Os novos Robin Hood


Ana Vidal,

 

Gostei de ler esta notícia. Em tempos de crise generalizada – inclusivamente de valores – e de um desalento qua vai avançando, imparável, minando todas as vontades e iniciativas, é bom saber que a consciência social ainda existe nos espíritos de quem pode, realmente, ser parte da solução dos problemas. Recuso o negativismo de ir à procura de um qualquer motivo escondido, de uma qualquer estratégia de aproveitamento pessoal, de um qualquer… sei lá. Prefiro pensar que vivemos tempos de profundas e dramáticas mudanças, e que é sempre nessas alturas que as consciências despertam para a solidariedade. Deixem-me acreditar nisto, está bem?

 

25 comentários em “Os novos Robin Hood”

    1. Era o que faltava os gestores não terem um umbigo próprio! Então a marca indelével de que foram paridos como qualquer mortal? Está a insinuar que deveriam ser ainda mais “extra-terrestres”? ehehheeh

      :))

  1. Está bem! E concordo que estamos a viver o fim de uma era. Isso nota-se já há uns tempos. Nos últimso meses só ficou tudo mais escancarado.
    Entretanto, fui ler a notícia e acho que levanta questões interessantes.
    🙂

        1. Claro que não, MdSol!
          Garanto que isto não foi vingança (ou eu é que seria indelicada), só respondeo hoje porque estive fora e sem net durante 4 dias.

          🙂

  2. Os administradores do Banco de Portugal devem ter lido o teu post Ana! Acabo de ler no “Público” que renunciaram ao aumento de 5% com que se tinham contemplado, pela sua meritória acção à frente da entidade reguladora. São uns queridos. qualquer dia ainda os vou ver a trabalhar e a regular qualqur coisa, em vez de de deitarem para o caixote do lixo as quexas que lhes eram apresentadas.

    1. Renunciar a um aumento é o mínimo dos mínimos, nos tempos que correm… e tens razão, espera-se que renunciem também à “distracção” de que têm dado provas.

  3. Tal como você, Ana, também eu gostei muito, muito, de ler esta notícia e quero acreditar na bondade destes senhores. Eu até vou um pouco mais longe: quero fazer parte do grupo destes senhores, posso? Acha que conseguirei um subsídio do governo alemão para tal? Não é por mais nada… o que eu quero, na verdade, é pagar mais impostos, ter uma maior consciência social, distribuir mais umas migalhinhas da minha imensa fortuna… Bem diz a velha máxima, «é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma», não é?

    1. Não falei de bondade, Luís, falei de consciência. Se os milionários do mundo inteiro (não são assim tantos) fizessem o mesmo, já imaginou as consequências que daí resultariam? E eles não deixariam de ser milionários por isso, e os seus interesses estariam assegurados. O Lampedusa sabia o que dizia.

      1. Ana: Como reparou, o meu comentário encerra alguma ironia e cepticismo, mas julgo que temos alguns pontos de contacto:
        1) Quando falei na «bondade» destes senhores queria referir-me ao aspecto positivo da sua atitude que, a ser genuína, é na verdade meritória. Também aludi à consciência social por si referida, manifestando, inclusivamente, a vontade de me integrar nesse grupo, caso isso fosse possível;
        2) Os milionários deste mundo não serão assim muitos, mas estou convencido de que uma melhor distribuição da riqueza super, hiper, extra-colossal da fortuna de uns tantos, minoraria um bocadinho a extrema miséria em que vive grande parte da humanidade;
        3) Quando citei a velha máxima do Lampedusa, também parece que estamos de acordo: Os ricos ficarão um pouco menos ricos e os pobres um pouco menos pobres, é certo, ou seja, tudo ficará quase na mesma, nesta selva de “Leopardos” e de ratinhos.
        Mas não tenhamos ilusões, que não é com “chazinhos de caridade” destes que vamos mudar o mundo…
        Julgo que estaremos a ser muito ingénuos se acreditarmos que o remédio para este estado de coisas, nos vai ser ministrado exactamente pelas mesmas pessoas que lhe deram origem.
        Mas para já, dou-lhes o benefício da dúvida e cá estarei, como “O Leopardo”, atento para ver.

        1. Estamos de acordo, claro. Não sou tão ingénua que acredite em milagres destes, mas o que penso é que, mesmo que a intenção seja a de salvar um sistema moribundo que lhes sustente os privilégios, pelo menos alguém beneficiará desta atitude de uns quantos milionários.

  4. Robin Hood, com h e não com w.

    A designação vem dos capuzes (hoods) que ele e os seus companheiros usavam.

    1. Já está emendado, caro Luís Lavoura (só agora, porque só agora leio o seu justíssimo e oportuno reparo). Evidentemente que é Hood e não Wood. Obrigada.

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