Orgulhosamente acompanhados


João Carvalho,

Sobre a notícia de que Portugal poderá ter de pagar muito mais pela dívida externa do que já paga (ou não paga e acumula), o governo correu a explicar que a culpa é da crise mundial, como se o País não andasse já por valores assustadores (e sempre crescentes) há muito tempo. Ainda há dias, na recente entrevista à SIC, Sócrates dizia que a culpa era da importação excessiva de energia, mas agora passou a ser da crise-das-costas-largas.

Esta notícia é particularmente perturbadora, porquanto o País já paga mais pela dívida externa do que grande parte dos parceiros europeus. Mas o governo disse mais: Portugal não é o único país confrontado com o novo agravamento dos juros sobre os recursos financeiros que tem de ir buscar ao exterior. É um alívio saber que não estamos sós. Pobrezinhos, endividados até ao tutano e sem crédito externo, mas acompanhados. E que bem acompanhados: vamos orgulhosamente com outros iguais e piores do que nós.

6 comentários em “Orgulhosamente acompanhados”

  1. Por medidas insuficientes /
    que este (des)Governo tem tomado, /
    nas mãos destes incompetentes /
    mais caro ficará o dinheiro emprestado.

    A crise é a culpada /
    por todo o nosso mal, /
    estes mestres da trapalhada /
    minam a confiança em Portugal!

    O descrédito é monumental /
    nestes “socialistas” no poder, /
    a confiança internacional /
    continuará a decrescer!

    Com uma redução da classificação, /
    o crédito mais caro ficará, /
    pois, a dívida desta Nação /
    tão breve não se reduzirá!

    Um grande aumento tem ocorrido /
    na dívida pública nacional, /
    pois, este (des)Governo não tem desvanecido /
    a nossa “doença” estrutural.

    Em mais de 30 por cento aumentou /
    nos últimos anos, a dívida nacional, /
    mas, o ministro que muito falou /
    não admite este péssimo sinal!

    Fora do euro em breve estaremos, /
    fruto das péssimas políticas orçamentais, /
    depois, todos nós viveremos /
    com moeda feita de outros metais!

    Não temos dinheiro para tanta ambição, /
    de mais obras realizar, /
    outros países têm razão, /
    nos impostos baixar.

  2. Pensei exactamente nessa frase, quando ouvi a notícia: orgulhosamente acompanhados. Agarramo-nos aos companheiros de infortúnio como a uma bandeira, e como se isso nos valesse de alguma coisa.

    1. Estamos sintonizados, Ana. Passamos para o barco que está a ir ao fundo e descemos profundamente solidários com os que se afogam. É certo que ninguém irá safar-se, mas que importa isso, se estamos cheios de razão? Não estava escrito por fora que era um barco salva-vidas?…

      1. Estava, pois. Mas o que não nos disseram foi que o comandante e restantes ratos já tinham abandonado o navio noutro salva-vidas, o único que não irá ao fundo…

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