Está a decorrer o ‘Prós e Contras’. Não preciso de estar atento para saber que é mais uma sessão de sinonimografia. Sim, porque a profusão de sinonimógrafos é hoje impressionante e não há ‘Magalhães’ que lhes chegue ao calcanhar. Não passa um dia que não assistamos a várias sessões de sinonimografia, tanto a uma só voz como em coro.
O sinonimógrafo, para quem ainda não souber, é um aparelho com grande sucesso junto daqueles que costumam ter tempos de antena acima da normalidade. O maior detentor de sinonimógrafos é o Estado, que tem uma quantidade deles espalhados por tudo quanto é gabinete. Graças ao sinonimógrafo, toda a gente com tempo de antena passou a dizer sinónimos com a mesma cara que nós, comuns mortais, usamos para diferenciar as coisas.
Nós, comuns mortais, podemos dizer, por exemplo, ‘dia e noite’, ‘TGV e aeroporto’, ‘branco e tinto’ ou ‘preto e branco’, que ninguém estranha. É vulgar. Já os outros, os que têm tempo de antena, dizem: ‘é preciso explicar isto com clareza e transparência‘, ‘espero que funcione com rapidez e celeridade‘, ‘procurámos rectificar e acertar‘, ‘temos de aguardar com toda a calma e tranquilidade‘. Ou ‘com calma e serenidade‘. Ou ‘com serenidade e tranquilidade‘. Graças ao sinonimógrafo, claro. Resultado: esta moda da sinonimofonia que grassa…

Tal e qual, compadre. Estou tão enjoado desse paleio que já nem consigo ver esses programas. Enchi o saco.
É, não há saco. O problema, compadre, é que esta moda estúpida ultrapassa estes programas em larga escala e instalou-se de declaração em declaração, de comuncado em comunicado, de debate em debate.