Nasceu numa manhã soalheira de Junho de 2000, num bairro à beira-Tejo, dias depois das obras terem sido interrompidas pelo aluimento de terras e inundação que bloqueou um dos túneis do metro. Enquanto a área obstruída se ia desbloqueando nasceram-lhe os primeiros dentes, deu os primeiros passos e articulou as primeiras palavras. No dia em que entrou na pré-primária, em Janeiro de 2003, a inundação foi finalmente estancada.
Desde então muito aconteceu na sua vida. Nasceu-lhe mais um irmão, mudou de casa, entrou no ensino básico, renovou toda a sua dentição. Actualmente frequenta o 3º ano. Há dias, numa aula de História, ouviu falar no Cais das Colunas. A professora explicou que era mesmo ali, no Terreiro do Paço, onde estavam os tapumes do estaleiro por onde ela se habituou a passar durante toda a sua existência. Mas familiarizada como estava com o cenário das obras naquele sítio teve dificuldade em imaginar como seriam as coisas antigamente, quando ainda nem sequer tinha nascido…

Um verdadeiro escândalo, só possível por Lisboa ser uma cidade sem massa crítica. Com tanta “intervenção” no Terreiro do Paço, qualquer dia até o cavalo do D. José pede transferência para o Marquês de Pombal…
Quiçá, transferência para a Avenida dos Aliados 🙂
Transferência para a Av. dos Aliados? Vá de metro satanás!
A santa Engrácia deve ser a padroeira dos empreiteiros!
Não se tira algo de alguém que nunca teve. A paisagem com o Tejo ao fundo é uma dessas coisas. Não sei quem será mais feliz… se a linda menina (?) de que nos fala ou nós que já vimos essa paisagem.
São duas infelicidades distintas, Mike. Qual delas a pior 🙂
O novo Cais das Colunas com as novas colunas, claro. É apenas mais um embuste. Descarado. Mário Lino deu uma bela conta de si e do que é capaz, quando presidiu à recente «inauguração».
As colunas originais, as verdadeiras e históricas colunas, essas, devem continuar não-sei-em-que-armazém, como garantiu em tempos alguém que agora ficou muito caladinho. Ou na quintarola de algum sortudo.
O Cais das Colunas no Terreiro do Paço não existe. O que existe é um cais com colunas na Praça do Comércio. E também existe uma angustiante e crescente falta de vergonha. Cais das Colunas? ‘Jamé’…
Lembro-me de ir passear para o Cais das Colunas. Que bonito era!
O que me custou vê-lo partir!
Já era, Fátima, já era…