Os candidatos em Pessoa


João Carvalho,

Fernando Pessoa dizia: «Sê todo em cada coisa. Põe o quanto és no mínimo que fazes.» Isto devia ser seguido por todos nós, como é evidente, mas teria especial importância se fosse levado em conta pela classe política, visto cuidar da coisa pública e ter uma visibilidade a que era suposto corresponder o melhor dos exemplos. Infelizmente, não é assim. Hoje em dia, tenho até por provável que haja muita gente em funções políticas que nunca leu uma linha de Pessoa e alguma com dúvidas sobre quem ele teria sido.

Porém, acredito que aquela orientação se aplica muito especialmente em tempo de campanha eleitoral. Até por intuição e para seu próprio bem, mesmo que não esteja muito certo sobre o Autor, cada candidato é todo em cada coisa e põe o quanto é no mínimo que faz em plena campanha.

Eu sei que há quem pense que não, mas é um erro: eles é que não são mais do que isto que se vê…

5 comentários em “Os candidatos em Pessoa”

  1. “Põe o quanto és no mínimo que fazes.”

    Mas… Se eles nada são tal como diz, nada dai resultará…

  2. * “Põe quanto És no Mínimo que Fazes”

    Para ser grande, sê inteiro: nada
    Teu exagera ou exclui.

    Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
    No mínimo que fazes.

    Assim em cada lago a lua toda
    Brilha, porque alta vive

    *Ricardo Reis, in “Odes”

    “O “Pessoano”, Eduardo Prado Coelho (de boa memória) referia-se ao heterónimo Ricardo Reis como – “Amante do exacto”, aquele que prega os ensinamentos firmes e nobres que vêm pela herança clássica do homem, desde os romanos e os gregos (…) “

    Daqui – http :/ omj.no.sapo.pt Forum /poema_para_ser_grande_se_inteiro.htm

    É, sem dúvida, o caminho a seguir – o grande desafio que nos lança o Poeta, assim quiséssemos/ quisessem esforçar-se por alcançar essa “nobreza” de que Pessoa fala e que tanta falta faz, aos políticos, como o João diz… Não será pedir muito, (?) eu fui educada com estes princípios mas cada vez tenho mais dúvidas…

    1. Pois é, Maria. Acabamos por cultivar a dúvida, o que só tem a vantagem de não perdermos o princípio de vista. Mas se cultivamos a dúvida é porque a incerteza foi instalada. E isso aponta para a ausência do princípio. Enfim…

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