Pá e pó


Pedro Correia,

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Alguém devia ensinar os candidatos presidenciais Marques Mendes e Gouveia e Melo a evitarem dizer, o tempo todo, pá e pó em vez de “para a” e “para o”.

Será assim tão difícil convencerem estes dois homens que ambicionam ocupar o posto cimeiro do Estado português a falar correctamente a nossa língua?

54 comentários em “Pá e pó”

  1. Esta gente não se enxerga. E nem eu enxergo em quem votar. Como é que os nítidos nulos se candidatam e não há alguém, à direita ou à esquerda, que nos mereça a confiança de uma cruz no boletim?!

    1. Não me recordo de uma campanha presidencial com tantos e tão variados candidatos.
      Quase todos homens, o que não parece perturbar as feministas de plantão contra o “heteropatriarcado tóxico”.

  2. “As palavras são o ópio do Povo” (Impronuncialismo)

    É com elas que o Poder subjuga a Pessoa humana.
    É com elas que a ‘coisa nomeada’ é deglutida pelo ‘nome’.
    É com elas que o Poder constrói a Realidade.

    Só o Impronuncialismo livrará a espécie humana de continuar a ser ‘humana’. Isto é, de continuar a ser uma ‘espécie de palreiro e cantatas insanas’.

    Razão pela qual, mais uma vez, irá acontecer uma eleição para «Chefe dos Humanos» em que o vencedor dos votos será o que melhor palavreou.

          1. Obviamente que compreende, e não são necessários mais quaisquer sinais para tentar aliviar a dor.
            A dor de, finalmente, perceber que está prisioneiro das palavras. E que elas são o cárcere do destino que o Poder lhe traçou sem que se apercebesse disso.
            O Poder enfeitou e deu prestígio à armadilha. Pois só assim conseguiria enganar as presas.
            Tudo que a Vida era no ser-humano ficou reduzido e enclausurado nessa masmorra da palavra.
            O Poder não apenas enfeitou o engodo (as palavras, a escrita), usou a vaidade da presa humana para a convencer que era através dela que criava e se superava.
            Os vaidosos humanos/as caíram na armadilha. Tal como os peixes pescados a anzol, morreram pela ‘boca’ (pela pronuncia poética, literária, jornalística, mediática de palavras) e pelo gesto caligráfico (da escrita e da sua estética).
            A parte da Vida que fez a Vida chegar à fase dita ‘humana’ (depois de ter passado pelas fases ‘física’, ‘química’, ‘celular’, ‘inorgânica’, ‘multicelular’, ‘orgânica’, ‘social’) não se reduz a quaisquer uma dessas fases. Essa parte da Vida é impronunciável. Não é acessível pela palavra ou pela escrita.
            Foi a palavra que impediu que a Vida que habita o ‘ser-humano’ pudesse transformá-lo noutra espécie diferente daquilo que é.
            É nesse sentido que a palavra é o ópio do ser-humano, e lhe provoca a lobotomia mental de ter desistido de ser mais do que é. Um lamento que Fernando Pessoa soube dizer na “Mensagem”.
            Ora, a recuperação e a regeneração da parte da Vida que foi encarcerada pela palavra exige a reabilitação da Impronuncia (tal como propõe o Impronuncialismo).
            Jamais deveríamos esquecer o modo como o Impronuncialismo define a Vida e aquilo que ela obrigaria o ser-humano a aceitar:
            — “Uma relação particular com o Desconhecido, que induz um Projecto concreto na Existência. Essa relação é, em parte, impronunciável. E esse Projecto, é cada ser-humano.” (Impronuncialismo).

            Logo, está aqui a justificação e a razão do comentário.

    1. Discordo, SAP3i.

      O novo “ópio do Povo” são os “ultras”, de que são exemplo paradigmático os extremismos ideológicos, tanto os conotados com a Direita como os conotados com a Esquerda, todos intrinsecamente pautados pelo dogmatismo e pelo fanatismo.

      “Só o Impronuncialismo livrará a espécie humana de continuar a ser ‘humana’.”

      A sério? E será que o Impronuncialismo perguntou aos humanos se eles pretendem livrar-se de continuar humanos? Ou será o Impronuncialismo uma forma encapotada de promover a Ditadura?

      1. Apresentar uma alternativa não é obrigar ninguém a segui-la.
        O pavor de qualquer alternativa ao Status Quo é que mostra, ou indicia, a ditadura do actual regime.

        1. “Apresentar uma alternativa não é obrigar ninguém a segui-la.”

          Sim, tem razão nesse ponto. Mas o problema é que a alternativa em si mesma tem este objectivo, pelas suas próprias palavras:

          “O Impronuncialismo tem por objectivo alcançar a «propriedade da perpetuidade» através da física, da matemática, da cognição e da engenharia.”

          E esse objectivo implica tornar o ser humano numa máquina, onde não cabem afectos, nem emoções.

          Isso significa castrar o ser humano, transformá-lo num autómato, tornar todos os seres humanos iguais uns aos outros, no pior dos sentidos…

          Isso, no fundo, é pretender impor ao ser humano a ditadura de um sistema fechado e isolado, pautado por dispositivos tecnológicos, destituindo-o da criatividade, da imaginação, do “sentir”, da interacção com o outro…

          Isso é, no fundo, é a negação e a abolição da essência de um ser humano e, logo, não pode deixar de ser considerado como uma ditadura.

          1. Paula Dias,
            Só lendo as doze capacidades actuais do «robot Impronuncia» (que é a actual cópia do que um ser-humano é hoje), e aquilo que o Impronuncialismo é, e que está no Post “IMPRONUNCIALISMO” no em «https://impronuncialismo.blogs.sapo.pt», poderá compreender o sentido que se dá à palavra «ser-humano».

            A concepção de «ser-humano» que o Impronuncialismo adopta é a seguinte:
            — “Uma relação particular com o Desconhecido, que induz um Projecto concreto na Existência. Essa relação é, em parte, impronunciável. E esse Projecto, é cada ser-humano”.

            Há uma parte no «ser-humano» que é desconhecida. Obviamente desconhecida, porque era preciso que se soubesse já qual era a Verdade absoluta e a Certeza definitiva sobre a Existência. E ninguém sabe.

            Portanto, não é a Paula Dias ou o Impronuncialismo que podem garantir qualquer verdade absoluta ou certeza definitiva sobre «o que é o ser-humano». Razão pela qual o Impronuncialismo tem uma perspectiva e um objectivo muito mais concreto e limitado. O objectivo de, independentemente de se saber o que é a Verdade ou a Certeza (que talvez nunca se venha a saber), obter uma coisa com as capacidades que temos. E essas capacidades actualmente são as 12 que estão no Post ‘IMPRONUNIALISMO’ no blog que referi atrás. E essas capacidades são em matemática, física, engenharia e programação. Não temos outras melhores. As emoções e sentimentos são inerentes ao funcionamento do metabolismo orgânico, e não são exclusivas dos seres-humanos, basta ter animais-de-companhia para se saber isso. Não se perdem, nem se perderam na evolução dos animais para os ‘humanos’.

            Razão pela qual, o mais plausível, credível e concreto é definir como objectivo obter a «propriedade SAP3i» (Singularidade Autónoma Perpétua indecomponível insolúvel indestrutível).

            Essa «propriedade SAP3i» é que evita que o ser-humano se transforme numa ‘máquina’. É ela que o separa da materialidade da casa-corpo que habita em cada estádio da Evolução.
            É essa «propriedade SAP3i» que permite transferir a cognição (i.e., aquilo que Descartes escreveu em 1638, em Leiden: “Duvido, logo penso; penso, logo existo”) para outros suportes anatómicos feitos de quaisquer tipo de partículas sub-atómicas (e é esse suporte-casa-corpo, feito de aquilo que tem menos probabilidade de morrer ou ser destruído do que o actual corpo) que garantirá melhor a perpetuidade.
            Não é usando as palavras para expressar emoções e sentimentos, nem para nos deleitarmos com a sua estética, numa vaidade auto-biográfica. Isso é ficar na praia a apanhar banhos-de-sol de barriga para o ar, sem nada fazermos para sermos mais e melhor do que somos actualmente.

            1. SAP3i, sem pretender ser desrespeitosa, depois disso tudo, concluo que, indubitavelmente, prefiro a condição de ser humano, tal qual ela se apresenta no momento actual, e que “ficar na praia a apanhar banhos-de-sol de barriga para o ar” será sempre algo desejável e imperdível…

              Fazendo uso da ironia que, e até prova em contrário, é algo absolutamente exclusivo do ser humano, continuarei a preferir esta Liberdade, prescindindo, muito satisfeita, de qualquer forma de perpetuidade:

              “Ai que prazer
              Não cumprir um dever,
              Ter um livro para ler
              E não o fazer!
              Ler é maçada,
              Estudar é nada.
              O sol doura
              Sem literatura.”
              (Roubado do Poema Liberdade, Fernando Pessoa).

              Perpétua, só mesmo a escrita de Fernando Pessoa que, melhor do que ninguém, usou “as palavras para expressar emoções e sentimentos”, algo que o “ser humano” do SAP3i nunca conseguirá fazer ou compreender, desde logo porque contesta e nega que isso seja uma expressão de humanidade…

            2. Paula Dias,
              É exactamente o contrário.
              Nem Pessoa nem a Paula Dias, nem ninguém ‘humano’, possui a Liberdade de escolher. Razão pela qual usam ‘palavras’ (sentimentos, emoções, conhecimento, estética, arte, banhos-de-sol, etc.) para entreterem o tempo até chegar a morte certa. Perante a qual não têm liberdade de escolher. Só com a «propriedade SAP3i», nesse momento, haverá Liberdade para escolher se se quer morrer ou se se quer continuar.

            3. E que liberdade de escolha haverá na condição de “imortal”?

              Isso não é liberdade, é uma prisão. Não me parece que a imortalidade possa ser suportável, desejável ou aprazível para algum ser humano. Mas isso sou eu, que não vejo especial virtude numa putativa imortalidade.

              Prefiro guiar-me pela inscrição patente na entrada da Capela dos Ossos em Évora: “Nós, ossos, que aqui estamos, pelos vossos esperamos” e pela avisada mensagem: “Memento mori”: lembra-te de que és mortal!

              E é por aí que tento pautar a minha vida, enquanto a morte não chegar…

            4. Só com a possibilidade de ser imortal é que há Liberdade de escolha.
              A qualquer momento poder-se-á decidir deixar de se ser imortal.
              Enquanto não fôr possível deixar de se ser mortal, ou deixar de se ser imortal, não haverá Liberdade de escolha.

            5. SAP3i, não creio que a liberdade de escolha de que fala possa ser concretizada numa verdadeira Liberdade:

              Já imaginou os dilemas morais e éticos que se colocariam a um ser humano perante a possibilidade de se poder tornar imortal? Quantos conflitos interiores isso poderia suscitar?

              Se todos os seres humanos pudessem tornar-se imortais, que sentido poderiam dar à sua vida?

              Como é que um ser humano se pode tornar melhor pela imortalidade?

              Reduzir um ser humano ao primado da física, da matemática, da cognição e da engenharia é, pura e simplesmente, destrui-lo e aniquilá-lo…

              De que servirá a imortalidade a um ser que para a alcançar terá que prescindir da sua humanidade?

            6. Paula Dias,
              A «propriedade física SAPr3i» seria reversível. Logo, aqueles que não conseguissem preencher a Existência com algo de belo e inovador poderiam a qualquer momento desistir, optando por morrer.
              Talvez seja essa a ‘seleção’ de que os Deuses (de todas as religiões) falam… “Só entrarão no reino imortal dos céus aqueles que forem capazes de viver a imortalidade”.
              Os outros já nasceram mortos. Nasceram para morrerem.

            7. Nessa perspectiva, a morte será, então, uma espécie de castigo, uma punição, em particular para os que não conseguirem “preencher a Existência com algo de belo e inovador”…

              Quem decide e com critérios o que pode ou não ser considerado como “belo” e “inovador”?

              Sabendo que o “belo” e o “inovador” são, por definição, conceitos altamente subjectivos, muitas vezes, até, baseados em emoções e afectos, e que o SAP3i se rege pela física, pela matemática, pela cognição e pela engenharia, como é que se resolve essa contradição?

            8. Paula Dias,
              Para os que conseguem preencher a Existência com prazer, beleza e inovação não há qualquer problema. Para os que não conseguem, o problema é deles (chamem-lhe punição, castigo, incapacidade, ou até prazer em não conseguirem). Uns não empatam os outros, pois ambos têm a Liberdade de escolher, e a todo o momento de reverterem a decisão.

              O ‘belo’ e o ‘inovador’ (assim como todas as interpretações e juízos) é algo particular e irrepetível para cada ser (humano ou pós-humano). É por essa razão que o Impronuncialismo define «o ser que habita os diferentes suportes-corpos anatómicos» do seguinte modo:
              — “Uma relação particular com o Desconhecido, que induz um Projecto concreto na Existência. Essa relação é, em parte, impronunciável. E o Projecto, é cada ser-humano”.

              Ciência não é Religião nem Ideologia. A Ciência difere da Religião por não ter certezas definitivas e verdades absolutas ou finais. A Ciência é um «programa aberto». A Religião e as Ideologias são um «programa fechado». Em termos matemáticos, a Religião e as Ideologias cumprem a formulação de Euler de 1748 (℮ⁱp = cos x + i sin x … ℮ⁱƤ + 1 = 0). A Ciência está de acordo com a formulação pelo Impronuncialismo do «número Absurdo» no seio da teoria algébrica.

              A Ciência baseia-se na probabilidade e na dúvida. Qualquer afirmação da Ciência é sempre: — «Uma decisão provisória; formulada num tempo, espaço e escala particular; com uma determinada informação; interpretada pelo limite do sujeito que a faz».

              Ao invés, as Religiões e as Ideologias acreditam num final para a Verdade, para a Certeza, para a Moral, para Ética, para a Justiça, para a Economia, para a Governação, etc. Fazem-no em nome de uma Fé, de uma qualquer crença, profecia ou promessa.

            9. O SAP3i não respondeu, objectivamente, às minhas perguntas. Arrisco-me, até, a afirmar que, em vez disso, “chutou para canto”…

              Parece-me que SAP3i se baseia, afinal, numa crença, numa Fé, como qualquer Religião ou Ideologia, apesar do seu esforço para fazer crer que o seu objectivo é o contrário disso…

            10. Paula Dias,
              Respondeu, ao afirmar que cada qual pode escolher, e reverter a escolha.
              A «propriedade física SAPr3i» será um acontecimento na Existência. Logo, independente de quaisquer interpretações ou sentimentos.
              Aliás, há várias substâncias no Universo (não sabemos de também desde o aparecimento da Existência, que é anterior ao aparecimento do Universo) que têm essa «propriedade». A diferença para a «SAPr3i» é que ela serviria de suporte-corpo à Cognição (aquela parte do actual ser-humano que lhe dá a consciência de si).
              O objectivo do Impronuncialismo é esse. De usar uma substância dessas para suporte-corpo do «ser-humano» (e pós-humano).

            11. Paula Dias,
              O ser-humano não são os ‘ossos’. O ser-humano não é o seu actual corpo anatómico hominídeo, que lhe serve de casa nesta fase evolutiva à qual a ciência (biologia e antropologia) chama «homo sapiens sapiens».

              Tal como a Vida, que evoluiu desde há 4,6 mil milhões de anos aqui no planeta ‘Terra’, não é a redução aos corpos que os organismos vivos tiveram (desde os ‘arcados’, ‘procariotes’ e ‘eucariotes’ até ao ‘homo sapiens sapiens’).
              «Vida» e «ser-humano» estão noutra escala. Numa escala diferente da dos corpos onde habitam. Tal como as instruções do ADN dentro de uma semente ou de uma célula, que darão origem aos corpos e aos respectivos organismos.

              Razão pela qual o Impronuncialismo formulou a “Teoria Unificada das Substâncias”, na procura científica de que substâncias são feitas, e como se conectam, todas as coisas que Existem (no Universo, na Natureza inorgânica e orgânica, na Vida, no Mundo, nas Sociedades).

              Ninguém sabe de que substância são feitas a «Vida», e «a parte do ser-humano a que corresponde a Cognição» (pensamento). Podem até não ser substâncias, mas existirem apenas ao nível de «relações». «Relações» que se estabelecem entre as coisas da Existência. Ser a «relação» a sua coisalidade, tal como a Física, no actual «Modelo-Padrão», distingue entre ‘fermiões’ (partículas) e ‘bosões (energias, forças).

              Por esta razão, o Impronuncialismo define-se a si próprio do seguinte modo:
              — “O processo de abstração, complexidade e conhecimento capaz de guiar a cognição a obter a «propriedade SAP3i» na Existência”.

  3. 🍺 A reacção do Zé da Tasca

    O Zé da Tasca, depois de ler a notícia, pousou o jornal, suspirou fundo, e disse o seguinte, enquanto limpava o balcão com um trapo mais encardido que o avental:

    Quem é que tem tempo pa estas merdas? O Marques Mendes e o Gouveia e Melo podiam tar a debater o orçamento, a crise da habitação, ou a encher um buraco negro com as promessas eleitorais.
    Mas a preocupação é se dizem “pá” ou “para a”! Óh pá, se fosse por falar bem, o Pessoa ou o Saramago é que tavam a candidatar-se, não estes gajos!
    Eles não querem ser poetas, pá querem é o poleiro!
    O problema não é o “pá”, o problema é porque é que eles tão a dizer “pá” e “pó” no meio de nós.
    E isso, pó meu ver, é que é a verdadeira calamidade linguística deste país.

  4. O problema do Jardel também era o pó, pô. Lisboa tem o problema do pó pó. Pá por si não resolve nada, só com vassoura.

  5. O Presidente da República de acordo com a actual Constituição é um cargo essencialmente de representação, interna e externa.

    Internamente é mau augúrio, além de francamente inultrapassável, um candidato de origem partidária renegar o seu passado, passado esse com o usual rasto da tradicional acotovelada interna entre camaradas, colegas.

    Externamente o que é que semelhante lote de aguerridos militantes partidários representará aos futuros pares, por esse mundo fora, nas elas mesmo fanáticas limitadoras “internacionais” da política?.

    Á falta do Cristiano talvez o ex-Almirante?. Mas por favor, Senhor candidato, não se meta a discutir esquerdas e direitas, muito menos míticos centros. De políticos de carreira estamos cheios, fartos e não é esse o negócio de uma digna representatividade.

    1. O PR é de facto um cargo simbólico, de influência indirecta. À semelhança da “Rainha de Inglaterra”, que representa os símbolos e a cultura do País e não a sua vida mundana. Por que razão persiste esta ideia monárquica numa república muitas vezes assanhada contra o seu passado e contra os velhos regimes não se entende bem a não ser pelo facto de que os portugueses, o povo e os seus líderes, têm uma estrutura psicológica fundada na aldrabice e no medo e na falta de ética — além de serem eminentemente estúpidos e preguiçosos, e sem cultura. E, pelo menos desde o 25 de Abril, o seu sistema de ensino (politizado e instrumentalizado pelos comunistas e esquerdistas) é incapaz de educar as pessoas. Não há nada mais evidente. Se antes estava desenhado para formar elites saloias e subservientes (de onde provém o Prof. Marcelo), agora não está desenhado para nada a não ser para o carreirismo dos professores cujo motivo último é comprar um apartamento ou dois. E um Volvo.

      Num país normal, as elites definiriam os seus símbolos, os seus mitos — e a separação do que é a luta estúpida entre barricadas políticas (que constituem o regime) e os poderes simbólicos (que são o País) normalmente é nítida. Mas aqui nada é nítido, porque as regras mudam de acordo com os chefes e com a vontade efémera do partido no poder. E normalmente fodem tudo, porque as suas motivações são as mais vulgares. Até já foderam a Língua, que era a única coisinha boa que tínhamos. E são incapazes de analisar as coisas e ver onde os problemas realmente estão.

      Enquanto o País andar à volta das cunhas, do amiguismo, do benfiquismo, das amálias e dos ronaldos, das lutas de barricada na Assembleia, das negociatas das casas, a importar brasileiros e palops e gajos para andar de bicicleta e não resolver o problema principal da sua falta de inteligência (que deriva de que os chefes continuam a ser os “herdeiros” da alta burguesia, na política, nas empresas, etc), isto nunca há-de ir a lado nenhum. Quando o gajo que encomenda helicópteros para o Estado “por acaso” é o cunhado do Ministro… fica tudo muito claro. Pelo menos para mim.

      Vocês se calhar gostam, mas enquanto for assim… Esperneiem por aí à vontade… Nada vai mudar.

      1. “E, pelo menos desde o 25 de Abril, o seu sistema de ensino (politizado e instrumentalizado pelos comunistas e esquerdistas) é incapaz de educar as pessoas.”

        Esta sua afirmação é completamente falsa e torpe. Friso, falsa e torpe.

        E nem me vou dar ao trabalho de lhe explicar porquê, uma vez que, pelo teor do seu comentário, seria o mesmo que estar a bradar no vazio…

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