País (quase) ingovernável


José Gomes André,

As condições de governabilidade estão por um fio. O Bloco Central está morto (com catástrofe PSD não poderia ser de outro modo). BE e PCP sozinhos não chegam ao PS, que em última instância está dependente do CDS. Mas uma aliança formal teria efeitos gravíssimos para o PS (cuja ala esquerda poderia até bloquear essa opção) e em certa medida para o próprio CDS (cuja força advém de muitos votos de protesto anti-Sócrates). Sobram "acordos pontuais" no Parlamento. Mas como vai o PS simultaneamente cortejar a extrema-esquerda e negociar com partidos de direita?

4 comentários em “País (quase) ingovernável”

  1. Ora, ora, o País é ingovernável desde os tempos em que cá apareceu um romano que depois fez o relatório para Roma, dizendo que os Lusitanos eram uns tipos que não se sabiam governar nem se deixavam governar…
    O que os políticos têm de compreender é que o veredicto do povo é para se cumprir; e se o povo não deu a maioria absoluta a ninguém, é porque deseja que eles governem coligados.
    Coliguem-se, chiça ! Façam acordos, sejam políticos, não se portem como putos mimados tipo “não me deram os votos, já não quero brincar”.
    Olhem para a Alemanha, por exemplo.

  2. Não partilho do teu pessimismo, meu caro. Na generalidade dos países europeus, a começar pela vizinha Espanha, não existe maioria absoluta de um só partido – nem a considero desejável, após estes quatro anos e meio de governação em grande parte falhada. O factor mais preocupante, quanto a mim, está em Belém. Esta é a pior altura para termos um presidente fragilizado. E a verdade é que Cavaco Silva está politicamente muito diminuído.

    1. Talvez eu me tenha explicado mal. Eu não considero negativo haver governos minoritários, pelo contrário. Como sabes (já posso tratar por tu, não posso? :)), no sistema que mais admiro, o americano, nem sequer há disciplina de voto, portanto todas – mesmo todas – as leis têm de ser “negociadas” e isso é muito positivo. O que me parece complicado é a situação do PS no quadro actual, porque não tem um parceiro claro nem à Esquerda, nem à Direita. E esse ziguezague, a breve prazo, vai criar problemas políticos severos. Um abraço!

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