Não estava eu perto para olhar, mas ouvi um comentador na SIC-N a falar sobre o papel das empresas na saída da crise, referindo o exemplo espanhol com os seus «grandes gigantes». Esta classificação chega a ser assustadora: há grupos empresariais aos quais não lhes basta ser grandes, nem sequer gigantes; têm de ser grandes gigantes.
Por cá, ao fim de 800 anos de História, da chusma que temos de pequenos anões, raros são os que atingem o tamanho de médios medianos. É verdade que ninguém admite que cresçam muito: a inveja nacional trata logo de achincalhar e desclassificar tudo o que procura destacar-se.
Os dois únicos casos realmente dimensionados entre nós, portugueses, são ilusórios e, sobretudo, não ultrapassam as conveniências: o Adamastor, que encerra o contrasenso de ser uma ficção da História, e o ‘apêndice’ masculino, essa eterna subjectividade que pode muitas vezes não passar de publicidade enganosa. Também, se o Adamastor engrossou a História e foi apoucado, que jeito poderia dar que a outra coisa fosse um grande gigante, não é?
Para entumescer sem fanfarronice e regredir sem sumir já basta a crise que temos, de tamanho variável e um jeito de vai-vem persistente. A nossa crise não é especificamente financeira, económica, social ou laboral. É crónica.

Eheheh. Muito bom, compadre.
Se assim o dizes…
Crónica e idiossincrática.
Idiossocrática?
:)) essa não conheço…
Nem eu!
É crónica, idiotossocrática e de geometria variável.
Socro-quadratura-do-círculo.
João, este post lembra-me uma crónica que escrevi em tempos chamada «Vizinhos, mas de ao pé de casa». A certa altura dessa crónica eu conto uma história (verídica) de uma professora de português que apanhei no liceu (décimo e décimo primeiro anos), em Portimão (deve ser a professora mais famosa de lá, ou talvez até de todo o Algarve). Era muito bem preparada nas matérias, mas isso não impediu que fosse a pior professora que tive (era uma autêntica cobra, ou antes, uma psicopata).
Um dia pediu a um dos alunos (o João Lúcio) que lhe fizesse um retrato físico e psicológico do gigante adamastor. O João Lúcio ficou sem saber bem o que dizer. Ao fim de uns minutos lá arriscou que o gigante «era grande e era monstruoso». A professora interrompeu-o logo, gritando-lhe que se era monstruoso obviamente tinha que ser grande. Foi então que aconteceu uma coisa que nunca mais esqueci. O João Lúcio olhou aquela psicopata bem nos olhos e disse-lhe: «Há pessoas que são pequenas e que mesmo assim são mostruosas.» Foi a única vez que vi a professora sem resposta para um de nós. Não devia medir mais de um metro e meio.
O João Lúcio estava carregado de razão. E este modesto textozito lembrar uma crónica tua deixa-me sem palavras, António.