Sobre a notícia de que Portugal poderá ter de pagar muito mais pela dívida externa do que já paga (ou não paga e acumula), o governo correu a explicar que a culpa é da crise mundial, como se o País não andasse já por valores assustadores (e sempre crescentes) há muito tempo. Ainda há dias, na recente entrevista à SIC, Sócrates dizia que a culpa era da importação excessiva de energia, mas agora passou a ser da crise-das-costas-largas.
Esta notícia é particularmente perturbadora, porquanto o País já paga mais pela dívida externa do que grande parte dos parceiros europeus. Mas o governo disse mais: Portugal não é o único país confrontado com o novo agravamento dos juros sobre os recursos financeiros que tem de ir buscar ao exterior. É um alívio saber que não estamos sós. Pobrezinhos, endividados até ao tutano e sem crédito externo, mas acompanhados. E que bem acompanhados: vamos orgulhosamente com outros iguais e piores do que nós.

Por medidas insuficientes /
que este (des)Governo tem tomado, /
nas mãos destes incompetentes /
mais caro ficará o dinheiro emprestado.
A crise é a culpada /
por todo o nosso mal, /
estes mestres da trapalhada /
minam a confiança em Portugal!
O descrédito é monumental /
nestes “socialistas” no poder, /
a confiança internacional /
continuará a decrescer!
Com uma redução da classificação, /
o crédito mais caro ficará, /
pois, a dívida desta Nação /
tão breve não se reduzirá!
Um grande aumento tem ocorrido /
na dívida pública nacional, /
pois, este (des)Governo não tem desvanecido /
a nossa “doença” estrutural.
Em mais de 30 por cento aumentou /
nos últimos anos, a dívida nacional, /
mas, o ministro que muito falou /
não admite este péssimo sinal!
Fora do euro em breve estaremos, /
fruto das péssimas políticas orçamentais, /
depois, todos nós viveremos /
com moeda feita de outros metais!
Não temos dinheiro para tanta ambição, /
de mais obras realizar, /
outros países têm razão, /
nos impostos baixar.
Fresca, como sempre.
Pensei exactamente nessa frase, quando ouvi a notícia: orgulhosamente acompanhados. Agarramo-nos aos companheiros de infortúnio como a uma bandeira, e como se isso nos valesse de alguma coisa.
Estamos sintonizados, Ana. Passamos para o barco que está a ir ao fundo e descemos profundamente solidários com os que se afogam. É certo que ninguém irá safar-se, mas que importa isso, se estamos cheios de razão? Não estava escrito por fora que era um barco salva-vidas?…
Estava, pois. Mas o que não nos disseram foi que o comandante e restantes ratos já tinham abandonado o navio noutro salva-vidas, o único que não irá ao fundo…
Como diz o outro, “Mal de muitos, consolação de parvos!