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Como Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Marques Mendes, Pedro Correia recomenda livros.
Felizmente não recomendo ditadores genocidas, ao contrário do que você faz.
Há quem recomende livros, há quem os proíba e houve – e nada garante que não voltemos a esse tempos – quem os queimasse. Em regra ditadores genocidas, coisa que manifestamente não parece suscitar um mínimo de incómodo ao balio.
Prefiro, vá lá sabe-se porquê, conviver com quem recomende livros, um seguramente grave defeito meu, e isso em nada me obriga a sempre concordar com as escolhas apresentadas, de livros ou do que seja. O que no mundo de balio decerto me valeria uma estadia, muito possivelmente terminal, num campozito de reeducação ou estabelecimento de benfeitoria afim. Ou me levaria, desastrado que serei, a desequilibrar-me no parapeito de uma janela ou varanda (os chás em regra não me causam indigestão, mas nunca se sabe).
Quanto à lista apresentada, partilho dois: Recordações e Andorinhas, recentemente lido e D. João VI e a Desgraçada Familia, leitura iniciada ontem ao serão. Uma forma aberrante de passar um serão, seguramente.
Mas, no que a mim respeita, já é tarde para ser “reeducado”.
Acabo de ler, precisamente, “Recordações e Andorinhas”. Recomendo muito, claro.
Que eu saiba, José António Saraiva (JAS) é arquiteto de formação e jornalista de profissão, pelo que duvido que o seu livro sobre João 6 tenha um mínimo de rigor histórico. Que eu saiba, JAS já escreveu livros de História que não são lá muito recomendáveis.
Que você saiba, balio. Pressuposto que para mim – e do que por aqui leio de seu, há muitos anos (e você comenta sobre tudo e mais alguma coisa; frequentemente com cordatas e sólidas qualificações liminares como “disparate”, um seu suave e gentil favorito) – está longe, muito longe, de ser decisivo para denegrir o labor de quem quer que seja.
Entre você e JAS a minha escolha está feita.
Uma bela selecção.Paul Auster e o seu “Mr.Vertigo”, Herberto Helder e “Os Passos em Volta”, Vitorino Nemésio e “Quatro Prisões Debaixo de Armas” moram aqui por casa e já foram lidos e relidos, já o John dos Passsos, um dos meus escritore favoritos, não conhecia este livro intitulado “Aventuras Dum Jovem”, vou procurar na Biblioteca.
Obrigado pelas sugestões.
Bom fim-de-semana
O conto de Nemésio que dá nome ao livro é uma obra-prima do género em Portugal. Hei-de escrever sobre ele.
Agradeço as sugestões.
As do Pedro Correia e de certos comentadores.
Tomei nota.
Tomei boa nota da expressão “certos comentadores”.
Tinha a certeza .
Com toda a modéstia que me caracteriza ( 🤭 )
permita-me sugerir um que ontem me foi oferecido
por uma amiga em quem eu não duvido das suas ( dela )
preferências.
Erik Orsenna L’Entreprise des Indes
Este penso eu , pode ser lido em qualquer estação do ano.
Muito bom o Mr. Vertigo de Paul Auster.
Divido os livros entre Livros de Inverno e Livros de Verão.
Não faz sentido ler Luz de Agosto em Dezembro ou Doutor Jivago em Julho, por exemplo.
Também entre livros para ler de dia e livros para ler à noite.
Mr. Vertigo é livro diurno.
Inverno / Verão. Dia / Noite.
Isso é muito complicado para mim a leitura só faz sentido se for assim:
Livros para ler no WC: Aqueles que não exigem foco nem alma, ideais para um “momento de reflexão”. Pense em biografias de gente que não interessa a ninguém.
Livros para ostentar no Metro: Capas vistosas. Não precisa de os ler, apenas de os segurar no ângulo certo. (Geralmente, um clássico russo ou algo que ganhou um Prémio Nobel).
Livros para a Ressaca: Textos sobre pessoas mais miseráveis do que você. É a literatura-paracetamol.
Você devia ler “Os Livros da Minha Vida”, do Henry Miller.
Tem um capítulo intitulado “Livros para ler na retrete”.
Quando eu era miúdo, em cima do cesto da roupa suja, havia sempre dois montes de livros: de Cowboys e do Tio Patinhas.
Hoje é mais fino, a única coisa que levo para a casa de banho é o telemóvel, mas não é para ler, é que o sacana tocava sempre quando estava a tomar banho.
Uma vez entrevistei um cantor célebre. Ao telefone. Enquanto ele falava ia ouvindo uns ruídos esquisitos. Durou vários minutos. Até que ele soltou um grito. Preocupei-me, perguntei o que sucedera. “Entrou-me a porra do champô nos olhos!”
O seu comentário fez-me recordar esta entrevista.
Mais do mesmo.
Assim nunca se sairá do que se é actualmente.
Mais do mesmo é Os Pensamentos de Vladimir Putin, um dos seus livros de cabeceira.
Esse sim, bom para ler na retrete.
Os livros (textos, escritos) de ruptura, que fizeram avançar a cognição humana não são nenhum desses do Post, nem desses autores. Apenas quis dizer isso no comentário. Foi essa a crítica.
Por exemplo, quem for à livraria e biblioteca do Instituto de Ciências Sociais, ali ao lado da Biblioteca Nacional, constacta que existem uns milhares de livros. Porém, todos esses livros dizem o mesmo e cometem a mesma tautologia. Afirmam que «o Social se explica pelo Social».
Isto é, a quantidade não significa a qualidade e a inovação.
Quanto aos fâs e crentes no regime nazi de Zelensky, agora percebem aquilo que o Impronuncialismo vinha a dizer há muito: «Esses fãs e crentes estiveram e estão do lado da corrupção e do embuste».
O papel é maciozinho q.b.?
Estou à espera do “Algoritmocracia”, está difícil a entrega…
Apenas como curiosidade, também acabei de reler um da “Colecção RTP” (“O Casamento Ardiloso” e outras Novelas Exemplares”, de Cervantes); e vou a meio doutro da “Caminho Policial” (“Oito milhões de maneiras de morrer”, de L. Block). Excelentes “Colecções”…
Os livros são mesmo como os amigos, não é? Por muito amáveis que sejam os novos, nunca substituem os velhos.
Pois são, é isso mesmo.
(Dos livros aqui apresentados, três já estão lidos neste momento. Um terço do total. A meta mantém-se.)