Obrigada, Ronaldo


Cristina Ferreira de Almeida,

Hoje o rapaz que veio da Madeira encheu-me de orgulho. No meio daquela bizarra cerimónia no estádio do Real vejo-o dar a volta à arena cheia com milhares de pessoas ao som do seu cântico de guerra:

 

"Ja sei que vou arder na tua fogueira

Mas será sempre, sempre à minha maneira

E as forcas que me empurram

E os murros que me esmurram

Só me farão lutar

À minha maneira"

 

A maneira do miúdo é esta. Matar ou morrer. Contra tudo e contra todos. É má literatura? Talvez, mas depois do lambe-botismo de Saramago, ouvir um estádio cheio de castelhanos a cantar Xutos e Pontapés soube-me a Dostoyevsky.

 

9 comentários em “Obrigada, Ronaldo”

  1. Eu ainda não fechei a boca, Cristina: um estádio apinhado para ver um rapazinho ao loooonge, a fazer… nada. Sem espectáculo, sem jogo, sem coisa nenhuma. A mim, a cena soube-me a Voando sobre um ninho de cucos.
    Foi como um “murro que me esmurrou”, à maneira de alguém muito alucinado…

      1. Concordo, Ana. A primeira frase do meu post dizia exactamente que aquele espectáculo foi bastante estranho. Infelizmente não a consigo publicar, não sei porquê, mas já me queixei à “gerência”. Apesar de tudo, senti-me um poucio vingada na cena da musiqueta.

  2. Melhor que qualquer promoção ALLPortugal , foi para lá do despropósito da cerimónia, fazer 80.000 fanáticos da bola escutarem, ou ouvirem, a música dos Xutos .
    Que vendam algumas camisolas e muitas músicas do mais popular grupo português.

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