Consta por aí – que eu não leio jornais, nem blogues, nem coisa que me faça perder mais do que cinco minutos – que houve um golpe-de-estado-institucional por causa de uma coisa de escutas em órgãos de sobreania, de espionagem via internet, que meteu demissões de fidelíssimos assessores à mistura, declarações solenes do PR, resposta violenta do PS à declaração solene, comentários de comentadores que avisavam para coisas más, tal como o fim do regime ou, pelo menos, uma guerra civil latente. Nada. Nada disso. Os lados conflituantes conversaram durante 45 minutos. E disse Sócrates que foi uma conversa "boa". E disse Cavaco também que sim, que a conversa foi "boa". Tudo na maior, portanto, o pessoal preocupou-se à toa, a conversa foi "boa". Coragem, meus amigos. E optimismo. Tudo como dantes. O país? Ora, que interessa isso, quando a conversa é "boa"? Por falar nisso: alguém a escutou?
(recordo-me que, em 25 de Maio, no Tribunal de Vila verde, confidenciei a uma colega de profissão, que o caso ia andar assim. Troca de cromos: freeport, BPN, submarinos, Cova da Beira, and so on. O bloco central dos interesses em movimento – uma desgraça.)

O interessante nisto tudo é que o Paulo Portas ainda não percebeu que entrou na cidadela do bloco central, embora continue, compreensivelmente, a encher a boca com o discurso típico do ‘ outsider ‘.
É verdade.
Se me permite, Chloé , talvez isso aconteça por ter sido parte do bloco central a sair para o PP e não o PP a entrar na cidadela.Talvez assim se explique o alheamento ou a pose de alheamento …
Sim, claro, mdsol, a chave está nos resultados eleitorais. Caídos no colo por 2 ou 3 razões, entre as quais um trabalho inteligente. Mas se o P. Portas não tivesse entre mãos os tais 2 dígitos, os submarinos não emergiam justamente nesta altura…
Eu acho um nojo, mas ao mesmo tempo é extraordinariamente esclarecedor.
A agenda política da justiça, ou a farsa da separação de poderes.
Pessoalmente, gostaria de ter visto esta chunguice toda enterrada.
Correu mal…
Concordo Chloé. De facto, ou as coincidências acontecem em maior número do que em outro qualquer aspecto da vida social, ou a agenda da Justiça foi encontrada perdida numa carruagem de metro ou no meio da rua. E, como diz, aplica-se aos “casos” todos.
Por mim, continuo a bater num ponto, que eu sei ser simples, mas que aplico no caso da Justiça ou noutro… Onde anda a ética profissional, ou o simples profissionalismo de quem habita essas esferas? Recuso-me a “deitar” a culpa toda para a generalização comum “dos políticos”. Onde param cidadãos, profissionais, competentes que fazem o que deve ser feito. O que deve e pode ser feito?
Isso fez-me lembrar uma canção do Chico Buarque.
:-))