Está enganada: não me chegaria o tempo… Aproveito para assinalar que o programa é semanal. Mesmo que ele tivesse dito “do programa desta semana”, continuaria a fazer pouco sentido: seria sempre ‘do programa de hoje’ ou, melhor ainda, ‘deste programa’.
Sim, Ana? Continuaria a ser “deste programa”, que era o programa que estava a decorrer, e não “do programa desta (ou ‘de esta’!) semana”. Mesmo em inglês.
Eu até compreendo bem a sua ‘onda’, porque sou tida, no trabalho ou em casa, por uma ‘avis rara’ do rigor da linguagem (morfologia, sintaxe, ortografia, etc). No trabalho, sou vista como uma espécie de correctora compulsiva (e o argumento é sempre esta coisa surpreendente: “mas o que é que isso importa para os nossos objectivos? Já não estamos na escola!”. ) Em casa é mais o género “lá está a chata da mãe a corrigir e ainda por cima a explicar porque é que está mal…quero lá saber! Não é preciosismo algum, a sério. Mas é superior a mim, porque nunca ouvi falar nem vi escrever tão mal. Aliás, um bom diagnóstico da ‘moda’ faz-se logo a partir dos CV que muitos de nós recebemos, por parte de licenciados. O espectáculo é aterrador. Para além de terem mesmo passagens ininteligíveis…
– Mas não acha que na linguagem oral podemos ter mais tolerância? Não para o erro, mas para a atendibilidade da contingência? O caso que invoca, por exemplo: – está mal, sim. Mas não é claramente um incidente que é fruto do contexto de imediatismo, e não propriamente um vício? É claro que, mesmo na linguagem oral, há atropelos intoleráveis ( tem a “haver” com…; tu dizes “com cada uma”… um dia “solarengo”… não “houveram”… a “fragância”… e outros muitos, muitos exemplos). Mas olhe, tive um professor no ‘liceu’ que dizia o seguinte: são raríssimas as pessoas (incluindo as que escrevem com rigor absoluto) que falam espontaneamente sem cometerem atropelos de linguagem. E mandava-nos fazer um teste: – escrevam um bom texto, particularmente escorreito. Leiam as vezes que quiserem. Depois façam desaparecer o papel, arranjem um gravador e reproduzam as ideias em voz alta. No fim, se possível, estabeleçam diálogo com um ouvinte a propósito do tema dissertado. Vão ficar pasmados com os erros (desestruturações, não concordâncias) que cometeram sem dar por ela.
Ele tinha inteiríssima razão. Mesmo quando nos temos em alta conta, porventura até com fundamento, é recomendável experimentarmo-nos… É que se a coisa não funciona como julgávamos (mesmo com a ajuda do tal texto prévio)… quanto mais sem isso!
De facto, há lapsos perdoáveis que têm a ver com a circunstância.
Sobre a frase citada neste ‘post’, não está aqui pelo que parece. Estaria na mesma ainda que ele tivesse dito: “E estamos nos momentos finais do programa desta semana.” Porque dizer “o programa desta semana” é uma parvoíce. ‘Este programa’ é que seria certo, porque o programa estava ainda a decorrer e ele estava lá dentro!
Finalmente, sei ao que se refere, relativamente à expressão oral. Contudo, devo dizer-lhe que não é tanto assim. Sem modéstia, tenho uma linguagem própria quando falo, como é natural, mas sempre escorreita. Muitas vezes, até procuro que a linguagem escrita seja tão ‘falada’ quanto possível, porque lhe dá um toque coloquial que me agrada. O que quer dizer que a oralidade pode ser tão escorreita que até vai bem vertê-la a escrito.
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Em estes comentários não deixa passar nem uma
Está enganada: não me chegaria o tempo…
Aproveito para assinalar que o programa é semanal. Mesmo que ele tivesse dito “do programa desta semana”, continuaria a fazer pouco sentido: seria sempre ‘do programa de hoje’ ou, melhor ainda, ‘deste programa’.
O Martim Cabral é meio inglês, João. Deve ser isso. 🙂
Sim, Ana? Continuaria a ser “deste programa”, que era o programa que estava a decorrer, e não “do programa desta (ou ‘de esta’!) semana”. Mesmo em inglês.
enquanto não terminar com uma tirada num estilo muito em voga … “que transmitimos ‘desde’ os estúdios …
:))))
Sim, sim. Desde os estúdios até sabe-se lá onde…
Está a repetir o programa na Sic Notícias… se quiser reapanhar a “gaffe” (hoje estou toda compreensão) rsrssr
Recuso-me terminantemente. Já revi umas três vezes…
Eu até compreendo bem a sua ‘onda’, porque sou tida, no trabalho ou em casa, por uma ‘avis rara’ do rigor da linguagem (morfologia, sintaxe, ortografia, etc).
No trabalho, sou vista como uma espécie de correctora compulsiva (e o argumento é sempre esta coisa surpreendente: “mas o que é que isso importa para os nossos objectivos? Já não estamos na escola!”. )
Em casa é mais o género “lá está a chata da mãe a corrigir e ainda por cima a explicar porque é que está mal…quero lá saber!
Não é preciosismo algum, a sério. Mas é superior a mim, porque nunca ouvi falar nem vi escrever tão mal.
Aliás, um bom diagnóstico da ‘moda’ faz-se logo a partir dos CV que muitos de nós recebemos, por parte de licenciados. O espectáculo é aterrador. Para além de terem mesmo passagens ininteligíveis…
– Mas não acha que na linguagem oral podemos ter mais tolerância? Não para o erro, mas para a atendibilidade da contingência? O caso que invoca, por exemplo: – está mal, sim. Mas não é claramente um incidente que é fruto do contexto de imediatismo, e não propriamente um vício?
É claro que, mesmo na linguagem oral, há atropelos intoleráveis ( tem a “haver” com…; tu dizes “com cada uma”… um dia “solarengo”… não “houveram”… a “fragância”… e outros muitos, muitos exemplos).
Mas olhe, tive um professor no ‘liceu’ que dizia o seguinte: são raríssimas as pessoas (incluindo as que escrevem com rigor absoluto) que falam espontaneamente sem cometerem atropelos de linguagem.
E mandava-nos fazer um teste: – escrevam um bom texto, particularmente escorreito. Leiam as vezes que quiserem. Depois façam desaparecer o papel, arranjem um gravador e reproduzam as ideias em voz alta. No fim, se possível, estabeleçam diálogo com um ouvinte a propósito do tema dissertado.
Vão ficar pasmados com os erros (desestruturações, não concordâncias) que cometeram sem dar por ela.
Ele tinha inteiríssima razão.
Mesmo quando nos temos em alta conta, porventura até com fundamento, é recomendável experimentarmo-nos…
É que se a coisa não funciona como julgávamos (mesmo com a ajuda do tal texto prévio)… quanto mais sem isso!
De facto, há lapsos perdoáveis que têm a ver com a circunstância.
Sobre a primeira parte: como eu a entendo!
Sobre a frase citada neste ‘post’, não está aqui pelo que parece. Estaria na mesma ainda que ele tivesse dito: “E estamos nos momentos finais do programa desta semana.” Porque dizer “o programa desta semana” é uma parvoíce. ‘Este programa’ é que seria certo, porque o programa estava ainda a decorrer e ele estava lá dentro!
Finalmente, sei ao que se refere, relativamente à expressão oral. Contudo, devo dizer-lhe que não é tanto assim. Sem modéstia, tenho uma linguagem própria quando falo, como é natural, mas sempre escorreita. Muitas vezes, até procuro que a linguagem escrita seja tão ‘falada’ quanto possível, porque lhe dá um toque coloquial que me agrada. O que quer dizer que a oralidade pode ser tão escorreita que até vai bem vertê-la a escrito.