A Fundação para a memória das Vítimas do Comunismo divulgou ontem um relatório baseado na maior fuga de sempre de documentos internos das redes policiais chinesas.
Os designados “Arquivos da Polícia de Xi Jiang” contêm dezenas de milhares de registos com detalhes sobre o funcionamento do sistema de campos de internamento chineses, assim como milhares de imagens de uigures detidos, de guardas policiais empunhando armas automáticas, algemando e imobilizando detidos durante as rotinas de segurança do campo.
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Os arquivos também contêm discursos de alguns dirigentes chineses que permitem entender o estado de espírito e a lógica de funcionamento desta perversa rede de campos de concentração. Tudo assenta numa lógica de que determinados grupos étnicos devem ser tratados como criminosos perigosos. Os procedimentos são claros, para evitar fugas do acampamento pode abrir-se fogo sobre qualquer detido que tente escapar-se.
A partir de um discurso do ministro de Segurança Pública revelam-se ordens directas de Xi Ji Ping para expandir este sistema prisional como forma de resolver a sobrelotação da estrutura existente.
A partir destes arquivos é permitido concluir que Pequim tem detidos “mais de dois milhões” de uigures considerados “extremistas”, e portanto, alvos potenciais para a reeducação.
Os registos policiais indicam que numa região administrativa específica em 2018 mais de 12% da população uigur adulta estava detida.
De acordo com o Embaixador Andrew Bremberg, presidente da Fundação para a memória das Vítimas do Comunismo, “os arquivos da Polícia de Xi Jiang provam que os chamados centros de educação vocacional da China são realmente prisões”. “Estes documentos demonstram também que Pequim tem mentido sobre suas graves violações de direitos humanos em Xi Jiang.”.
Estes dados foram autenticados e analisados por Adrian Zenz, um dos principais estudiosos sobre a campanha de internamento de Xi Jiang, assim como por outros académicos que publicam regularmente no respeitado Journal of the European Association for Chinese Studies e ChinaFile.
Adrian Zenz afirma que “estas descobertas são significativas porque nos fornecem directrizes claras de implementação de políticas assim como os processos de pensamento e intenções que os tornaram realidade” e “isso dá-nos uma visão sem precedentes da abordagem das autoridades chinesas assim como do envolvimento pessoal de Xi Ji Ping.”
Ao navegar pelas fotos dos detidos recordei-me dos corredores de fotos expostas em Auschwitz, sendo que perante as imagens destes campos de “reeducação” chineses podemos ver os rostos de pessoas que neste momento poderão estar vivas.
A invasão russa da Ucrânia lembrou-nos como podem ser perversos e atrozes os regimes autoritários e totalitários. Este relatório deve lembrar-nos que as perversas atrocidades deste tipo de regimes não se esgotam nas invasões criminosas de outros países, pois decorrem rotineiras todos os dias, mesmo quando esses países se apresentam como respeitáveis na cena internacional.
As democracias liberais do ocidente têm de ter consciência disto. Só assim se poderão defender da ameaça que estes regimes constituem assim como das tentações autoritárias que dentro delas possam surgir. Estejamos alerta.

os chineses têm graves problemas com os Igures, povo Branco de religião Muçulmana, que fala e escreve em 3 idiomas
O relatório mostra exactamente o contrário.
O Gulag chinês. Existe, cada vez mais repressivo.
Aliás a repressão é uma constante na China. Basta ver os 20 milhões de habitantes de Xangai forçados a permanecer encerrados nas suas habitações devido à alucinada política de “infecções zero” concebida pela ditadura chinesa, com drones munidos de sensores térmicos e polícias-robôs a patrulhar as ruas. Só para que o regime comunista não “perca a face” no combate à pandemia que de lá saiu.
nunca saiu
A pandemia saiu de lá. Espalhou-se pelo mundo a partir da China.
Sim Pedro, o inferno existe e é do lado cá.
os 20 milhões de habitantes de Xangai forçados a permanecer encerrados nas suas habitações devido à alucinada política de “infecções zero” concebida pela ditadura chinesa
A mesma política foi seguida em diversos países europeus. Nalguns deles (não foi felizmente o caso de Portugal), só se podia sair à rua para ir passear o cão. Houve quem arranjasse um cão para ser autorizado a ir passear um pouco.
Sim, toda a gente sabe que “diversos países europeus” fazem como a China: encerram cidades de 20 milhões de pessoas e patrulham essas cidades com polícias-robôs e drones com sensores térmicos para detectarem a temperatura corporal de cada habitante de cada prédio.
Mais uma lavourada para a colecção.
Post de serviço público! Nestes tempos em que há tanta gente a viver confortavelmente em países democráticos (embora desdenhando de tudo) e que bate palminhas ao Putin, talvez porque nunca sentiu no pêlo o que é viver em ditadura, é bom que estas informações sejam divulgadas o mais possível.
Sim Teresa, é fácil apreciar e aplaudir tiranos, mas quando se está numa democracia que nem aos palermas nega a liberdade de expressão.
É isso mesmo, Teresa Ribeiro. Obrigado pelo postal Paulo Sousa.
E , a crueldade e o sadismo para com essas minorias
e para com os presos, quando lhes retiram órgãos ainda
em vida e sem anestesia …O comunismo é uma ideologia
barbara que tem que desaparecer da face da terra para o
bem da humanidade.
E incrivelmente o comunismo continua a ter apoiantes.
Só na China são mais de1400 milhões de uma espécie
de autómatos com cada vez menos qualidades que definem
o ser humano. É assustador chegar a este nível de lavagem cerebral .
Lavagem cerebral e desenvolvimento nunca visto noutros países com cérebros limpinhos.
Com milhões de escravos é natural que a economia
esteja numa situação nunca vista no resto do mundo.
O raio do dólar tem muita força.
Agora é a China.
O que os oligarcas do Putin foram arranjar para acabar com o comunismo.
(por enquanto o Vietname está sossegadinho)
Estas revelações são um verdadeiro murro no estômago de qualquer pessoa que tenha um pingo de humanidade.
É por coisas destas, rotineiras como bem diz, de regimes autocráticos não consigo compreender quem os defende, principalmente por que o fazem no conforto do abrigo dos direitos que as democracias liberais lhes garantem e que tanto parecem odiar. Não consta que apesar deste ódio se mudem para a Rússia e para a China ou para outro qualquer país semelhante o que me parece cínico.