Em tempos, existiu uma linha férrea que ligava Coimbra à Lousã. Era gerida como qualquer outra linha férrea: pela CP (mais tarde, pelas estruturas que lhe sucederam, a empresa pública que passou a gerir os comboios e a empresa pública que passou a gerir os carris e restante material, a favor do sistema complicadex).
Um dia, a linha férrea evaporou-se com a promessa de nascer o metropolitano de Coimbra. Logo surgiu mais uma empresa pública com uma capacidade de gestão extraordinária: meia dúzia de administradores e uma dúzia de funcionários, mais-coisa-menos-coisa.
Recentemente, os trabalhos mal iniciados para o metropolitano Coimbra-Lousã foram congelados e a população, que só queria o velho comboio que sempre teve, sentiu-se traída. Sem razão, porque aquilo que não tem, ao que me dizem, continua sob alçada de uma gestão invulgar: meia dúzia de administradores e uma dúzia de funcionários, mais-coisa-menos-coisa.
Todos sabemos que estamos num país surpreendente, em que o factor sorte é essencial para se estar bem na vida. Neste momento, por exemplo, palpita-me que a estrutura do metro de Coimbra possui a equipa mais sortuda do país: meia dúzia de administradores e uma dúzia de funcionários, mais-coisa-menos-coisa, pagos para gerir coisa nenhuma.
Espera-se que não tenham sofrido grande corte nos salários da crise, por causa da concorrência com os imensos nadas nacionais.
Imagem — O ministro Mendonça manda ensaiar
uma linha alternativa para circular em Coimbra


Lembro que no Norte, mais precisamente na Trofa, há um caso semelhante: há nove anos viram ser desmantelada a linha de comboio; há nove anos que esperam a linha de metro. Também eles fizeram boicote.
O exemplo vem da política: primeiro acaba-se com os políticos a sério, depois arranjam-se uns sócrates quaisquer.
Fora o regabofe de dinheiro que se deve ter sumido em: 1. estudos de impacto; 2. indemnizações e expropriações. Sumido na direcção de gente previamente “avisada”, claro.
Etc., etc., etc., mais a continuação de coisa nenhuma que deve estar para durar…
Não me o porquê, João Carvalho, mas este seu post tem qualquer coisa de assombroso, que de repente me fez lembrar Escher: escadas e mais escadas que vão dar a lugar nenhum.
Uma analogia interessante, Fátima, que ilustra na perfeição o meu objectivo.