Recordo-me ter lido há uns anos um livro (não me lembro do título) escrito por uma inglesa (não me lembro do nome) que casou com um cidadão do Iémen do Sul. Foi viver para aquele país, teve de se sujeitar à vida de lá, não gostou, queria vestir roupas ocidentais, quis fugir, deve ter levado os encontrões do marido e dos familiares, deixou de poder sair de casa. Um dia lá conseguiu fugir do Iémen, voltou a Inglaterra, escreveu um livro que vendeu bem, ganhou carradas de dinheiro e tornou-se uma espécie de heroína.
Confesso que, quando li o livro, não endeusei a mulher. Instruída, sabia muito bem que, ao casar com um muçulmano, ao ir viver para um país muçulmano, teria de se sujeitar às regras desse casamento, desse país e daquela religião.
Não pretendo discutir se são melhores as regras dos católicos ou as dos muçulmanos. O que importa salientar, por agora, é que são regras diferentes e nem sempre compagináveis numa vida a dois.
Foi apenas isto o que pretendeu – creio – dizer D. José Policarpo. Não vejo, por isso, motivo para tanto bruá. Nem vejo motivo para que a Comunidade Islâmica se sinta magoada. A questão é apenas esta: estará uma mulher portuguesa preparada para viver um casamento segundo as regras do marido muçulmano? E estará um marido muçulmano preparado para casar com uma portuguesa que vive segundo as regras comummente aceites pelo mundo ocidental?
Na dúvida, acho que fez bem D. José Policarpo em chamar a atenção para o facto. Como também acharia bem que o líder da comunidade muçulmana o fizesse.

Vai lá vai, abelha…
Que debate tão interessante! Meus compatriotas “tugas” vá apreendam algo que eu não duro sempre: The Arrivals thearrivals.blogspot.com Aqui meus caros vão compreender o que está em Jogo! O Islão é a salvação Palavra de Muçulmano Português de Gema! Vamos toca a usar o cérebro!
O problema, meu caro J. M. Coutinho Ribeiro, não é exactamente que D. José tenha feito o comentário que fez, que até tem pertinência. O problema são os muitos comentários esclarecedores que D. José Policarpo deveria ter feito sobre a ideologia islâmica e que não fez. Esta falha grave cria um vazio de contexto que o torna patético e expõe à chicana.
O problema é a confusão que o Islão fomenta, e com a qual o Senhor Cardeal pactuou, de que o deus é o mesmo e de que Cristo é profeta do Islão.
Nem uma coisa nem outra. Os deus é outro e chama-se Alá (nome próprio), com caracteríscas muito diferentes do deus do Cristianismo. E Cristo é reduzido a um pobre prestidigitador, a um mágico de feira, no Islão.
O Islão omite todos os grandes desafios que Cristo coloca à consciência humana. Tem mais respeito por Cristo e é mais espiritual um ateu com sincero desejo de fazer Bem e de ser Bom do que todo o Islão.
Querido Amigo M.M . Barreiros, concordo inteiramente consigo.
Também creio que o meu amigo Coutinho Ribeiro acertou na mouche”, ao afirmar que D. José Policarpo fez bem em chamar a atenção para o problema que, com efeito, é escamoteado.
Mas V., meu caro amigo, sabe tanto do Islão e das suas iniquidades, que bem deveria ter feito uma mais longa explanação acerca de alguns “segredos” que o mundo islâmico esconde, mormente aquilo que verdadeiramente se encontra escrito no Alcorão.
Decerto que os leitores deste novel blogue apreciariam a leitura…
Abraço a ambos!
O comentário do D.José é obviamente um comentário de alguém que vê o mundo pelo prisma da religião. Creio que mais do que uma religião o que nos separa por exemplo de Marrocos é o nível de desenvolvimento económico e em particular educacional… será que nos esquecemos do tipo de discriminação que as mulheres sofriam em Portugal há 50 anos atrás?
Quanto ao exemplo do Iemen dou dois contra-exemplos: – imaginem o casamento de uma cidadã do desenvolvido mundo ocidental com um cristão do Haiti ou da República Centro Africana
– imaginem o casamento de uma portuguesa com um bósnio muçulmano
Qual é que acham que tem maior probabilidade de dar problemas?
Por último, coisas bem piores acontecem em Portugal todos os dias… ou já se esqueceram dos casos de violência doméstica e violência no namoro?
Enfim, estas vozes públicas, mesmo que admitindo o seu direito de opinião deviam primeiro pensar um pouco se o que estão a dizer faz assim tanto sentido, depois se estamos em época de conciliação ou de confronto… Ou será que queremos estar em época de confronto? Eu acho que não… mas não sei o que pensa o D.José Policarpo.
“Por último, coisas bem piores acontecem em Portugal todos os dias… ou já se esqueceram dos casos de violência doméstica e violência no namoro?”
A violência doméstica/no namoro é realmente um problema em Portugal. Com uma pequena diferença: aqui, uma mulher que seja vítima de violência ou de abusos sexuais, pode – em teoria e na prática – apresentar queixa, e o agressor/violador será, à partida, julgado por isso. Em várias sociedades islâmicas, a dita senhora levaria pancada à mesma, e em caso de violação ainda se arriscava a ser apedrejada até à morte por uma multidão.
Tem a certeza de que por cá é pior?
«Estas vozes públicas, mesmo que admitindo o seu direito de opinião (…)» Ainda bem que admite, Luís. A sério. Gostei de saber.
Lembram-se do relato de Betty Mahmoody, em « Nunca Sem a Minha Filha »?
Lembrar que há muçulmanos e muçulmanos, nunca é demais…
Já tive ocasião de dizer muito do que penso sobre o caso, em ‘post’ anterior da Leonor Barros. Até porque a notícia em causa é longa e D. José Policarpo foi muito mais pródigo e certeiro nas palavras. Por isso, meu caro, limito-me a assinar por baixo este seu contributo.
Concordo com o que escreveu, na medida em que quem escolhe casar com alguem que e mulcumano tera de estar consciente da cultura islamica, no entanto, o D. Policarpo podia ter sido mais subtil na sua argumentacao.
Esta e apenas a minha modesta opiniao.
Eu não concordo com esta opinião por várias razões. Deixo estas:
– D. José Policarpo não alertou para as diferenças a nível religioso entre uma cristã e um muçulmano. Alertou para o “monte de sarilhos” em que as mulheres cristãs (na verdade católicas, que é no que ele pensa) se meteriam ao casar com um muçulmano. Não só há aqui machismo (os homens não se meteriam em sarilhos?) mas também há confusão. Há diferenças do tamanho do mundo quando se colocam em perspectiva os diferentes ramos do Islão ou o país onde esse casamento tem lugar. Conheci cristãs casadas com turcos muçulmanos e uma muçulmana casada com um cristão. Não lhes conheçoa vida a fundo, mas não me parecem muito ensarilhadas.
– Por outro lado, se a questão é a religião, porque não apontar o dedo ao casamento de uma católica com um judeu (e notemos que pode ser também um ortodoxo ou ultra-ortodoxo), um hamish, um mórmon, um cristão ortodoxo (das diferentes igrejas), um protestante, um hindu, etc, etc, etc… Aqui vemos a falácia da argumentação.
Este post erra ao não distinguir entre diferentes muçulmanos. Um muçulmano bengali nada tem a ver com um muçulmano iemenita nem com um muçulmano português. Casar com um muçulmano està bem… desde que seja um português, ou integrado em Portugal.
Já comentei esta questão noutros blogs. Também eu não vejo motivo algum para tanto alarde. Entendi perfeitamente a mensagem que o Sr. Cardeal Patriarca quiz transmitir e, ao fim e ao cabo, ainda bem que há quem se preocupe e vá avisando. Se quem é esclarecido muitas vezes não tem a noção das consequências dos seus actos e decisões, mais facilmente acontecerá a quem não o é. Também entendi que não está em questão o facto de uma religião ser melhor e outra pior mas sim e tão só no grande fosso que as separa no que respeita as regras de cada uma. Ocidente e Islão, não ligam muito.