
Nestas eleições autárquicas em Lisboa a freguesia dos Olivais surge como um “swing state” – desses afamados Estados-pendulares tão ambicionados nas eleições americanas, devido ao peculiar sistema eleitoral daquele país.
Como aqui disse, agora estreei-me, nestes meus 61 anos, na actividade política: independente apontado pela Iniciativa Liberal sou o 17º suplente da lista da coligação Por Ti, Lisboa que se candidata à nossa Junta de Freguesia. No topo da nossa lista está um conjunto de pessoas capazes, com bons currículos profissionais, e que vêm desinteresseiros. Ou seja, estão por cidadania, querem contribuir para a necessária e urgente melhoria do bairro onde há muito vivem. E não para se aboletarem em quaisquer funções autárquicas. Ou destas fazer trampolim para outros poisos.
Neste âmbito tenho participado em acções de campanha, de contacto pessoal. Nessas o vizinhos logo elencam os problemas mais evidentes: a imensa degradação dos espaços verdes sob responsabilidade da Junta; a decadência dos serviços de higiene urbana; a inacção da própria Junta – quantas vezes desrespeitosa dada a total ausência de respostas aos problemas colocados. Em algumas áreas da freguesia – vasta – também se referem as questões do estacionamento e da progressão da EMEL. E muitos resmungam os consabidos nepotismo e clientelismo que grassam na Junta de Freguesia: como nos disse ontem um vizinho, nem particularmente connosco efusivo, “boa sorte, a ver se lavam o nome do bairro!”.
Eu tenho escrito em blogs sobre o bairro, “os Olivais”. Parte dos mais antigos estão aqui. Os mais recentes numa secção deste “O Pimentel”. Não os refiro para reclamar precedentes no diagnóstico. Uso apenas alguns para demonstrar o quão antigos são estes desajustes da Junta da Freguesia, num poder que perdura há já 36 anos: ao “O capim dos Olivais”, sobre zonas verdes, escrevi-o em 2016. Ao “O dejectismo a céu aberto” é de Janeiro de 2017, tal como o “A EMEL nos Olivais”. Sobre a ignorante incúria cultural da Junta deixei há pouco este “Os Olivais e o Futuro”, um texto também retrospectivo. Etc.
Ou seja, estes não são problemas de agora. E os actuais membros da Junta – que se cindiram agora numa lista oficial do PS e uma outra dissidente, sob inspiração da actual presidente, muito devido aos questões judiciais que estão a ser investigadas – não só comungam do conúbio com o velho nepotismo clientelar que ali grassa como da incapacidade para resolverem os problemas da freguesia.
Neste contexto a freguesia dos Olivais pode ser um “swing state”, há uma verdadeira hipótese de se mudar a gestão da Junta. Mas não só por isso. Recordo o que escrevi há quatro anos, aquando da surpreendente vitória de Moedas, em “Os Olivais e a derrota de Medina”.
“O PS e Medina perderam a Câmara Municipal de Lisboa por 2194 votos, não tanto assim. Na freguesia dos Olivais em 2017, e com o mesmo cabeça de lista e já em exercício, o PS tivera 7922 votos. Agora teve 5545. Ou seja, perdeu 2377. Só aqui mais do que a diferença que o fez perder a Câmara. Aduzo que para a Junta de Freguesia o PS em 2017 tivera 8444 votos e que agora obteve 5164, perdendo ainda mais votos, 3280.” E ainda mais, depois deixei os resultados percentuais das eleições locais em 2017 e 2021: PS: 34,7% [53,52% em 2017]; PSD+CDS et al: 24,9% [12,6 % + 7,8%]; CDU: 13,8% [10,5%]; BE: 8% [6,4%]; CHEGA: 6,8%; PAN: 4,5% [3,8%]; IL: 3,4%.
Os números são esclarecedores. Também para as eleições camarárias os Olivais são um “swing state”. O pêndulo decisório sobre quem ganhará a presidência da Câmara decerto será muito bafejado pelos olivalenses.
Nós aqui, os da lista e seus apoiantes, com poucos meios humanos e escassíssimos meios materiais – não temos aquele mítico de perdulário “aparelho partidário” por detrás – mas com muita perseverança e competência, faremos os possíveis.
Se alguém se quiser juntar…
(E para aqueles que me venham com as lérias da “direita” e da “esquerda”, deixo ligação para o meu postal “A Câmara de Lisboa e o país”, de 2019, onde liguei uma entrevista de Fernando Nunes da Silva. Absolutamente devastadora das gestões da tal “esquerda” da autarquia lisboeta.)
(Postal no “O Pimentel“)

Finamente arranjaste tacho. Agora, vamos ter o jpt em festas na alameda da encarnação a comer e a beber como os outros.
O Pedro Correia entretanto assinalou o espantoso número de meio milhão de comentários no DO. Eu não tenho tanta simpatia pelo comentariado. Gosto de debate mas dou-me muito mal com o comentariado anónimo que aqui aporta para meras provocações. O debate é uma coisa, isto é lixo: intelectual e moral, pois anónimo.
Quanto à parvoíce que este “joana constança” aqui bolça expurgo-a assim:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/h a-cultura-nos-olivais-16954673
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/c hamucas-nos-olivais-14023306
Ainda há gente gabarola que olha só para o seu umbigo. Este é o momento de estarmos unidos e preocupados com a nossa Joana Mortágua, por isso o autor deste texto devia retratar-se.
O meu retrato está afixado no meu perfil. Retracte-se dessa crítica.
Pois eu junto-me para o congratular pela coragem de avançar, de tentar “fazer os possíveis”, de enfrentar desconfortos e desconfianças para ter uma voz activa na transformação do seu “pequeno mundo”.
Vozes que de activas é só o trabalho de língua, o diagnóstico selectivo e a crítica refastelada, todos conhecemos e temos.
Sempre admirei quem avança, quem participa, contribui e age, concorde eu ou não com a causa. Allez!
Obrigado. Sim, chegou o tempo de um (modesto) Avante!
Concordo com a Zebra. Parece-me um bom exercício de cidadania e de defesa daquilo em que se acredita, apesar de a causa não me convencer. Que seja uma campanha eleitoral esclarecedora, honesta e leal, da parte de todos os envolvidos.
Obrigado. Quanto à causa que não convence: quebrar um ciclo de 36 (!) anos consecutivos de poder freguês, ineficiente nas coisas do quotidiano vizinho e mergulhado em consabidas (e porventura ilegais, um “porventura” pois os processos decorrem…) práticas de nepotismo rasteiro (abundam contratações de familiares próximos numa junta carregada de funcionários e avençados, especula-se sobre irregularidades ou imoralidades aquisitivas…), é causa que não convence. Sim, não muda o mundo, mas para as “grandes causas” há muitos candidatos…
Confesso que sinto uma certa “inveja” (da boa) relativamente a quem tem causas partidárias em que acredita e defende e, sob esse ponto de vista, o jpt é um felizardo (sem ironia). Em tempos, também já fui uma “crente”, mas acabei por me tornar “agnóstica”…
A minha desilusão em relação aos actuais Partidos Políticos é de tal ordem que não consigo confiar em nenhum deles. Estou realmente fartinha de todos. Por motivos diferentes, estou mesmo fartinha de todos, o que significa que, neste momento, não existe qualquer causa que me convença. Não é só a sua, são também todas as outras.
Mas isso, francamente, entristece-me. Acredite que preferia lutar por alguma causa partidária, em vez de me sentir como uma desanimada que deixou de acreditar…
Caro vizinho, parabéns pela iniciativa, conte com o meu voto. Chegou a hora de acabar com compadrios, mas não consigo deixar de me espantar com a desfaçatez do executivo ainda em exercício ao trasvertir-se, com a Rute no apoio à Crista + a Vanda azul cantora promovida a promotora cultural (?). Como muito bem tem vindo a denunciar, a degradação do “nosso” espaço é bem visível, pelo estado das zonas verdes que desde sempre tanto nos orgulharam, pelo abandono de grande parte de zonas pedonais, ou pelos pavimentos de ruas secundárias, nomeadamente no Bairro da Encarnação, com obras de encher o olho que não cumprem prazos e de utilidade discutível para a comunidade. Uma coisa é certa, como também muito bem frisou, os Olivais têm um peso que pode ser decisivo em qualquer eleição, pelo que a freguesia deve assumir-se como um aglomerado populacional fundamental no horizonte mais amplo da cidade e reclamar port isso a relevância que lhe é devida como autarquia.
Vamos juntos nisso, vizinho. É possível melhorar a situação. E sim, “Lisboa” devia contar mais com os Olivais. Mas que não seja porque aqui habitsm … 32 000 lisboetas
Obrigado vizinho. Esperemos que mais fregueses traduzam o óbvio descontentamento geral numa mudança de votos que permita tentar melhorar isto. Saudações.
Esta deve ser a melhor anedota do ano. No entanto é coerente, a IL é constituída por individuos que não fazem a minjma ideia do país que é Portugal, tal como Milei em relação à Argentina que teve de fugir para o colo de Trump, aos quais acresce mais um que se esqueceu de que viveu toda a vida.
tá bem anónimo