Primeiro foi Pedro Passos Coelho a dizer que, coitaditas das filhas, iriam ficar sem presentes de Natal. Bem lhes podia ter feito um corte de cinco a dez por cento, consoante o valor do presente do ano passado, mas não nada, há uma crise, recessão, recessão e crise lá fora a terem de ser sustentadas. O deputado pobrezinho, o miserável que queria ir às sopas da Assembleia da República, o tal que nem as ajudas de custo lhe valiam, isto para não falar no ordenado, também me fez pena, estive até para lhe levar uma sopinha, pobrezinho, ou um fatinho velho que ajudar os pobrezinhos é bom, limpa a alma e arreda os pecados. Há pouco, bem há pouquinho, e ainda estou debulhada em lágrimas e abalada pela miséria galopante destes que nos governam e aspirantes a governantes, foi o candidato, porque nos últimos tempos aquele que está acima de todos, deixou de ser Presidente para ser candidato e terá sido nessa condição que elucidou uma transeunte numa acção de campanha. Agarrado à sua risonha Maria, atirou à mulher atenta que a sua Maria, outra desvalida, tinha trabalhado a vida inteira e que recebia de reforma uns oitocentos euros e que tinha de ser ele a sustentá-la ou a ajudá-la, varreram-se-me as palavras com a tristeza e o coração apertado. Uma miséria. E ninguém dá a mão a estas pobres almas? Um peditório nacional? Uma campanha de recolha de bens?
Nada como confirmar esta verdadeira pérola de campanha aqui.

É como comer brioches se não houver pão. Não ter a noção de quão ridículo é o que se diz, é uma coisa triste, demasiado triste.
Chega a ser patético, Ivone.
O meu saudoso amigo Joaquim “Camion”, um dos mais bondosos corações e homem de “uma cana”, lá na minha Santarém natal, dir-lhes-ia ” é darem-lhes açorda e umas lamiras na tromba ! ! “
Lamiras nisso 🙂
Se isto está assim para os ricos, o que não será para os pobres !?
Estes ‘ricos’ deviam ter pudor e não dizer disparates também tendo em conta como se ganha mal neste país.
Sabe uma coisa?
É pena que Cavaco não fale mais, não revele as suas opiniões sobre as coisas prosaicas da vida, porque, se o fizesse, iríamos descobrir que atrás daquele “ar de estadista” está um homem prepotente, desconhecedor da realidade. Uma farsa.
Mas, claro, esta é a minha opinião. A opinião de alguém que tem muitas dúvidas, que se engana algumas vezes e não é honesto porque só ainda nasceu uma vez.
Anda no ar um sítio iLEGER eleições presidenciais em que um dos desafios é -se eu fosse presidente. depositei o que faria em acção imediata. Na dúvida que venha a ser publicado deixaria aqui á vossa consideração: No minuto seguinte á tomada de posse pediria com contornos de escândalo a demissão. Pela mera impossibilidade de tendo jurado, poder cumprir uma constituição, que desde o preâmbulo, passando pelos direitos, deveres e garantias, até á prática corrente, não passa de pura retórica inconsequente e sem nexo.
Deve ser por isso que ele raramente emite opiniões.
Também reparei neste comentário de Cavaco, Leonor. Impossível não reparar. Prova que todos estes senhores vivem fora deste mundo, por muito que nos queiram fazer parecer o contrário. Só assim se compreende que lhes saiam pela boca tamanhas enormidades.
Além da figura triste em que colocou a mulher, tão pobrezinha que precisa dele para sobreviver. E agora um bocadinho ao lado: um professor com o tempo de serviço completo jamais ganharia aquilo.
Permita que lhe diga que esses, por saberem muito bem no mundo em que vivem, e que moldam despudoradamente para que vegete a seus pés, ousam debitar tais enormidades. Seria simplesmente ridículo se não fosse ofensivamente trágico. Tão patética exibição, deixa sem motivo de queixa qualquer assomo de pobreza envergonhada.
Leonor, há tempos escrevi sobre isto, sobre os “pobres” do deputado socialista que não tinha dinheiro para o jantar (3 mil euros mais ajudas de custo não chegam), de Passos Coelho e de Maria Cavaco que não tinham dinheiro para prendas para todos os filhos/netos (para fatos do Zegna a 3 mil euros e aldeias na Coelha já há), destes pobres mas de espírito. Com gente assim – que, diga-se, representam os portugueses quase na perfeição – como poderemos ambicionar um país melhor?
Bom fds.
É deprimente, Ricardo. Acho que por uma questão de sanidade mental temos de ambicionar a um país melhor, mas não está fácil manter a esperança. Uma das coisas que mais me incomoda nos últimos tempos, e já escrevi isto aqui tantas vezes que receio tornar-me enfadonha, é a total ausência de pudor. Perdeu-se a vergonha completamente, já que os valores já se foram há muito.
A pobreza vende em Portugal. Ser pobre é politicamente bom, é nobre, aumenta a reputação.
Talvez se começarem a perceber isto cheguem a outras conclusões. E a um dos porquês do estado do País.
Há um texto belíssimo do António Lobo Antunes onde me inspirei para este título que fala do tipo de pobreza de que fala, tão salazarenta mas infelizmente presente.
Pior do que o que não vê é o que não quer ver. Ainda bem que tu viste, Leonor.
A pobreza de espírito, a indigência moral, devia ser taxada. Mas neste país quanto mais pobre de espírito for o líder, maior é o rebanho.
A pobreza de espírito nunca poderá ser taxada, Sérgio, é um condimento necessário para a beatitude. O espectáculo de ontem foi deprimente em várias frentes: ter alardeado a suposta pobreza da sua ‘senhora’, não ter respeitado os milhões de portugueses que ganham (muito) abaixo disso e tentam manter a dignidade e a assumir-se como o suporte da mulher naquela atitude paternalista.