
Um homem e uma mulher, adultos e no seu livre-arbítrio, vão a um concerto – namorando. Asnearam, pois foram apanhados juntos pelas filmagens ambientes, transmitidas ali mesmo. Atrapalharam-se – são ambos casados… com outras pessoas. O cantor da banda rock (não do coral gregoriano, note-se) mete-se com eles, alive and kicking por assim dizer, dando uma bronca enorme. Trama o homem, decerto também a mulher. Qualquer tipo que na vida tenha gostado de rock escarra nessa banda e nesse miserável sacristão vocalista.
Mas, e pelo contrário, nestes tempos que correm no Facebook vejo intelectuais, afirmados de “esquerda” – aqueles que antes se diziam “progressistas” e agora se arrotam “decoloniais” -, gozarem o prato. Talvez acicatados por o homem ser rico. Mas acima de tudo: moralistas de merda. O lixo lisboeta – em particular entre o Campo Grande e Campolide – é infindável. E culpam o Moedas por isso…

Começando pela fotografia da capa de um dos muitos livros humorísticos
do grande José Vilhena. Foi bem escolhida. Possuo quase tudo o que ele
publicou, antes e depois do 25 de Abril de 1974. Nunca o conheci. Uma
vez, telefonei para a editora dele (EDIÇÕES BRANCO E NEGRO) e estive
a falar com ele, cerca de uma hora, para tentar convencê-lo a criar um
museu, em Lisboa, com o seu espólio. Ele, na sua exagerada modéstia,
referiu outros caricaturistas (o Vilhena não foi só caricaturista, também
foi um escritor mordaz, perseguido pela P. I. D. E. e pela sucessora D. G. S.,
com muitos livros apreendidos e algumas chatices – “c’est la vie…”). Eu ía insistindo no MUSEU JOSÉ VILHENA e ele ía falando nos outros colegas.
Ainda lhe disse que tinha uma pintura minha (também pinto e faço caricaturas)
para lhe oferecer, mas ele não se mostrou interessado. Sugeri o NOITE E DIA,
um bar-restaurante, a atirar para o alterne (nunca lá fui), mas ele disse que já
não era dele. Por acaso, a tal pintura até tem alguma relação com o meio…
A certa altura, perguntou-me se já tinha o livro JOSÉ VILHENA. Respondi-lhe que ainda não. O livro tinha saído há pouco tempo. Acha que ele me perguntou
para me oferecer um exemplar? Talvez com uma dedicatória e um boneco.
Não. Ele: “Tem de comprar…”. Acabei por comprar o livro em 23 de Maio de 2003,
no CONTINENTE da Amadora, pela módica quantia de 44,10 euros. O autor
é o Rui Zink, a editora é a EDITORIAL NOTÍCIAS (Lisboa) e a data de publicação
é Outubro de 2002. Escusado seria escrever que não fui cravar-lhe a dedicatória
e o boneco… O único herdeiro dele é um sobrinho que foi deputado do PARTIDO
SOCIALISTA. O João Soares, quando foi Presidente da CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA
e, depois, Ministro da Cultura, sendo um confesso admirador e amigo do Vilhena, podia
ter criado o MUSEU JOSÉ VILHENA… Talvez ainda venha a existir… Vamos ver…
Recomendo a entrevista que o Vilhena deu ao Carlos Quevedo e ao Rui Zink e que
foi publicada na saudosa revista K, no número 19, de Abril de 1992. É o volume n.º 4038
do livro da minha biblioteca (mais de dez mil volumes). Nesse exemplar da K pode-se
ver uma fotografia da, ainda, jovem Catarina Furtado (com apenas dezanove aninhos),
na página 5, da autoria da Mariana Viegas. Não, o meu exemplar não está à venda.
Talvez se consiga arranjar um na FEIRA DA LADRA.
Quanto ao casal alegadamente adúltero.
Quem nunca…
Eh! Eh! Eh!
Também vi as imagens.
Vai haver divórcio?
A procissão ainda vai no adro…
Moralistas, como o edil referido, ainda vão havendo.
O “Papa Francisco” deu uma missa no Parque Eduardo VII?
Manda-se tapar o “pirilau do Cutileiro”.
Verdade seja dita, eu tinha devolvido a “obra de arte” ao autor.
Ainda se lembra de quem era o edil quando aquilo foi lá colocado?
Políticos…
A mim, fazem-me rir…
Cumprimentos.
João Barros da Costa
JOAO.BARROS.DA.COSTA@SAPO.PT
Concordo inteiramente. Uma vergonhosa intromissão na vida privada das pessoas, baseada numa gigantesca hipocrisia.
Bom, um sítio um bocadinho público para vida “privada”…
Mas o certo é que foi a espontânea manifestação de vergonha do casal, quase pânico, que levantou a lebre, não foi? Se eles acharam que estavam a fazer alguma coisa de vergonhoso, porque haveria a turba de contrariá-los?
E já agora: o cómico da situação não resulta da vergonhosa intromissão na vida privada de dois pombinhos num concerto com milhares de cuscas moralistas. Resulta da desastrada, por absurda (e hipócrita…) tentativa de se esconderem em sítio tão público. Posso lembrar-me de vários gags em diferentes filmes com cenas idênticas (numa delas, passada num iate, o romeu chega a lançar a julieta pela borda fora, tal a ânsia de disfarce). É quase um clássico. Até no teatro revisteiro era cena apreciada.
Na minha opinião, o que se passou “a quente” no concerto não tem nada a ver com moralismo, tem a ver com aquela lei do humor que postula que há sempre alguém que se entala para outrém se rir.
É certo que eles teriam com certeza escapado se se tivessem mantido quietos, abraçados, como se não fosse nada com eles — as probabilidades de que alguém que os conhece (família ou amigos) os ver naquele meio-segundo de video seriam mínimas.
Mas a questão não é essa — é a exploração estúpida que o palerma dos Coldplay faz daquilo. A música dele é péssima e foleira, mas pelos vistos os seus instintos também são rascas. O moralismo, a correcção, a perseguição e a censura são coisas que os millennials fazem muito bem. Apesar de eu não acreditar em psicologias colectivas nem em traços nacionais nem em atavismos e coisas desse género — existe de facto um traço comum à geração depois da minha que é a falta de sentido de humor, tudo ser moda/narcísico e tudo servir para moralizar (com excepções com certeza). Nisto eu acredito porque essas atitudes são voluntárias, não são traços escondidos na psique de uma geração. Nesses, repito, acredito muito pouco.
Mas lá está, a minha geração (a geração X) é a mais ponderada de todas, ahahah, onde de um modo geral as boas maneiras e a erudição da geração anterior, se aliaram aos valores mais puros da liberdade e à inteligência que vinha dessa atitude. Isto pode parecer uma contradição e alguém perguntará, mas afinal acreditas em atitudes colectivas ou não? Mas não é uma contradição. Na verdade é uma pergunta mal formulada porque há características que não vêm dos grupos propriamente ditos, mas do pano de fundo sócio-cultural de um dado período histórico que tem a ver com a prevalência de um modelo económico e os modos da linguagem, a forma como os problemas são formulados. Mesmo sem acreditar que existem fenómenos verdadeiramente colectivos na sua maior parte inconscientes (tipo, os “franceses são arrogantes” ou os alemães “são nazis”), as condições que determinam chamar-se a uma geração a geração X ou chamar-se a outra a geração Y é precisamente esse conjunto delimitado de condições sociais. E nesse caso, verifica-se que, muito mais nivelada (com menos clivagens sociais) e com muito mais acesso a quase tudo, a geração dos millennials e as outras que vieram depois são as menos cultas, mais narcísicas, as mais individualistas e as menos eficazes — sempre com uma self-righteousness e um moralismo de caracacá que vem das “verdades” falsas que jornalismo inventa as audiências da hora do jantar.
Concordo com praticamente tudo o que diz, designadamente sobre a influência nas atitudes dos indivíduos dos modelos económicos e sociais prevalecentes na sua época.
Praticamente, digo, porque no caso em concreto, ressalvo a certeza do V. em que “teriam escapado” se disfarçassem melhor – por me parecer altamente improvável que num concerto dos Coldplay, com visualizações na internet, de que os “apanhados” na assistência são sempre um petisco apetecido (até no Super Bowl…), fosse agora escapar o parzinho entrelaçado a conhecidos amigos e menos amigos. Não. Foram estúpidos e tiveram azar, está tudo dito. Aliás, o amor não é propriamente conhecido por deixar as pessoas mais espertas, eheheh.
E também não sei se o palerma dos Coldplay terá dito o que disse por moralismo, ou se lhe saiu uma graçola impensada que por azar até acertou… A mim já me aconteceu, sabe?
Anda por aí uma onda neo-puritana nos joves, e os cotas distraídos anda não deram por ela.
No geral, concordo com a análise do autor do texto, mas, e ainda assim, acrescento estas “nuances”:
É praticamente impossível conseguir fugir a algumas vicissitudes da natureza humana: no fundo, no fundo, todos temos um certo prazer sádico em presenciar situações semelhantes a esta, em que um casal, numa alegada relação extraconjugal, é “apanhado” numa manifestação pública de carinho. Face a essa sede de “voyeurismo”, que acomete frequentemente a natureza humana, talvez se pudesse retorquir, em contraponto, algo como isto: “Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra”, ainda que o desejo compulsivo de “atirar pedras” seja muito difícil de travar, na maior parte das vezes.
Mas também não vejo essas duas pessoas como “inocentes” ou como “vítimas”, propriamente ditas: ir a um evento público daquela dimensão, arriscando uma inevitável exposição, não terá sido, seguramente, a melhor das suas decisões. Como diz a sabedoria popular: “Quem anda à chuva molha-se” e, neste caso, parece que não foi apenas “chuva”, acabou por ser uma colossal “tempestade”. Poder-se-ia afirmar: “Coitados, tiveram azar”, mas, com franqueza, parece-me mais uma gritante falta de discernimento e/ou excesso de confiança.
Esse suposto excesso de confiança esfumou-se, contudo, a partir do momento em que perceberam que tinham sido “denunciados”: A reação do par, em particular a do homem, evidenciou uma tremenda cobardia, mostrando-se incapaz de assumir aquilo que já era óbvio para todos.
Quanto à atitude do vocalista da banda, ao afirmar, qualquer coisa como isto: “Are they having an affair or just shy?” parece-me absolutamente deplorável. As suas palavras parecem ser a expressão de uma certa benevolência condescendente, a roçar o paternalismo bacoco, incapaz de resistir à tentação de fazer um julgamento de terceiros, em plena praça pública. “Shame on you!”, Chris Martin.
Em resumo, ninguém ficou bem nesta “fotografia”.
Para mais, o que li sobre o assunto é que eram casados
mas viviam separados.
Tudo isto é de uma estupidez sem nome.
Menina Kika, não podemos viver na porcalhota, com infidelidades descaradas e desavergonhadas. Tenha um pouco de decoro por favor.
Vivo muito bem com todos esses defeitos.
Tenho outro que é de não ser uma falsa pudica.
Desde que as pessoas não impliquem menores
ninguém, no meu entendimento, tem o direito de
« meter o nariz « nos assuntos alheios.
Não vi nada que me chocasse, o que vi foi um momento
de ternura entre 2 adultos.
Retribuo o voto de decoro a V. Exc.
Molly Johnson – Melody
são os ‘Moerdas’ diria Millor
Ninguém é de ninguém.
Homens e mulheres devem aproveitar o mundo de todas as formas, mesmo as mais insondáveis.
Hoje a maior parte das mulheres teve até aos quarenta anos no mínimo uns trinta parceiros masculinos e até femininos.
Lésbicas e gays estão em ascensão
A traição é banal e frequente.
Aproveitemos então:
Pecado é não fazermos nada e cultivarmos o prazer mórbido da masturbação singular.
Big Brother está aí, para o bem e mal…
Uns querem vídeo (e áudio)vigilância porque a gente de bem nada tem a esconder, outros são apanhados com a boca na botija.
O caso é caricato, li, ri e segui. Sim, sou fraco…
Julgamentos morais deixo para os padres. Que não faltam, diga-se.
Ouvi por ai que ir a um concerto dessa banda (não me recordo do nome e não me vou dar ao trabalho de procurar) é per si motivo legítimo de divórcio, até porque, pondo de parte os ultra-milionários, é mais fácil e barato alguém divorciar-se do que despedir um empregado.
A verdade é que a esquerda intoxicou a sociedade e o espaço mediático de uma forma incrivelmente insana. E, nesta insanidade, está a ficar difícil suportar tanta soberba, inveja e falta de melhor do que fazer além de vigiar a vida dos outros.
A esquerda hoje não passa de uma inquisidora sempre de fósforo na mão para atear a fogueira mediática!
Confesso que não estou a ver como é que na situação em apreço se possa aplicar algum maniqueísmo ideológico, assente na conceção dualista “Esquerda/Direita”. Fazer depender a “avaliação” deste episódio das convicções ideológicas de cada um é, do meu ponto de vista, propiciar o enviesamento desse eventual juízo que, por si mesmo, já é passível de, logo à partida, comportar uma boa dose de subjetividade. Até porque um juízo de valor corresponderá sempre a uma avaliação subjetiva.
O que é que a “Esquerda”, ou a “Direita”, tem a ver com este episódio, de resto, a todos os níveis lamentável?
Além disso, na realidade, a “sociedade” que refere somos todos nós e cada um de nós. Nesse âmbito, só se deixa “intoxicar” quem quer. A escolha é sempre de cada cidadão e não me parece que a eventual “culpa” por uma possível “intoxicação” possa ser remetida à “Esquerda” ou à “Direita”. Se existir “culpa”, ela será sempre do próprio cidadão, que se deixou enrolar por uma ideologia, me vez de pensar por si mesmo e de exercer a sua capacidade de livre-arbítrio.
Quem pensou, elaborou e impôs estas leis, regras e códigos de conduta nas empresas?
Quem permanentemente anda a catequizar as relações entre as pessoas?
Que intelectualidades, num afã sem fim, andam por aí a policiar e a julgar os relacionamentos de homens e mulheres?
Se estes infelizes fossem pobres, ou tivessem empregos vulgares, ninguém (progressistas, neo-moralistas ou decacolonialistas) lhes ligaria nenhum. Da mesma forma que ninguém liga nenhum à guerra no Sudão, a maior mortandade e tragédia humanitária da actualidade.
Boaventura Sousa Santos é bom exemplo do só se deixa intoxicar quem quer!
Tem razão. A “Direita”, em especial nos EUA, nada tem de conservadora e moralista. Nem censuram livros nem despedem por delito de opinião.
A esquerda apresentou-se e apossou-se como vindo colocar fim a tudo isso. E resultado?
Um asco será sempre um asco e tanto faz que seja de Esquerda como de Direita.
E há ascos que podem ser identificados com a Esquerda? Sim, há.
E há ascos que podem ser identificados com a Direita? Sim, há.
O exemplo da criatura que refere talvez seja o paradigma do asco de Esquerda porque é um asco e porque pode ser identificado com a Esquerda. Poder-lhe-ia, eu, também, dar outros exemplos de ascos que podem ser identificados com a Esquerda, mas também muitos outros que podem ser identificados com a Direita.
Mas, e ainda assim, não creio que “ser ou não ser asco” se deva, primordialmente, a uma qualquer ideologia. “Ser ou não ser um asco” é independente da ideologia onde se milita. Quando muito, aproveita-se a ideologia, de Esquerda ou de Direita, para tentar justificar certos comportamentos asquerosos que, na verdade, pouco ou nada terão a ver com essa ideologia.
“Ser ou não ser um asco” tem, sobretudo, a ver com determinadas características psicológicas e com certos perfis psicológicos.
Portanto, parece-me que misturou “alhos com bugalhos”, confundindo a eventual militância em determinadas ideologias com certas características psicológicas próprias de alguém que pode ser designado por asco.
No âmbito anterior, a sua afirmação: “Boaventura Sousa Santos é bom exemplo do só se deixa intoxicar quem quer!” não é válida.
Quanto às leis, regras, códigos de conduta e à catequização das relações entre as pessoas, referidas por si, diria que tanto a Esquerda como a Direita adoram acreditar que podem e que conseguem “intoxicar” quem quer que seja. Mais uma vez, reitero, só se deixa intoxicar quem quer. Para alguma coisa há de servir o exercício do livre-arbítrio.
Cada um deve, em primeiro lugar, pensar por si, sem amarras a qualquer ideologia.
Eu não estou aqui a fazer apologia ou a defender ideologia que seja. Apenas a analisar uma realidade.
É facto que nestes últimos 30 a 40 anos a maioria sociológica foi de esquerda e dela emanou o grosso do que agora colhemos. É apenas disto que se trata.
“É facto que nestes últimos 30 a 40 anos a maioria sociológica foi de esquerda e dela emanou o grosso do que agora colhemos.”
Presumo que esteja a referir-se à situação portuguesa. Se estiver, a coisa não será exatamente como afirma. Vamos a factos:
Pelo Histórico de Governos da República Portuguesa, disponível no site oficial do Governo, verifica-se que, desde o 25 de Abril de 1974 até ao momento atual, o país foi gerido por um período de cerca de 22 anos por Partidos Políticos conotados com a “Esquerda” e cerca de 19 anos pelos conotados com a “Direita”, se excluirmos os Governos Constitucionais que estiveram em exercício de funções menos de um ano e cujo 1º Ministro não viu renovado esse mandato e os Governos Provisórios …
Dado que a diferença anterior é de apenas cerca de 3 anos, não sendo, por isso muito significativa, não pode deixar de se imputar à “Esquerda” e à “Direita” aquilo que “agora colhemos”. Ou seja, a responsabilidade pelo atual estado das coisas não poderá deixar de ser imputada tanto a uns como a outros. Essa responsabilidade é, na realidade, partilhada entre a Esquerda e a Direita. Nem uns nem outros souberam acautelar os principais Valores da República. Esse será, aliás, um dos principais motivos pelos quais se assiste hoje ao aparecimento de execráveis movimentos extremistas, aparentemente muito saudosos da ditadura instaurada pelo Estado Novo.
Quem impõe códigos dentro de empresas são as suas chefias. Não estou a ver os CEO como comunistas, mas se calhar são.
Temos empresas com códigos de vestuário, com proibições de tatuagens e um sem fim de outras proibições entre nós. Dizer que as empresas fazem estas coisas por causa dos Boaventuras deste mundo é um bocadinho ingénuo.
Parece que o sr do apanhado foi despedido, se calhar foi porque os acionistas receberam cartas dos Coldplay e foram obrigados a ser moralistas.
E ainda falam de hipocrisia da esquerda.
Foram e têm sido os “Boaventuras deste mundo” a influenciar e a determinar o espaço mediático, a inundar de narrativas e a intoxicar com paleios de sexismo em tudo o que mexe ou de assédio/opressão até ao acto mais inocente.
Foi dos e nos “Boaventuras deste mundo” que emergiram leis e uma parte substancial da actual ordem moral que rege ou influencia a Sociedade. Afinal a maioria sociológica nos últimos 40 anos foi de esquerda.
Do resto não é um bocadinho ingénuo, é grosseiramente ingénuo julgar que uma empresa cotada em bolsa pode seguir prosperando à margem ou indiferente ao juízo moral da sociedade.
Moralizamos
não faço juízos de valor cada um trata da sua vida mas ir a um concerto com milhares de pessoas com o/a amante é pôr-se (colocar-se como agora de diz) a jeito
Pedro Cunha
Fulano morreu e foi direitinho para o Céu. Comportou-se tão bem que S. Pedro lhe concedeu o seu pedido de ir ao Inferno, ver o seu amigo Sicrano. Chegado ao Inferno deparou com o Sicrano num quarto com a exacta companhia que se vê no postal. Regressou furioso e logo interpelo S. Pedro, que lhe respondeu:
Meu filho, aquilo são artifícios do Demónio. A garrafa que viste, tem um buraco no fundo e a mulher não tem buraco nenhum.
Eu vi aquilo, o casal afastou-se, ela meteu as mãos na cara e fugiu, o vocalista mandou umas bocas…
Não era suposto ser um concerto musical?
Note-se que a “atrapalhação” do casal até pode nem se dever a serem casados com outras pessoas, mas sim ao facto de trabalharem na mesma empresa.
Trabalhei alguns anos numa empresa norte-americana e a política vigente (aliás, bastante rígida, constava até no próprio contrato de trabalho) obrigava a que os funcionários que mantivessem uma relação familiar ou íntima não trabalhassem na mesma secção ou departamento. Caso a iniciassem já após serem funcionários, deviam disso informar a empresa, que providenciava pela transferência de um deles.
Escusado será dizer que muitas vezes os namoros eram mantidos em segredo (enfim, pelo menos para as chefias) para não prejudicar o percurso profissional.
Ora, nada nos diz que o pânico “a quente” do casal no concerto se deva necessariamente a vergonha por estarem em público a ter um caso privado de adultério. Pode muito bem ter razões menos morais e mais profissionais, que tenham a ver com políticas empresariais do tipo da que descrevi. Afinal, trabalhavam os dois na mesma empresa, em cargos de alta direção, que são os menos desculpados por razões de exemplo.
Ali, no concerto, a vergonha é relativa, apesar da exposição inesperada. Agora no local de trabalho… à vergonha juntam-se possíveis consequências a nível de carreira. Por cometerem adultério? Não propriamente, mas antes talvez por não terem informado a hierarquia de que mantinham uma relação íntima. E não há maneira de os ajudar, estavam num concerto dos Coldplay, caragos!