dar-me um nó no juízo que eu daqui a bocado ponho-me na reforma antecipada. Quer que tape o buraco ou quer fazer um referendo ao balde da massa?

    Seguro: — Não é necessário o tom belicista, Joaquim. Eu só procuro a moderação entre o polímero e o gesso.

    Mestre Joaquim: — Deixe estar. Vou meter massa de juntas. Pelo menos essa, ao contrário da sua que é uma seca.

  3. > Todos os governos já perceberam que é por causa do IRS

    Ena, que gente discernida. Há para aí lorpas a dizer que é por os salários serem uma fracção do que lhes pagam em países com IRS mais alto. Mas por cá temos um príncipio que é “não se dar dinheiro a ganhar aos privados”.

    Decerto os lorpas também não alcançam o mérito intrínseco da “paixão pela educação”: formar jovens para exportar, alcançando a dupla meta de falir o país e liquidá-lo demográficamente.

    1. Bom comentário. Cotrim disse um disparate: muitos portugueses emigram para países onde o IRS é muito mais alto do que em Portugal.

  4. A emigração jovem qualificada é um drama nacional.

    Ainda hoje ouvi no noticiário da rádio que a emigração portuguesa atual se concentra em Espanha, Suíça, França e Alemanha e é predominantemente pouco qualificada. Cotrim está desatualizado – atualmente a emigração portuguesa é sobretudo de pessoas pouco qualificadas.

  5. A emigração jovem qualificada é um drama nacional.

    Cotrim, que é um liberal, deveria ter uma visão mais qualificada da questão. Se os jovens qualificados emigram, coisa que fazem em pleno uso da sua liberdade, então é porque vão melhorar a sua vida. Um liberal não tem nada que criticar: se pessoas melhoram a sua vida, isso é bom para o mundo como um todo. Ademais, Cotrim deve saber que, tal como há portugueses qualificados que emigram para fora de Portugal, também há estrangeiros qualificados que imigram para Portugal. Uns vão e outros vêem, e não é certo que Portugal fique a perder.

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