O super-debate dos minis


João Carvalho,

No regresso do Prós e Contras, os líderes dos mini-partidos procuraram desesperadamente encontrar os seus espaços. Não foi fácil: de cada vez que um tentava expor a sua visão – e com raras excepções – era quase certo que declarava estar «de acordo com o que disse o dr. Garcia Pereira» (Manuel Monteiro incluído). Pode assim concluir-se que, desta vez, quem ficou sem espaço para declarar o vencedor foram os analistas de serviço, pois o vencedor foi escolhido voluntariamente pelos adversários e com o programa ainda no ar: Garcia Pereira, por evidência e exclusão de partes.

Presença curiosa foi Carmelinda Pereira, que teve algumas saídas surpreendentes. Escolho duas. Eis uma delas: «O problema é que não vai ser o POUS a formar governo, porque são sempre os partidos grandes.» Outra tirada extraordinária foi mais ou menos assim: ainda bem que o PCP e o BE já se mostraram dispostos a nacionalizar sectores fundamentais, porque até aqui ninguém tinha falado de colectivização. A figura histórica do POUS está decididamente a perder qualidades.

21 comentários em “O super-debate dos minis”

  1. Eheheheh. Excelente. A camarada Carmelinda anda inconsolável. De facto, é uma chatice esta coisa da democracia: quem forma governo “são sempre os partidos grandes”.
    Não há direito, camarada. Aceita a minha solidariedade. Ainda te hei-de ver a governar Portugal. O dos Pequenitos, à tua escala.

      1. Heheh , João, desde que leio o “Delito de Opinião”, nada é como dantes…Assisti ao debate dos super-mínis ” a encontrar cada expressão mais “gira” que outra, assim como cada míni mais “giro” que o outro:))
        Cheguei a corar e, até, ficar aflita com a atrapalhação de alguns – até me pareceu, Nuno da Câmara Pereira, todo baralhado, eu quando não consigo expressar-me aqui – como estava solidária com ele:))

        Mais ou menos assim:

        José Pinto Coelho – “Portugal é o maior país da Europa contando com a zona exclusiva – o mar”
        “Eles têm propostas aberrantes as nossas são fracturantes”
        Outros : – “O sistema está de pantanas – é uma crise endémica”
        – ” Claro, temos um elenco de prioridades”
        – ” Temos que atacar o problema da imigração”
        Nuno da Câmara Pereira: – “Temos que usar as nossas forças militares para defender o nosso Mar”
        Hoje, à noite, tive alguma dificuldade em aceder ao “blog”a mensagem era “servidor não encontrado”

        1. Boa, Maria. Grande atenção a sua ao ‘P&C’. E boa memória também. Aquilo parecia um circo com caras de enterro.
          Obrigado em nome de todos pela sua preferência.

          (O Sapo às vezes prega essas partidas, mas não costuma ser por muito tempo.)

  2. Tenho pena de não ter visto este convívio dos filhos de um deus menor, mas há um deles que me faz urticária e não me deixa sequer achar graça aos outros. Esquisitices minhas.

  3. A Carmelinda Pereira é um fartote.

    Quando eu era miúda ela morava na minha rua e em tempos de eleições era vê-la de megafone em riste, com uma grande cabeleira e sempre de traje hippie, a descer e subir a calçada, gritando palavras de ordem e nós, os miúdos, íamos todos atrás dela a repetir cada palavra. E as varandas cheias de gente a vê-la passar…
    Ela achava um piadão à miudagem e chamava-nos de canalha burguesa.

    Foi uma imagem que sempre me ficou e quando hoje a ouço na televisão, recordo-a com imenso carinho. É uma Figura, de facto.

    1. Essa lembrança é engraçada, Patti.
      Ela hoje é uma sombra desses tempos. Ou melhor: cristalizou-se aí na política, mas está a perder toda a estaleca. Quem a viu e quem a vê. Parece que esse episódio que aqui nos traz é do tempo em que os animais falavam.

  4. Não vi o debate.
    Pelo que conheço e pelo que o Pedro conta…
    Acho francamente uma pena que estes partidos se convertam numas bizarrias quando podiam desempenhar um papel importante no arejamento e refrescamento dos partidos mais convencionais, chamemos-lhes assim. Mas não, os minis mais antigos são risíveis porque cristalizaram no tempo e até mete impressão falarem como se o tempo não passasse e o mundo não mudasse. Os mais recentes, para tentarem dar nas vistas, saem-se com umas tiradas a maior parte das vezes fora de qualquer enquadramento.
    Podiam ser minis e serem politica e socialmente importantes.

    :))

  5. Os partidos Minis, agarram-se cada qual a um conceito/dogma.
    Faz-me lembrar as religiões; uma exige decoro no vestir, outra os cabelos não podem ser cortados, outra não se pode comer certas carnes, outra relações sexuais para procriar (faz-me lembrar alguém!!!).

  6. Com o tenpo dado a cada partido no debate não se ficava a conhecer nada.

    Mas sugiro que analisem os novos partidos com mais cuidado porque podem encontrar algum com mais consistência do que os velhos partidos. E os velhos partidos estão bastante atentos.

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