Os melhores são capazes do pior


Patrícia Reis,

Chamo a isto uma boa surpresa. Um amigo fez-me chegar de Londres um livro que há muito quero ler: The Best and the Brightest, a célebre obra sobre os mil dias do Executivo de John Fitzgerald Kennedy, que reuniu uma das melhores e mais brilhantes equipas governativas de que há memória nos Estados Unidos, como o próprio título indica. Homens como Robert McNamara, McGeorge Bundy, Dean Rusk, Walt Rostow, George Ball.

O livro, publicado em 1972, consolidou a fama do seu autor, o jornalista David Halberstam. E tornou-se uma das obras mais influentes das últimas décadas: garantem-me que é fundamental não só para conhecer a fulgurante presidência Kennedy mas também, de maneira geral, os bastidores da política norte-americana.

Halberstam, que se destacou como repórter de guerra no Vietname e correspondente em Leopoldville, Saigão e Varsóvia, aos 35 anos era já considerado uma lenda do jornalismo estadunidense. Recebeu o Prémio Pulitzer pelos despachos enviados do Vietname em 1962 e 1963 para o New York Times: começava então, em plena era Kennedy, a mais absurda guerra em que os americanos se envolveram em toda a sua história. Os melhores eram afinal também capazes do pior: descodificar esta aparente contradição será, suponho, um dos fascínios do livro que agora tenho entre mãos.

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