Palminhas, palminhas…


Paulo Sousa,

A fadista Amália Rodrigues faz parte da identidade nacional. Não irei aqui elaborar sobre a sua carreira nem sobre a forma como, na sua voz, transportou o fado por todo o mundo, mas todos sabemos que, depois dela, qualquer pessoa no planeta com o mínimo de cultura geral associa este género musical a Portugal. Tornar-se num símbolo nacional não é coisa pouca e, recordo-me de como achei embaraçoso vê-la a cantar (seria exagerado dizer: ouvi-la) até a uma idade tão avançada. Quem, como eu, só a conheceu já no crepúsculo da sua vida, teve de ir à procura das gravações antigas para entender e então vergar-se à sua grandeza.

Veio-me isto à ideia depois de saber que o Ronaldo foi convocado por Jorge Jesus para os próximos jogos da Selecção. Não precisava de ser uma Greta Garbo, mas também não havia necessidade de nos forçar a assistir a um atleta a arrastar-se pelos relvados em fase de negação.

28 comentários em “Palminhas, palminhas…”

  1. Nunca ninguém jamais cantará como Amália qual divina Rainha global, ouve-se deliciosa como se estivesse presente.

  2. Ui! O que o Paulo Sousa foi dizer.
    Prepare-se para os ataques dos indefectíveis do Príncipe do Reino.

        1. A FPF esfrega as mãos enquanto ouve a caixa registadora a facturar. Para além das receitas que possa gerar, a FPF não quer saber do actor para nada.

  3. Lamento mas Ronaldo ainda faz a diferença. Digo mais, no campo ele progride, outros enfastiam em caixinhas e chutam para trás. Isto já é velho, basta estar atento. Todas as grandes vitórias saíram dos pés do Ronaldo.
    Ele ainda enche estádios.

  4. Adoro Amália e adoro Ronaldo…

    No caso em apreço, tendo a concordar com o Paulo, mesmo sabendo que Ronaldo será sempre muito mais do que “apenas” o melhor jogador de futebol de todos os tempos, de todo o universo e arredores…

    Ainda assim, ninguém é eterno e é preciso saber quando abandonar a cena…

  5. Precisamente: enche estádios e gera receitas. E como o futebol profissional é um negócio (por acaso assente sobre uma modalidade desportiva há muito ultrapassada em importância por esse negócio que lhe roubou o nome) – e onde, já agora, o escrúpulo não abunda – um jogador permanece um activo comercial enquanto encher estádios. Que parece ser, e é sem dúvida, o que interessa.
    E sê-lo-á no sentido em que, entre estádios cheios e patrocínios de absurdo pague as contas. Também absurdas.
    Se permanece um activo técnico, desportivo, capaz de efectivamente representar um salto qualitativo no sentido desportivo de vitória: ganhar o jogo, em termos de golos marcados face a sofridos em noventa minutos e respeitando as regras (o que parece ser cada vez menos relevante, haja sim estádios cheios de gente e gente disposta a derreter milhões na bola; e uns sempre benfazejos escândalos de quando em vez), é irrelevante. Atrai milhões de devotos deslumbrados e acríticos que com isso geram receitas que pagam muito mais do que o seu anjo (quase) caído as possa fazer perder. Ou não ajudar a ganhar.
    E que, mérito incontestável seu, não precisava nada – nada! – de passar por isso.

    1. A atitude que fez dele um atleta de excepção levou a que agora se disponha a isso. As boas personagens são assim, cheias de contradições.

  6. Ainda bem que Paulo Sousa confessa ser novo e ter tido de ir procurar
    gravações antigas. Amália, por si, nunca saíria das fronteiras de Portugal. Quem a projectou, levou a eventos internacionais e a deu a conhecer ao mundo foi António Ferro. Esse mesmo, o fascista.

  7. Costumava dizer que no desporto não há “bluffs”. Encontrei um contra-exemplo durante o último Mundial.

  8. Onde é que andará o senador do blogue para não reagir a tão acertada “heresia”.

    É melhor estabelecer contato para que a contenção não origine algum problema.

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